ANEEL aprova reajustes para Equatorial Alagoas e Neoenergia PE; diferimento e UBP amortecem impacto ao consumidor

Diretoria da agência reguladora validou novos índices para distribuidoras do Nordeste. Em Pernambuco, antecipação de recursos da Lei nº 15.235/2025 garantiu alívio tarifário de R$ 411 milhões.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) deliberou, nesta terça-feira (28), os processos de Reajuste Tarifário Anual (RTA) de 2026 para duas das principais concessionárias do Nordeste: a Equatorial Alagoas e a Neoenergia Pernambuco.

As decisões, tomadas durante reunião pública da diretoria colegiada, refletem o equilíbrio entre os custos de transmissão, encargos setoriais e a compra de energia, mas contaram com mecanismos financeiros específicos para mitigar a alta nos boletos dos consumidores cativos.

Equatorial Alagoas: Diferimento garante efeito médio de 5,43%

Para a Equatorial Alagoas, que atende cerca de 1,43 milhão de unidades consumidoras, os novos índices entram em vigor a partir do dia 3 de maio. O efeito médio para o consumidor ficou estabelecido em 5,43%, embora o impacto seja sensivelmente maior para a alta tensão (indústrias), que terá um reajuste de 7,80%.

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A modicidade tarifária no estado foi alcançada por meio de manobras técnicas previstas na regulação vigente. Ao detalhar a composição do índice, a agência reguladora esclareceu como a postergação de custos influenciou o resultado final: “Os índices aprovados foram reduzidos pela aplicação de diferimento tarifário, mecanismo que permite postergar para ciclos futuros custos reconhecidos no reajuste, reduzindo o impacto imediato para os consumidores, conforme estabelecido nos Procedimentos de Regulação Tarifária (PRORET).”

Neoenergia PE: Antecipação de ativos da UBP mitiga reajuste

No caso de Pernambuco, onde a concessionária atende 4,23 milhões de clientes, o reajuste passa a valer de forma imediata, nesta quarta-feira (29). O efeito médio percebido pelos consumidores será de 4,25%. Para o segmento residencial (B1), o aumento foi fixado em 3,26%.

O destaque do processo da Neoenergia PE foi o uso de instrumentos legislativos recentes para conter a pressão inflacionária sobre a tarifa. A distribuidora utilizou recursos provenientes do Uso de Bem Público (UBP) para amortecer o índice.

A ANEEL pontuou a relevância da medida financeira adotada no cálculo: “Os índices aprovados foram reduzidos pela antecipação dos recursos de Uso de Bem Público – UBP no cálculo tarifário, a partir da solicitação encaminhada pela distribuidora em 16 de abril de 2026, que resultou no reconhecimento de um componente financeiro no montante de R$ 411.000.000,00, nos termos do § 8º do art. 4º da Lei nº 15.235/2025.”

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Este mecanismo permitiu que um aporte expressivo fosse utilizado para abater custos que, originalmente, seriam repassados de forma integral à base de consumidores. Com a repactuação do saldo devedor, o montante arrecadado será direcionado para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

A agência reforçou a finalidade da legislação aplicada ao caso: “O objetivo da lei nº 15.235/2025 é antecipar fluxos de pagamento e reverter em economia para o consumidor.”

Resumo dos Índices Aprovados

Classe de ConsumoEquatorial Alagoas (3/mai)Neoenergia PE (29/abr)
Residencial (B1)4,46%3,26%
Baixa Tensão (Média)4,71%3,41%
Alta Tensão (Indústrias)7,80%7,19%
Efeito Médio ao Consumidor5,43%4,25%

O cenário de reajustes no Nordeste continua a ser acompanhado de perto por especialistas, especialmente pela utilização recorrente de créditos financeiros e diferimentos para evitar picos tarifários em anos de pressão nos custos de infraestrutura e encargos.

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