Avanço da telemetria e da eletrificação acelera ganhos de produtividade, reduz consumo de combustível e fortalece metas de descarbonização em empresas de logística, transporte e infraestrutura
A transformação digital das operações logísticas deixou de ser uma agenda de inovação para se tornar uma necessidade estratégica em um cenário de pressão por redução de custos, aumento da competitividade e cumprimento de metas ambientais. O uso combinado de inteligência artificial (IA), telemetria avançada e análise de dados em tempo real está redefinindo a forma como empresas gerenciam suas frotas, permitindo ganhos expressivos de eficiência operacional e contribuindo para acelerar a eletrificação do transporte corporativo.
Dados do Relatório de Sustentabilidade e Impacto 2025 da Geotab mostram que a adoção dessas tecnologias vem gerando resultados concretos em diversos mercados. Entre os principais indicadores observados estão reduções de até 30% no tempo ocioso dos veículos, diminuição significativa do consumo de combustível e aumento da produtividade das operações, além da expansão acelerada do uso de veículos elétricos conectados.
O movimento ocorre em um contexto global marcado pela necessidade de reduzir emissões, melhorar a gestão energética e enfrentar a volatilidade dos custos operacionais, especialmente em setores intensivos em transporte, como logística, construção civil, distribuição, infraestrutura e serviços.
Dados passam a ser ativos estratégicos para as operações
A digitalização das frotas está promovendo uma mudança estrutural na forma como as empresas tomam decisões relacionadas à mobilidade corporativa.
Com sistemas capazes de monitorar comportamento de motoristas, consumo energético, rotas, emissões e desempenho mecânico em tempo real, gestores conseguem identificar desperdícios que tradicionalmente passavam despercebidos e que representam milhões de reais em custos ao longo do ano.
O relatório aponta que os veículos elétricos monitorados pela plataforma da Geotab ultrapassaram a marca de 1,4 bilhão de quilômetros percorridos em 2025. Paralelamente, a base global de veículos eletrificados conectados cresceu 43%, impulsionada por mais de 7 mil estudos de viabilidade para substituição de frotas convencionais por modelos elétricos.
Atualmente, a plataforma opera com mais de 375 modelos de veículos elétricos, permitindo uma análise detalhada de desempenho, autonomia, padrões de recarga e viabilidade econômica para diferentes segmentos empresariais.
Eficiência operacional deixa de competir com sustentabilidade
Durante muitos anos, sustentabilidade e rentabilidade foram tratadas como objetivos potencialmente conflitantes dentro das organizações. A evolução da tecnologia embarcada e da inteligência analítica, porém, vem alterando essa percepção.
Ao avaliar o cenário brasileiro, marcado pela volatilidade dos preços dos combustíveis e pela crescente pressão por metas ESG, o vice-presidente da Geotab Brasil, Eduardo Canicoba, destaca como a utilização de dados passou a impactar diretamente os resultados financeiros das empresas: “As empresas brasileiras estão cada vez mais focadas em utilizar dados para tomar decisões mais rápidas e eficientes nas operações logísticas. A telemetria e a inteligência artificial permitem identificar desperdícios de combustível, monitorar emissões de CO2, melhorar a produtividade das frotas e apoiar metas de sustentabilidade sem comprometer a rentabilidade do negócio.”
A afirmação reflete uma tendência observada em diversos setores econômicos: a incorporação da agenda de descarbonização às estratégias de eficiência operacional e gestão de custos.
Casos práticos mostram retorno financeiro imediato
Os resultados observados em empresas que adotaram ferramentas avançadas de telemetria reforçam a viabilidade econômica da transformação digital das frotas.
No Reino Unido, a companhia de infraestrutura e materiais de construção Tarmac registrou uma redução de 30% no tempo ocioso de veículos com motor ligado. A medida contribuiu para elevar em 25% a eficiência no uso de combustível e reduzir pela metade os episódios de excesso de velocidade.
Na Itália, a operadora de transporte rodoviário Autolinee Federico alcançou uma redução de 20% no consumo de diesel após implementar sistemas de análise comportamental dos condutores. O projeto também resultou em queda de 40% nos custos relacionados a multas e infrações.
Já a empresa postal belga Bpost SA conseguiu evitar gastos equivalentes a € 1,6 milhão em combustíveis fósseis por meio da gestão inteligente da infraestrutura de recarga de sua frota elétrica. A estratégia permitiu eliminar o consumo de aproximadamente um milhão de litros de diesel.
Nos Estados Unidos, a distribuidora Richards Building Supply projetou economias superiores a US$ 195 mil anuais utilizando sistemas de monitoramento voltados à redução de acidentes e mitigação de riscos operacionais.
Veículos elétricos ganham escala na logística corporativa
O crescimento da conectividade entre veículos elétricos e plataformas digitais também sinaliza uma mudança relevante no processo de eletrificação das frotas.
Ao integrar informações sobre autonomia, desempenho, disponibilidade de carregamento e custos operacionais, as empresas conseguem reduzir incertezas que historicamente dificultavam decisões de investimento em mobilidade elétrica. Além de apoiar a transição energética, essa capacidade analítica permite dimensionar corretamente baterias, otimizar ciclos de recarga e reduzir custos relacionados à demanda de energia, tornando os projetos mais atrativos financeiramente.
O fundador e CEO da Geotab, Neil Cawse, avalia que os resultados obtidos pelas empresas reforçam a convergência entre desempenho financeiro e sustentabilidade: “Não precisamos mais debater a escolha entre ‘sustentabilidade’ ou ‘lucratividade’. Quando integrada com um foco pragmático no valor de curto prazo, a sustentabilidade é um claro impulsionador da eficiência e da rentabilidade.”
Digitalização das frotas fortalece a agenda da transição energética
O avanço da inteligência artificial aplicada à mobilidade corporativa ocorre em paralelo à crescente eletrificação do transporte e à busca por modelos operacionais de menor intensidade de carbono. Nesse contexto, a gestão baseada em dados assume papel central ao permitir que empresas monitorem emissões, avaliem cenários de substituição tecnológica e tomem decisões com maior previsibilidade financeira.
A tendência também dialoga diretamente com os desafios do setor elétrico. À medida que cresce a adoção de veículos elétricos, aumenta a necessidade de integração entre sistemas de mobilidade, infraestrutura de recarga e gestão inteligente da demanda energética.
O relatório da Geotab sugere que a próxima etapa dessa transformação será marcada pela convergência entre inteligência artificial, eletrificação e gestão energética, criando um ecossistema cada vez mais conectado, eficiente e alinhado aos objetivos globais de descarbonização.
Mais do que uma ferramenta de monitoramento, a telemetria passa a ocupar posição estratégica na competitividade das empresas, tornando-se um elemento decisivo para reduzir custos, melhorar desempenho operacional e preparar as organizações para uma economia de baixo carbono.



