Presidente da Petrobras, Magda Chambriard, indica estratégia que depende de aprovação no Congresso para recompor margens e preservar preços nas bombas
A política de preços da Petrobras pode entrar em uma nova fase, marcada por maior sofisticação técnica e dependência direta do ambiente legislativo. A companhia sinalizou a intenção de ajustar os preços da gasolina nas refinarias para níveis mais próximos ao Preço de Paridade de Importação (PPI), mas condiciona o movimento à aprovação de um projeto que prevê a desoneração de tributos federais.
A proposta em discussão no Congresso Nacional do Brasil busca zerar PIS e Cofins sobre a gasolina, compensando a perda de arrecadação com tributação sobre produtores de petróleo bruto. A lógica central é permitir que o aumento na refinaria seja neutralizado pela redução de impostos, evitando repasse ao consumidor final.
Ajuste técnico mira recomposição de margens
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, detalhou a estratégia durante agenda no Rio de Janeiro, destacando que o movimento representa uma oportunidade de recompor margens sem gerar pressão inflacionária.
Ao explicar a mecânica do modelo, a executiva afirmou: “Seria reajuste de preços Petrobras, mas não reajuste ao consumidor, porque quando você reduz PIS e Cofins, tem espaço para produtores e importadores aumentarem o preço da gasolina sem que esse preço chegue às distribuidoras.”
A declaração evidencia uma tentativa de equilibrar interesses econômicos e sociais, preservando o poder de compra da população ao mesmo tempo em que melhora a rentabilidade da estatal.
PPI como referência, não como imposição
A discussão sobre o alinhamento ao PPI permanece central para o mercado de combustíveis. Importadores, representados por entidades como a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis, apontam uma defasagem relevante entre os preços domésticos e os praticados no mercado internacional, especialmente em comparação com o Golfo do México.
No entanto, a Petrobras sustenta que sua estrutura de custos oferece maior flexibilidade, uma vez que grande parte da gasolina consumida no país é produzida internamente.
Ao abordar essa questão, Magda Chambriard destacou a autonomia operacional da companhia: “A gente evita a volatilidade. No ‘net’ (líquido), o volume de gasolina que a gente produz no Brasil é suficiente para a nossa entrega. Então, se você me perguntar se estamos pressionados pela paridade internacional? Nós olhamos sim para a paridade internacional, mas pressionados pelos preços, não. Toda a nossa gasolina é feita aqui.”
Autossuficiência reduz exposição à volatilidade externa
A autossuficiência na produção de gasolina é um diferencial estratégico da Petrobras. Diferentemente do diesel, cuja demanda ainda exige importações de até 30%, a gasolina produzida no país atende praticamente todo o consumo interno.
Esse fator reduz a exposição da companhia às oscilações internacionais de preços e custos logísticos, permitindo maior flexibilidade na definição de sua política comercial.
Na prática, o PPI passa a funcionar mais como um referencial de oportunidade de receita do que como um parâmetro obrigatório para cobertura de custos, abrindo espaço para decisões mais alinhadas ao contexto doméstico.
Estratégia busca equilíbrio entre investidores e política pública
A proposta de reajuste condicionado à desoneração fiscal revela uma tentativa de conciliar a geração de valor para acionistas com o papel social da estatal.
Ao alinhar política de preços e política tributária, a Petrobras busca criar uma solução que preserve sua competitividade e rentabilidade sem comprometer a estabilidade de preços ao consumidor.
Reforçando essa diretriz, Magda Chambriard concluiu: “A gente olha para o preço de paridade, a gente segue a tendência do preço internacional, e acreditamos que essa isenção de PIS e Cofins é suficiente para nós, em termos de resposta ao nosso investidor, público (governo) e o privado.”
Impactos para o setor de energia e economia
Para o setor energético, a estratégia sinaliza uma maior integração entre política fiscal e dinâmica de mercado, com potenciais impactos sobre concorrência, importações e estrutura de preços.
Caso implementada, a medida pode reduzir distorções entre preços domésticos e internacionais, melhorar a atratividade do refino nacional e oferecer maior previsibilidade para agentes do mercado.
Ao mesmo tempo, o sucesso da iniciativa dependerá da capacidade do governo de aprovar a compensação tributária no Congresso, tornando o tema um ponto de convergência entre política energética e fiscal.



