Biocombustíveis: Acelen Renováveis e IATA fecham acordo global para impulsionar mercado de SAF e validar a macaúba

Parceria estratégica firmada durante a Cúpula Mundial de Transporte Aéreo no Rio de Janeiro mira governança regulatória, atração de investimentos e descarbonização do downstream de aviação

O mercado global de combustíveis sustentáveis de aviação ganhou um importante vetor de articulação institucional e regulatória. A Acelen Renováveis, braço de transição energética da Mubadala Capital, e a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), entidade que representa cerca de 80% do tráfego aéreo do planeta, assinaram um Memorando de Entendimento (MoU) focado no desenvolvimento acelerado do mercado de Sustainable Aviation Fuel (SAF).

O acordo foi formalizado na cidade do Rio de Janeiro, durante a Assembleia Geral Anual da IATA e a Cúpula Mundial de Transporte Aéreo (WATS). O encontro reuniu os principais tomadores de decisão do setor de transportes, incluindo fabricantes, órgãos reguladores e produtores de biocombustíveis. A cooperação técnica e institucional estabelecida pelo documento foca na abertura de fóruns técnicos, harmonização de parâmetros regulatórios de baixo carbono e, fundamentalmente, no reconhecimento internacional da macaúba como rota tecnológica viável e altamente competitiva de matéria-prima.

A consolidação dessa parceria ocorre em um momento em que a indústria global de downstream de combustíveis corre contra o tempo para estruturar a oferta de biocombustíveis de aviação. Projeções da própria IATA indicam que o SAF será a principal alavanca de descarbonização do setor de transportes, sendo responsável por aproximadamente 65% das reduções de emissões necessárias para zerar o balanço líquido de gases de efeito estufa da aviação até 2050. Para alcançar a meta, a produção global do combustível precisará escalar dos patamares atuais para cerca de 500 milhões de toneladas anuais nas próximas duas décadas.

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Inovação tecnológica e inserção da macaúba na cadeia de valor

A estratégia da Acelen Renováveis com o acordo é chancelar a macaúba no ecossistema internacional de certificações de sustentabilidade, atraindo o interesse de companhias aéreas globais e formuladores de políticas públicas. A palmeira nativa possui alta produtividade de óleo por hectare e se destaca pelo apelo socioambiental, já que o modelo de negócios da companhia prioriza o cultivo associado à recuperação de solos degradados.

A modelagem de transição energética desenhada para a cadeia de suprimentos requer intensa interlocução em torno dos critérios internacionais que validam a pegada de carbono do combustível. Ao analisar o impacto do acordo na governança setorial, a Head de Mercado de Carbono e Assuntos Regulatórios da Acelen Renováveis, Patrícia Grossi, apontou as premissas de cooperação necessárias para o avanço da nova fronteira agrícola e industrial: “Descarbonizar a aviação exigirá inovação, diversificação de matérias-primas e colaboração em toda a cadeia de valor. A parceria com a IATA fortalece nosso papel nesse ecossistema e amplia o diálogo sobre os critérios de sustentabilidade e a contribuição que novas rotas tecnológicas e matérias-primas, como a macaúba, podem oferecer para a construção de uma indústria da aviação mais sustentável”

Hub de US$ 3 bilhões na Bahia lidera a arrancada do SAF nacional

Os compromissos assumidos no Memorando de Entendimento dão suporte reputacional e institucional ao robusto plano de investimentos que a Acelen Renováveis executa no Nordeste brasileiro. A empresa conduz na Bahia o desenvolvimento de um dos maiores complexos industriais de combustíveis renováveis do mundo. O projeto integrado prevê o aporte de mais de US$ 3 bilhões em sua primeira unidade, contemplando uma biorrefinaria dimensionada para produzir anualmente 1 bilhão de litros de SAF e Óleo Vegetal Hidrotratado (HVO).

O avanço desse complexo industrial posiciona o Brasil na vanguarda da oferta de novos combustíveis, mas demanda segurança jurídica e azeitamento regulatório internacional para que o produto nacional acesse os mercados mais exigentes, como o europeu e o norte-americano.

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Na perspectiva da liderança global da indústria aérea, a cooperação multissetorial é o único caminho viável para conferir a escala comercial exigida pelas metas de sustentabilidade, conforme avaliou a Vice-Presidente Sênior de Sustentabilidade e Economista-Chefe da IATA, Dra. Marie Owens Thomsen: “A colaboração entre diferentes setores será essencial para acelerar tanto a produção quanto a adoção dos combustíveis sustentáveis de aviação. Iniciativas como esta ajudam a ampliar o conhecimento sobre novas fontes de matérias-primas e apoiam o desenvolvimento das soluções sustentáveis necessárias para atingir as metas globais de descarbonização do transporte aéreo”

Com o refino e o agronegócio integrados, a parceria entre a produtora de biocombustíveis e a associação global aprofundará as análises de viabilidade econômica e operacional de novas frentes de suprimento, garantindo que o arcabouço de precificação de carbono e as políticas de mandatos de mistura de SAF avancem em sintonia com a capacidade de entrega física do mercado.

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