Projeto Itatiaia ampliará o escoamento de energia renovável do Norte de Minas e do Nordeste, reduzirá restrições operativas e reforçará a integração elétrica entre as regiões Sudeste e Nordeste
A expansão da infraestrutura de transmissão considerada essencial para a próxima etapa da transição energética brasileira avançou mais um passo nesta semana. A ISA Energia Brasil anunciou a obtenção da Licença Prévia para o Projeto Itatiaia, empreendimento que conectará Minas Gerais e Rio de Janeiro por meio de um novo corredor de transmissão em 500 kV destinado a ampliar o transporte de energia renovável para os principais centros de consumo do país.
Com investimento estimado em R$ 2,7 bilhões, atualizado pelo Capex regulatório da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) até março de 2026, o projeto desempenhará papel estratégico no fortalecimento do fluxo energético entre Nordeste e Sudeste, aumentando a capacidade de escoamento da geração solar e eólica produzida principalmente no Norte de Minas Gerais e na região Nordeste.
Além de ampliar a transferência de energia entre os subsistemas, a infraestrutura deverá aumentar a flexibilidade operativa do Sistema Interligado Nacional (SIN), reduzir congestionamentos elétricos e contribuir para a mitigação dos episódios de cortes compulsórios de geração renovável, fenômeno que tem afetado especialmente os empreendimentos eólicos e solares nos últimos anos.
Novo corredor reforça eixo Nordeste-Sudeste
O Projeto Itatiaia integra o chamado Fluxo Nordeste-Sudeste (FNESE), considerado um dos principais corredores de intercâmbio energético do país.
O crescimento acelerado da geração renovável no Nordeste e no Norte de Minas elevou significativamente a necessidade de expansão das redes de transmissão capazes de transportar essa energia até os grandes centros consumidores do Sudeste. Sem reforços estruturais, o avanço da oferta passa a encontrar limitações físicas na rede, elevando os riscos de restrições operativas e aumentando os custos sistêmicos.
O empreendimento da ISA Energia Brasil surge como uma das obras estruturantes previstas para a segunda metade desta década. Além de ampliar a margem operacional do sistema, o projeto também permitirá a conexão futura de usinas que poderão participar dos próximos leilões de reserva de capacidade previstos para a região fluminense.
Infraestrutura prevê mais de mil quilômetros de circuitos
Arrematado no Lote 7 do Leilão de Transmissão nº 01/2023 da Aneel, o empreendimento contempla a construção da nova Subestação Leopoldina 2, em Minas Gerais, além da ampliação das subestações Governador Valadares 6, também em território mineiro, e Terminal Rio, no estado do Rio de Janeiro.
O projeto inclui ainda a implantação das linhas de transmissão em 500 kV Governador Valadares 6 – Leopoldina 2 e Leopoldina 2 – Terminal Rio, ambas em circuito duplo. Somados, os trechos totalizam 1.014 quilômetros de circuitos de transmissão de alta tensão, formando um novo eixo de transporte energético entre Minas Gerais e o litoral fluminense.
A infraestrutura envolverá a instalação de aproximadamente 995 torres de transmissão, o equivalente a cerca de 29 mil toneladas de estruturas metálicas, além da implantação de 35 reatores indutivos em 500 kV destinados ao controle operacional do sistema elétrico e à manutenção dos níveis adequados de tensão ao longo do corredor.
Projeto integra carteira prioritária do Novo PAC
A relevância estratégica do empreendimento levou o governo federal a incluir o Projeto Itatiaia entre as obras prioritárias do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O cronograma regulatório estabelecido pela Aneel prevê a energização do ativo até março de 2029, prazo considerado compatível com a entrada de novos empreendimentos renováveis e com o crescimento esperado da demanda elétrica na região Sudeste.
A conclusão da etapa ambiental representa um dos principais marcos para o avanço das obras, permitindo a continuidade dos processos de engenharia detalhada, obtenção da Licença de Instalação e mobilização dos canteiros.
Ao detalhar a obtenção da licença, o diretor-executivo de Projetos da ISA Energia Brasil, Dayron Urrego, destacou os impactos econômicos e estruturais da iniciativa para os dois estados diretamente envolvidos no empreendimento: “A conquista da Licença Prévia para este projeto é fundamental, pois ele fortalecerá a infraestrutura elétrica necessária para o crescimento econômico de Minas Gerais e Rio de Janeiro, com a geração de mais de 4 mil empregos diretos e indiretos durante as obras.”
Transmissão assume protagonismo na expansão renovável
O avanço do Projeto Itatiaia reforça uma mudança importante na dinâmica do setor elétrico brasileiro: o principal desafio para a expansão das fontes renováveis deixou de ser a construção de novos parques geradores e passou a ser a capacidade da infraestrutura de transmissão de absorver e transportar esses volumes crescentes de energia.
Nos últimos anos, a combinação entre expansão acelerada da geração e atrasos em reforços estruturais da rede elevou a ocorrência de restrições operativas e de episódios de curtailment, especialmente nos estados nordestinos. Nesse cenário, projetos estruturantes como Itatiaia assumem papel central para preservar a atratividade econômica dos investimentos em geração renovável e garantir maior eficiência ao Sistema Interligado Nacional.
Para a ISA Energia Brasil, a nova concessão também reforça sua posição de liderança no segmento de transmissão e amplia sua presença em um dos eixos elétricos mais relevantes para a segurança energética brasileira na próxima década.



