Segurança energética e transição ganham protagonismo em fórum da FGV durante o Rio Innovation Week

Painel reunirá especialistas do setor elétrico, infraestrutura e sustentabilidade para discutir resiliência da matriz energética, mudanças climáticas e competitividade do Brasil

A segurança energética e os desafios da transição para uma economia de baixo carbono estarão entre os principais temas da agenda do 1º Fórum Econômico RIW FGV, que será realizado nos dias 5 e 6 de agosto, durante o Rio Innovation Week, no Rio de Janeiro. Um dos destaques da programação é a mesa-redonda “Segurança energética e transição”, marcada para o dia 6, que reunirá representantes da academia, do setor elétrico, da infraestrutura e de entidades empresariais para debater caminhos para fortalecer a resiliência do sistema energético brasileiro diante das mudanças climáticas, das tensões geopolíticas e da crescente eletrificação da economia.

O encontro ocorre em um momento em que a segurança do suprimento energético voltou ao centro das discussões globais. Eventos recentes, como conflitos internacionais, a pandemia, eventos climáticos extremos e instabilidades nas cadeias de suprimento, reforçaram a necessidade de ampliar a capacidade dos países de garantir abastecimento confiável, ao mesmo tempo em que avançam na descarbonização de suas matrizes energéticas.

Segundo a organização do evento, o painel buscará discutir como o Brasil pode transformar suas vantagens competitivas, como uma matriz elétrica majoritariamente renovável e abundância de recursos naturais, em uma estratégia de desenvolvimento sustentável, capaz de combinar segurança energética, competitividade econômica e redução de emissões.

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Segurança energética passa a ser eixo estratégico da transição

O debate abordará temas considerados estruturantes para o futuro do setor energético brasileiro, como planejamento de longo prazo, diversificação da matriz, expansão das fontes renováveis, incorporação de novas tecnologias, modernização da infraestrutura elétrica e fortalecimento da capacidade de resposta do sistema diante de eventos extremos.

A proposta é analisar como conciliar três objetivos que hoje caminham de forma interdependente: garantir fornecimento seguro de energia, acelerar a transição para fontes de menor emissão de carbono e preservar a competitividade da economia brasileira.

Ao destacar esse desafio, Amanda Schutze, coordenadora-geral do FGV Clima e professora da FGV EESP, ressalta que a transição energética vai além das metas ambientais: “A transição energética é muito mais do que uma agenda de descarbonização. Ela precisa conciliar três objetivos fundamentais: fortalecer a segurança e a resiliência do sistema energético, promover a justiça energética e construir uma economia competitiva de baixo carbono. Não basta reduzir emissões: é preciso garantir que a energia continue sendo confiável, acessível e capaz de sustentar o desenvolvimento econômico.”

Na avaliação da especialista, o Brasil reúne condições favoráveis para exercer protagonismo nesse processo, embora ainda enfrente desafios relevantes relacionados à infraestrutura e à coordenação das políticas públicas: “O Brasil reúne condições únicas para liderar essa agenda, graças à sua matriz energética diversificada e de baixa intensidade de carbono, mas ainda enfrenta desafios importantes relacionados ao planejamento de longo prazo, à expansão da infraestrutura, ao financiamento e à coordenação das políticas públicas. Discutir esses temas é essencial para construir recomendações que ajudem os próximos governos a transformar as vantagens naturais do país em uma estratégia consistente de desenvolvimento sustentável, competitividade e inclusão social.”

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Especialistas discutirão caminhos para aumentar a resiliência do setor

A mesa contará com representantes de diferentes segmentos da cadeia energética e de formulação de políticas públicas. Participam do debate Clarissa Lins, sócia-fundadora da Catavento; Cynthia Silveira, diretora da Exergia Consultoria e Projetos; Thiago Ivanoski, diretor de Estudos Econômico-Energéticos e Ambientais da Empresa de Pesquisa Energética (EPE); Leonam Guimarães, coordenador técnico da Amazul; e Patrícia Audi, presidente executiva da ABRADEE. A mediação será de Amanda Schutze.

Entre os temas previstos estão os impactos da expansão das energias renováveis sobre a operação do Sistema Interligado Nacional (SIN), a necessidade de investimentos em infraestrutura, o papel das tecnologias inovadoras na gestão da matriz elétrica e mecanismos para aumentar a resiliência energética diante de eventos climáticos extremos.

Recomendações serão encaminhadas ao próximo governo

O painel integra a programação do 1º Fórum Econômico RIW FGV, iniciativa criada pela Fundação Getulio Vargas para reunir especialistas, formuladores de políticas públicas e representantes do setor produtivo em torno de temas estratégicos para o desenvolvimento do país.

Ao final do encontro, será consolidado um documento com recomendações formuladas pelos participantes nas diversas áreas debatidas durante o fórum. A proposta é encaminhar essas contribuições aos eleitos nas eleições de 2026 como subsídio para a formulação de políticas públicas.

A expectativa da organização é que o documento reúna propostas voltadas ao fortalecimento da segurança energética, da competitividade da economia brasileira e da aceleração da transição para uma matriz de baixo carbono, preservando a confiabilidade do sistema elétrico nacional.

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