Demanda por combustíveis no Brasil deve crescer 3 bilhões de litros por ano até 2027, projeta EPE

Edição de abril das Perspectivas de Curto Prazo aponta recorde histórico no QAV e expansão do Diesel impulsionada pelo agronegócio; medidas de estabilização fiscal blindam consumo doméstico contra efeitos da guerra no Irã.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) divulgou, nesta sexta-feira (24), a edição de abril de 2026 do relatório “Perspectivas para o Mercado Brasileiro de Combustíveis no Curto Prazo”. O documento revela um horizonte de otimismo para o setor: a projeção é de um incremento superior a 3 bilhões de litros adicionais na demanda nacional por combustíveis líquidos e GLP tanto em 2026 quanto em 2027. O avanço é sustentado pela vitalidade do mercado de trabalho, com níveis recordes de ocupação formal, e pelo impacto de programas de transferência de renda que impulsionam o consumo das famílias.

Apesar do cenário de tensão no Oriente Médio, com a guerra no Irã pressionando as cotações internacionais do Brent, o relatório técnico indica que a demanda doméstica deve permanecer isolada desses choques no curto prazo. A blindagem é atribuída ao conjunto de políticas de estabilização econômica, incluindo mecanismos de subvenção ao produtor e importador, além de desonerações tributárias estratégicas em elos da cadeia de comercialização, especialmente para diesel e gás de cozinha.

Diesel e Agronegócio: A força da logística nacional

O óleo diesel permanece como o termômetro da atividade produtiva do país. Com as projeções positivas para a safra de grãos e o reaquecimento da indústria, a demanda pelo combustível deve atingir a marca de 72 bilhões de litros em 2026.

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Este desempenho evidencia a robustez da infraestrutura logística e a dependência do transporte rodoviário, que segue tracionado pelo desempenho do agronegócio. A EPE destaca que o ambiente econômico favorável, com crescimento ininterrupto do PIB per capita desde 2024 e o avanço do Novo PAC, cria as condições necessárias para que o consumo de diesel acompanhe o ritmo da expansão industrial.

Ciclo Otto e Biocombustíveis: Etanol ganha espaço

No segmento de veículos leves (ciclo Otto), a trajetória também é de ascensão, com expectativa de consumo de 64 bilhões de litros ainda este ano. A segurança no suprimento deste mercado está ancorada na oferta crescente de renováveis. A boa perspectiva para a safra de cana-de-açúcar 2026/27, somada à consolidação das usinas de etanol de milho, garante uma oferta sólida de biocombustíveis.

O relatório aponta que o etanol hidratado mantém uma demanda elevada, o que amplia a participação de fontes renováveis na matriz de transportes. Esse movimento é favorecido pela maior disponibilidade de renda real e pelo aumento do salário-mínimo, que permitem ao consumidor final manter o patamar de mobilidade urbana.

Expansão histórica: QAV e GLP em novos patamares

Um dos destaques mais significativos do relatório da EPE é a aviação. Após anos de recuperação, a demanda por Querosene de Aviação (QAV) em 2026 deve superar o recorde histórico estabelecido em 2014, ultrapassando os 7,5 bilhões de litros. O setor aéreo vive um momento de crescimento sustentável, impulsionado pela estabilidade econômica interna.

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Já o mercado de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) apresenta um vigor não observado há anos. A combinação do programa “Gás do Povo” com a reforma do Imposto de Renda, que ampliou a isenção para quem ganha até R$ 5 mil e ajustou as alíquotas para rendimentos de até R$ 7.350, liberou renda para o consumo doméstico de energia limpa. A EPE sinaliza que o pleno emprego e o aumento da massa salarial são os principais motores desse crescimento, abrindo espaço para novas evoluções tecnológicas e ampliação do mercado de gás no Brasil.

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