Incêndio em subestação da Axia interrompe 499 MW e afeta Fortaleza e Região Metropolitana

Falha na SE Delmiro Gouveia provocou desligamentos em consumidores atendidos pela Enel Ceará; ONS coordenou a recomposição do sistema e apura as causas do segundo grande evento de transmissão no estado em menos de uma semana

A ocorrência de um incêndio em equipamentos da Subestação Delmiro Gouveia, em Fortaleza, provocou a interrupção de 499 MW de carga na tarde desta terça-feira (14), afetando consumidores atendidos pela Enel Ceará na capital cearense e em municípios da Região Metropolitana.

De acordo com informações operativas do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a perturbação teve origem em instalações pertencentes à Axia Energia e exigiu a execução de manobras emergenciais para recomposição do sistema elétrico e transferência de carga entre alimentadores da rede de distribuição.

O evento representa o segundo desligamento de grande porte registrado na malha de transmissão que atende o Ceará em menos de uma semana, ampliando a atenção do setor sobre a resiliência operacional dos ativos da região Nordeste e os procedimentos de recomposição em contingências múltiplas.

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Incêndio em equipamento desencadeou desligamentos em duas subestações

Segundo o ONS, a ocorrência afetou simultaneamente os barramentos de 69 kV das subestações Fortaleza e Delmiro Gouveia, resultando na perda instantânea de 499 MW de demanda. Do total interrompido, aproximadamente 261 MW estavam associados à Subestação Fortaleza, enquanto outros 238 MW estavam vinculados à Subestação Delmiro Gouveia.

Ao informar seus consumidores sobre a origem da interrupção, a distribuidora detalhou o diagnóstico preliminar do evento: “Um incêndio em um dos equipamentos da subestação Delmiro Gouveia, operada pela transmissora Axia Energia em Fortaleza, provocou a interrupção no fornecimento de eletricidade para parte dos consumidores da capital cearense e de sua Região Metropolitana.”

A transmissora confirmou que a ocorrência foi registrada às 16h05 no setor de 69 kV da instalação, mas evitou antecipar conclusões sobre as causas do incidente antes da conclusão das análises técnicas.

Em posicionamento oficial, a companhia informou: “Imediatamente após a ocorrência, foi iniciado o processo de recomposição do sistema, com o restabelecimento integral do serviço concluído às 16h31. As causas do distúrbio técnico seguem sob análise.”

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ONS coordenou recomposição da rede básica

A cronologia operacional mostra que a recomposição da rede básica começou poucos minutos após o desligamento. Às 16h14, o ONS restabeleceu o barramento principal de 69 kV da Subestação Fortaleza. Treze minutos depois, às 16h27, foi recomposto o barramento principal da Subestação Delmiro Gouveia, permitindo o início da normalização das cargas da distribuidora. Paralelamente, a Enel Ceará executou manobras de transferência de carga por meio da rede de média tensão para reduzir o impacto sobre os consumidores.

A estratégia permitiu recuperar cerca de 98% dos clientes afetados em aproximadamente 50 minutos após a ocorrência inicial. A recomposição integral do fornecimento foi concluída às 18h30, enquanto o encerramento formal das cargas remanescentes foi registrado pelo ONS às 18h34.

Segundo evento relevante em menos de uma semana

O incidente ocorre poucos dias após outra perturbação relevante envolvendo instalações de transmissão que atendem consumidores do Ceará e da Paraíba. Na ocasião, o desligamento da Subestação Coremas 230 kV resultou na perda de 365 MW de carga, dos quais 173 MW pertenciam à área de concessão da Enel Ceará e 192 MW à área atendida pela Energisa Paraíba.

Os registros sucessivos devem resultar na elaboração de Relatórios de Análise de Perturbação (RAP) pelo ONS, procedimento que reúne transmissoras, distribuidoras e agentes de operação para identificar causas, avaliar o desempenho das proteções e propor medidas preventivas.

Para especialistas do setor, a recorrência de eventos dessa natureza reforça a importância dos investimentos em manutenção preditiva, monitoramento em tempo real dos ativos e modernização das instalações estratégicas da Rede Básica, especialmente em regiões que apresentam crescimento acelerado da demanda e elevada dependência de poucos corredores de transmissão.

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