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Orizon conclui incorporação da Vital e assume 30% do mercado de biometano de resíduos

Orizon conclui incorporação da Vital e assume 30% do mercado de biometano de resíduos

Operação de R$ 10,7 bilhões consolida maior plataforma de economia circular da América Latina e projeta produção de 2 milhões de metros cúbicos diários do combustível renovável.

A consolidação do mercado brasileiro de gestão e valorização de resíduos deu um passo decisivo com a conclusão da incorporação da Vital Engenharia Ambiental pela Orizon. A operação cria a maior plataforma da América Latina voltada à economia circular, recuperação energética e produção de combustíveis renováveis a partir de resíduos sólidos urbanos (RSU). O movimento amplia a escala de atuação da companhia em um momento de forte demanda por soluções associadas à transição energética e à descarbonização industrial.

Com a integração dos ativos, a Orizon passa a responder pela gestão de aproximadamente 14,5 milhões de toneladas de resíduos por ano. O volume equivale a cerca de 35% de todo o material que recebe destinação ambientalmente adequada no Brasil, estendendo a abrangência da companhia para uma população estimada em 40 milhões de pessoas, distribuídas em quase 300 municípios.

Mais do que uma movimentação societária, a incorporação acelera a transformação da gestão de resíduos em uma atividade estratégica para a geração de energia limpa e ativos ambientais de alto valor.

Resíduos ganham protagonismo na agenda energética

Historicamente associado apenas ao aterramento de rejeitos urbanos, o setor vem assumindo papel central na agenda de transição climática. Nos chamados Ecoparques operados pela Orizon, o lixo deixa de ser um passivo para se tornar matéria-prima para a produção de biogás, biometano, energia elétrica, combustível derivado de resíduos (CDR), fertilizantes orgânicos e créditos de carbono.

Ao analisar o impacto social e regulatório da expansão da malha de ativos, o CEO da Orizon, Milton Pilão, aponta os gargalos estruturais que a nova escala operacional ajuda a mitigar: “Mesmo com os avanços do Marco do Saneamento, o Brasil ainda convive com mais de 3 mil lixões, uma realidade que gera impactos ambientais, sociais e de saúde pública. A incorporação da Vital amplia nossa capacidade de oferecer soluções em escala para apoiar municípios na superação desse desafio, transformando resíduos em valor, energia renovável e desenvolvimento.”

Biometano se torna principal vetor de crescimento

Entre os segmentos mais beneficiados pela integração está o mercado de biometano. Com a chegada dos ativos da Vital, a Orizon passa a concentrar cerca de 30% da capacidade autorizada de produção de biometano oriundo de resíduos sólidos urbanos no país, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Atualmente, a companhia opera duas plantas de biometano e possui outras sete unidades em construção, com previsão de entrada em operação ao longo dos próximos 18 meses. A expansão desses ativos poderá elevar a capacidade potencial de produção para cerca de 2 milhões de metros cúbicos por dia. Esse volume ganha relevância estratégica na substituição de derivados fósseis importados, como o diesel utilizado nos setores de logística e transporte pesado.

Milton Pilão pondera sobre a importância do combustível renovável para a resiliência da matriz e a estabilidade econômica do país: “A produção nacional de biometano também contribui para maior estabilidade de custos frente às oscilações internacionais do petróleo e do dólar. Em um país que ainda importa cerca de 25% a 30% do diesel que consome, ampliar a oferta de um combustível brasileiro, renovável e produzido a partir de resíduos é uma agenda estratégica de segurança energética. Estamos prontos para atender a uma demanda estrutural crescente na indústria, no transporte pesado e na mobilidade urbana.”

De acordo com referências do FGV/GHG Protocol, o biometano pode reduzir em até 99,7% as emissões de dióxido de carbono (CO₂) em comparação ao diesel, mitigando a emissão de poluentes locais que degradam a qualidade do ar nos grandes centros urbanos.

Recuperação energética e créditos de carbono

Outro ativo que ganha musculatura na estratégia de portfólio da companhia é a Unidade de Recuperação Energética (URE) de Barueri (SP). Considerada a primeira instalação do gênero na América Latina a utilizar a tecnologia Waste-to-Energy para converter resíduos em eletricidade, a planta é fruto de uma parceria público-privada com o município e conta com a participação da Sabesp.

Com previsão de start-up no primeiro semestre de 2027, a unidade terá capacidade para processar 870 toneladas de resíduos por dia e gerar cerca de 20 MW de energia elétrica, o suficiente para abastecer 75 mil residências. Em paralelo, a nova estrutura corporativa amplia o posicionamento da Orizon no mercado de ativos ambientais.

A companhia estima evitar a emissão de aproximadamente 6,5 milhões de toneladas de CO₂ equivalente por ano através de suas atividades de tratamento, captura de metano e eficiência energética. Parte substancial dessas reduções é convertida em créditos de carbono certificados, abrindo novas linhas de receita monetizável.

Salto na escala financeira

A incorporação da Vital representa a maior transação já realizada pela história da Orizon e altera significativamente sua linha de balanço. Com a conclusão do negócio, o valor de mercado da companhia alcança a marca de R$ 10,7 bilhões, enquanto a receita bruta combinada supera R$ 4 bilhões anuais.

O EBITDA consolidado avança para R$ 1,3 bilhão e o lucro líquido atinge R$ 439 milhões, conferindo robustez financeira para suportar o plano de investimentos contratados. A operação já recebeu o aval definitivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e foi ratificada pelos acionistas em assembleia.