EPE projeta R$ 79,1 bilhões em investimentos para o sistema de transmissão no novo ciclo PET/PELP

Relatório do primeiro semestre de 2026 detalha expansão de 20,5 mil km de linhas de transmissão e projeta os próximos leilões do setor elétrico nacional.

O planejamento da infraestrutura de transmissão de energia elétrica no Brasil ganhou novas diretrizes e projeções robustas. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) publicou oficialmente o Programa de Expansão da Transmissão (PET) e o Plano de Expansão de Longo Prazo (PELP) referentes ao primeiro semestre de 2026. O documento consolida as obras recomendadas nos estudos de planejamento técnico até maio de 2026 que ainda não foram licitadas ou autorizadas, já contabilizando os resultados do Leilão de Transmissão 001/2026, ocorrido em março. 

Com um horizonte que divide as ações entre determinativas (PET, para os próximos seis anos) e indicativas (PELP, a partir do sétimo ano), o relatório serve como principal bússola de previsibilidade para investidores, consórcios e fornecedores da cadeia de alta tensão. O montante global estimado para viabilizar os empreendimentos mapeados atinge a marca de R$ 79,1 bilhões. 

Divisão de aportes e foco no escoamento de fontes renováveis

Dos R$ 79,1 bilhões globais previstos pela empresa pública, a maior fatia será destinada à implantação física de novas redes. As linhas de transmissão demandarão R$ 49,0 bilhões (62% do total), enquanto os projetos de subestações absorverão R$ 30,1 bilhões (38%). Sob a ótica regulatória de outorgas, as obras de caráter licitatório somam R$ 67,3 bilhões (85%), restando R$ 10,8 bilhões (15%) para as ampliações por meio de autorizações diretas. 

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A lógica de expansão reflete as atuais dinâmicas do Sistema Interligado Nacional (SIN) e a necessidade de conexão de novas fontes geradoras. O relatório indica que 54% dos investimentos (R$ 42,9 bilhões) têm como propósito principal o escoamento de geração e a ampliação de interligações regionais. Já os 46% restantes (R$ 36,2 bilhões) focam no reforço do atendimento a mercados consumidores locais e regionais que operam próximos do limite estrutural. 

No que tange à evolução física da malha brasileira ao longo de todo o horizonte do relatório, a expectativa da EPE é acrescentar aproximadamente 20,5 mil quilômetros de novas linhas de transmissão e expandir a capacidade de transformação em cerca de 81,9 mil MVA em novas subestações. 

Sudeste e Centro-Oeste concentram metade dos investimentos

O mapeamento regionalizado aponta que o submercado Sudeste/Centro-Oeste receberá o maior volume financeiro, com R$ 38,7 bilhões (49% do total). Em seguida, aparecem o Nordeste, com R$ 19,7 bilhões (25%); a região Sul, com R$ 15,6 bilhões (20%); e o Norte, com R$ 5,1 bilhões (6%). 

A estatal ressalta que, para a região Norte, estão previstos importantes estudos estruturantes a serem emitidos ainda no decorrer de 2026. Essas soluções, que incluem avaliações de resiliência no Amazonas, Amapá e Roraima, além do atendimento à Ilha de Marajó, devem ampliar significativamente os investimentos projetados para o submercado nas próximas edições do relatório. 

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O radar dos investidores: leilões de 2026 e 2027

Para o curto prazo, o mercado se prepara para disputar um volume considerável de projetos de transmissão. A estimativa inicial aponta que R$ 11,0 bilhões (16% das obras licitatórias) devem ir a leilão ainda este ano, divididos entre a segunda etapa do Leilão de Transmissão 001/2026 e o certame 002/2026. A maior parte do bolo, totalizando R$ 56,2 bilhões (84%), ficará programada para os leilões de 2027 em diante. 

Os estados com maiores destaques licitatórios para as próximas etapas de 2026 incluem:

  • Mato Grosso do Sul (R$ 6,14 bilhões): focado em novos pontos de suprimento e na interligação internacional Brasil-Bolívia. 
  • Goiás e Distrito Federal (R$ 2,16 bilhões): voltado ao atendimento de demanda reprimida na região Noroeste de Goiás e abertura de margem de escoamento. 
  • Rio Grande do Norte (R$ 2,11 bilhões): com destaque para a construção de grandes linhas de 500 kV, como a LT Angicos – Jaguaruana II e LT Açu III – Pecém IV. 
  • São Paulo (R$ 1,59 bilhão): focado em reforços estruturais nas sub-regiões Norte, Leste e Sul da Região Metropolitana. 

Previsibilidade e os descompassos com o Plano Decenal

A transparência do relatório gerencial atua de forma coordenada com o Ministério de Minas e Energia (MME), o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), servindo de base direta para a formulação do Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (POTEE). 

Contudo, a EPE faz um alerta técnico importante em relação às premissas e quantitativos que diferenciam o PET/PELP do Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE). O órgão adverte que a comparação direta exige cautela para evitar análises equivocadas, visto que, diferentemente do PET/PELP, o PDE engloba obras que já foram devidamente autorizadas e licitadas, enquanto este portfólio semestral abrange instalações que ultrapassam o horizonte de dez anos ou que residem em Demais Instalações de Transmissão (DIT).   

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