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Reforma Tributária no Setor Elétrico: como pequenas e médias empresas enfrentam a transição fiscal

Por Fernanda Paciência, gestora de tecnologia e comunicação da KRJ Conectores Elétricos

Por Fernanda Paciência, gestora de tecnologia e comunicação da KRJ Conectores Elétricos

A reforma tributária em implementação no Brasil representa mais do que uma alteração normativa, ela impõe um teste relevante de adaptação e planejamento, sobretudo para pequenas e médias empresas do setor elétrico. Com a fase de transição iniciada neste ano, o novo modelo prevê a substituição de tributos como ICMS, ISS, PIS e Cofins pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), de competência estadual e municipal, e pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), de âmbito federal.

O sistema elétrico brasileiro, por sua própria natureza, apresenta elevada complexidade sob a ótica contábil e regulatória. Estruturado em múltiplas conexões que incluem geradoras, transmissoras, distribuidoras e comercializadoras, o setor exige análise criteriosa diante de iniciativas legislativas capazes de promover mudanças normativas de amplo alcance.

Alinhados com a lógica dos tributos não cumulativos, a CBS e o IBS foram desenhados para que o encargo tributário seja, em última instância, absorvido pelo consumidor final do bem ou serviço. Nas operações com energia elétrica, a incidência dos novos tributos deverá ocorrer principalmente nas compras realizadas pelo consumidor final.

A legislação não prevê diferenciação de alíquotas entre as diversas fontes de geração, o que em princípio indicaria tratamento neutro entre as matrizes. Ainda assim, a adoção da CBS e do IBS pode produzir efeitos distintos na formação do preço da energia e, consequentemente, afetar a rentabilidade dos projetos, especialmente os de geração renovável.

Fazendo um paralelo acerca do que a Reforma Tributária tem gerado para o setor elétrico, é possível afirmar que a sua apresentação traz avanços potenciais relevantes como a simplificação do sistema, que unifica os tributos e reduz a complexidade operacional. Vai haver maior transparência na proposta não cumulatividade, que amplia a clareza na formação de preços e na carga tributária efetiva. Além disso, influirá na segurança jurídica refletida em sua padronização nacional, que diminui disputas entre estados e municípios, e por fim, modernizará o ambiente fiscal que exige atualização tecnológica, impulsionada por digitalização, organização e eficiência das empresas.

No entanto, em relação aos desafios, apresentam-se outros fatores. O primeiro deles é período de transição complexo, no qual a coexistência de sistemas antigos e novos aumenta a carga operacional temporariamente. O impacto no fluxo de caixa é um aspecto relevante porque traz mudanças na apuração de créditos e débitos e exigem atenção redobrada à liquidez. Um ponto a considerar é a necessidade de investimento em tecnologia e capacitação que força pequenas e médias empresas a alocar recursos em sistemas, consultorias e treinamentos especializados. É preciso refletir ainda sobre insegurança regulatória nas normas complementares que ainda serão definidas.

Lidar com essas mudanças exige das empresas do setor elétrico um duplo desafio, que é manter a competitividade e absorver a complexidade de uma transação que poderia ser mais ágil, mais informativa e contar com um sistema mais intuitivo.

A situação se torna mais sensível no caso das pequenas empresas que operam com estruturas administrativas enxutas. Em muitos casos, não há um departamento financeiro organizado nem recursos para contratar contadores especializados ou escritórios contábeis. Assim, a rotina fiscal e contábil acaba concentrada em um único profissional ou no próprio empresário, que assume diretamente tarefas como a emissão de notas fiscais e a gestão contábil e financeira do negócio.

A experiência do setor ilustra a necessidade de integração entre equipes de tecnologia da informação, desenvolvimento de sistemas, contabilidade e fiscal, e tem se mostrado essencial para que as mudanças sejam implementadas com segurança e responsabilidade.

Ciclos contínuos de testes e validação diária reforçam a importância da conformidade e da organização interna, demonstrando que a reforma pode ser uma oportunidade de fortalecimento estrutural, modernização tecnológica e maior eficiência operacional, desde que acompanhada de perto e com suporte adequado às empresas menores.

A reforma tributária representa, portanto, mais do que um ajuste fiscal, é uma oportunidade de modernizar processos, reduzir burocracia histórica e fortalecer a competitividade do setor elétrico. Para pequenas e médias empresas, o sucesso dependerá de acompanhamento rigoroso, planejamento estratégico e integração das equipes. Apesar das dificuldades iniciais, a novidade oferece ferramentas para que o setor avance, desde que o governo acompanhe de perto a transição e que o apoio às empresas menores seja efetivo, garantindo que elas não fiquem para trás em um processo, que é fundamental para a economia brasileira.