Integrado a parque eólico, projeto Punta de Talca foca em flexibilidade operativa; grupo também aciona ativo de 800 MWh nos EUA e soma 460 MW no segmento.
O armazenamento de energia por baterias em escala de utilidade pública (utility-scale) começa a consolidar a pegada operacional dos grandes geradores na América do Sul. A EDP anunciou o início da operação comercial do Punta de Talca BESS, no Chile, marcando a estreia da companhia em sistemas de armazenamento em baterias (Battery Energy Storage System) na região. Integrado ao parque eólico homônimo, o empreendimento recebeu investimentos de aproximadamente US$ 44 milhões e faz parte da estratégia global do grupo para prover flexibilidade aos sistemas elétricos saturados por fontes intermitentes.
Instalado no município de Ovalle, na região de Coquimbo, o complexo possui capacidade instalada de 240 MWh e injeção média estimada em 60 GWh por ano. A energia armazenada é capaz de suprir o consumo equivalente de 30 mil residências chilenas, maximizando o aproveitamento do recurso renovável local.
Blindagem contra o curtailment e ganho de potência firme
O ativo foi conectado diretamente ao Parque Eólico Punta de Talca, parque de 83 MW que está em operação comercial desde 2024. A hibridização do parque via baterias resolve um dos problemas mais agudos do mercado elétrico chileno na atualidade: o curtailment, jargão setorial que define o corte ou descarte compulsório da geração renovável devido a restrições de escoamento nas linhas de transmissão ou falta de carga nos horários de pico solar e eólico.
Ao absorver o excedente de energia para despachá-lo nos momentos de maior estresse ou demanda da rede, o sistema eleva o fator de capacidade do parque e melhora as margens de rentabilidade do ativo.
O CEO da EDP na América do Sul, João Brito Martins, mapeia o posicionamento da companhia diante dos novos desafios de infraestrutura das matrizes descarbonizadas: “O início da operação do nosso primeiro projeto de baterias na América do Sul representa um marco estratégico para a EDP e reforça o papel do armazenamento de energia na construção de sistemas elétricos mais resilientes, flexíveis e sustentáveis. Este complexo no Chile demonstra como a integração entre geração renovável e baterias pode aumentar a eficiência operacional, reduzir desperdícios de energia e apoiar a transição energética da região.”
De olho nas definições regulatórias do mercado brasileiro
Embora o primeiro BESS do grupo na região tenha sido alocado em solo chileno, a liderança da EDP aponta o Brasil como o mercado de maior avenida de crescimento para a tecnologia nos próximos anos. O aumento expressivo dos cortes de geração solar e eólica determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) no ambiente de contratação brasileiro acelerou os debates institucionais na Aneel e no Ministério de Minas e Energia (MME) sobre a valoração e remuneração dos serviços sistêmicos prestados por baterias.
Diante do amadurecimento dos debates regulatórios que visam viabilizar os primeiros leilões de capacidade dedicados ao armazenamento no Sistema Interligado Nacional (SIN), João Brito Martins sinaliza as projeções de investimento para as operações brasileiras: “Acreditamos que este tipo de solução terá um papel crescente na evolução dos sistemas elétricos da região e vemos um potencial importante para o desenvolvimento deste mercado no Brasil nos próximos anos.”
Escala global: Ativo de 800 MWh entra em operação nos EUA
A consolidação do portfólio de armazenamento da EDP ganhou tração simultânea no mercado norte-americano com a conclusão do Flatland Energy Storage. Desenvolvido pela EDP Renewables North America em parceria com a Salt River Project (SRP) no estado do Arizona, o empreendimento possui 200 MW de potência e 800 MWh de capacidade de armazenamento, tornando-se o maior projeto de BESS em operação de todo o grupo global.
O CEO global do grupo EDP, Miguel Stilwell d’Andrade, dimensiona o peso dos ativos de grande porte na estabilização das redes de transmissão internacionais: “Os sistemas elétricos estão se tornando mais complexos e a demanda por energia continua crescendo, o que torna cada vez mais importante o investimento em sistemas mais resilientes. Projetos de armazenamento de energia em grande escala como este, o maior do grupo EDP até o momento, são fundamentais para fortalecer a estabilidade e a resiliência da rede, além de apoiar um desempenho mais confiável do sistema.”
Com as novas operações no Chile e nos Estados Unidos, a EDP alcança a marca de 460 MW de capacidade de armazenamento em baterias operacionais ou em fase avançada de construção, divididos entre a América do Norte, Europa, América do Sul e Ásia-Pacífico.



