Plano Indicativo propõe nove projetos estratégicos e aponta duto Paulínia-Campo Grande com forte vantagem competitiva frente ao frete rodoviário
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) disponibilizou oficialmente a Nota Técnica do Plano Indicativo de Oleodutos (PIO) – Ciclo 2025. O documento técnico apresenta um diagnóstico robusto sobre o panorama logístico do downstream brasileiro e projeta um portfólio de investimentos da ordem de R$ 32,56 bilhões em obras de expansão dutoviária e novos terminais de apoio. O foco central do planejamento indicativo é mitigar vulnerabilidades logísticas, reduzir o Custo Brasil e ampliar a competitividade no escoamento de derivados de petróleo, etanol e querosene de aviação (QAV).
Atualmente, a malha dutoviária nacional totaliza 20,4 mil quilômetros de extensão, dos quais apenas 8 mil quilômetros são destinados à movimentação de líquidos. Esse cenário expõe a forte dependência do país em relação ao transporte rodoviário, modal que responde por 79% da distância percorrida no transporte de QAV, gerando elevada exposição às flutuações de frete e gargalos operacionais à medida que a demanda avança.
O mapa das oportunidades e a viabilidade dos novos traçados
O portfólio do ciclo atual é composto por nove empreendimentos projetados de forma cumulativa, que somam mais de R$ 32 bilhões em aportes totais estimados. Contudo, a Nota Técnica traz uma análise fina de viabilidade econômica comparativa frente às tarifas de frete da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Entre os projetos de maior destaque comercial estão os eixos voltados ao Centro-Oeste e ao Sudeste.
O duto de derivados Paulínia – Campo Grande (DER-PCG), com 845 km de extensão e orçamento de R$ 7,27 bilhões, compartilha o traçado do gasoduto GASBOL e mostrou-se altamente viável. Suas tarifas estimadas de R$ 184,52/m³ (entrega em Bilac/SP) e R$ 207,59/m³ (Campo Grande/MS) superam com larga vantagem competitiva os fretes rodoviários locais. No segmento de biocombustíveis, os dutos de etanol que conectam Sorriso (MT) a Água Boa (MT) e a Porto Nacional (TO) também apresentam forte atratividade econômica para escoar a produção do principal cluster do agronegócio.
Por outro lado, o estudo aponta que projetos dedicados a aeroportos específicos demandam cautela regulatória e comercial. É o caso do Duto QAV Guarulhos, estimado em R$ 204,03 milhões, cuja tarifa dutoviária de R$ 59,66/m³ calculada para o projeto superou o custo do frete rodoviário de referência (R$ 27,09/m³), indicando inviabilidade econômica sob as premissas atuais.
Metodologia e premissas econômicas do planejamento
O desenvolvimento do plano baseou-se em critérios rígidos de modicidade tarifária e modelagem regulatória padrão da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Para estimar o retorno dos projetos de infraestrutura de longo prazo, a empresa pública adotou parâmetros macroeconômicos alinhados às práticas de mercado brasileiras e internacionais.
A definição das taxas de desconto aplicadas aos fluxos de caixa foi detalhada pela área de estudos do Petróleo, Gás e Biocombustíveis da EPE: “A expectativa de Inflação do Brasil foi considerada igual à média aritmética simples da meta de inflação a ser perseguida pelo Banco Central do Brasil para os anos de 2025, 2026 e 2027, sendo igual a 3% a.a.; O prêmio de risco de crédito adotado foi de 7,67%, referente ao rating Ba1/BB, conforme estimativa de Damodaran (2025). Substituindo-se todos os parâmetros na equação apresentada anteriormente, chega-se a um valor de custo médio ponderado de capital de 7,54%”.
Multiplicadores econômicos e o impacto no PIB
Mais do que redesenhar o ecossistema de transporte de fluidos energéticos, a execução integral do PIO Ciclo 2025 atua como um poderoso motor de indução macroeconômica para o país. A modelagem realizada em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) indica impactos expressivos nos níveis de emprego e renda nacionais.
De acordo com os dados consolidados do planejamento indicativo, a injeção desses ativos na economia projeta um incremento no Produto Interno Bruto (PIB) nacional de até R$ 34 bilhões, o que representa uma variação positiva de 0,25% sobre a atividade econômica. Em termos de geração de postos de trabalho diretos e indiretos, estima-se a criação de 95,4 mil a 113,9 mil novas ocupações ao longo das fases de engenharia, suprimentos e construção das linhas e novos terminais terrestres.



