Assaí avança em autoprodução solar com usina de 25 MWm e garante previsibilidade de custos

Acordo de 15 anos com BCP Global e European Energy recebe aval do Cade e suprirá quase metade da demanda energética da rede varejista a partir de 2028.

O mercado de autoprodução de energia ganha mais um movimento de peso no segmento de grande consumo (retail/grocery). O Assaí obteve o aval definitivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para dar andamento à sua parceria estratégica com a BCP Global e a European Energy. A operação, estruturada sob as regras da autoprodução por equiparação, garantirá que 48% do consumo global de energia elétrica de toda a rede de atacado seja atendido por fontes renováveis próprias a partir de janeiro de 2028.

A engenharia comercial do negócio envolve um contrato de longo prazo (Power Purchase Agreement – PPA) com duração de 15 anos. O volume contratado equivale a uma capacidade destinada de 25 MWm (megawatts-médios), montante expressivo que passará a mitigar a volatilidade de preços de curto prazo (PLD) enfrentada por grandes consumidores no Ambiente de Contratação Livre (ACL).

Estruturação em Pernambuco e mitigação do OPEX

O lastro físico da transação virá do Complexo Solar Boa Hora, ativo que está sendo desenvolvido pela dinamarquesa European Energy no município de Tacaimbó, em Pernambuco. A escolha do Nordeste reforça a atratividade do submercado da região para o desenvolvimento de usinas fotovoltaicas e eólicas associadas a contratos corporativos de grande porte.

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No modelo de negócios de atacarejo, o custo com energia elétrica figura historicamente como a segunda maior linha de despesas operacionais (OPEX), atrás apenas da folha de pagamento de pessoal. Atualmente, o Assaí conta com uma capilaridade que supera 310 lojas em operação, distribuídas por 24 estados e pelo Distrito Federal. A consolidação da autoprodução atua diretamente como uma blindagem contra flutuações tarifárias e custos de encargos setoriais incidentes sobre o consumo tradicional no mercado regulado ou livre convencional.

O Gerente de Projetos do Assaí, Lucas Attademo, detalha os impactos da transação no gerenciamento de riscos e metas corporativas da companhia: “Esse projeto representa um avanço importante na estratégia de eficiência energética do Assaí e reforça nosso compromisso com soluções estruturantes e sustentáveis para o negócio. Além de ampliar a previsibilidade de custos operacionais no longo prazo, a iniciativa fortalece a segurança energética da Companhia e amplia nossa participação no mercado de energia renovável.”

Tendência setorial e arquitetura jurídica de autoprodução

A operação chancelada pelo Cade reflete uma tendência consolidada entre os grandes consumidores do país, que buscam nos consórcios de autoprodução uma forma de otimizar a eficiência econômica de suas plantas ou lojas. Esse modelo jurídico e regulatório permite que as empresas se associem a geradores de energia (geralmente via participações societárias ou sociedades de propósito específico – SPEs) para figurar formalmente como produtoras de sua própria carga.

A principal vantagem financeira desse arranjo, além do preço competitivo da fonte incentivada solar, está na isenção legal de importantes encargos setoriais, como a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e o encargo de Proer, o que reduz consideravelmente o custo final da energia colocada na ponta do consumo. Ao se posicionar como autoprodutor, o Assaí acelera suas metas de descarbonização (Escopo 2) e eleva o patamar de governança corporativa no mercado setorial de alta performance.

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