Indústria lidera expansão, mercado livre ganha tração e número de consumidores ultrapassa 5 milhões no país
O consumo de gás natural no Brasil voltou a crescer em 2025, consolidando o insumo como peça-chave na segurança energética e na competitividade industrial. Levantamento da Abegás aponta que a demanda média diária atingiu 54,464 milhões de metros cúbicos (m³/dia), alta de 3,8% em relação a 2024.
O avanço foi puxado principalmente pelo setor industrial, pela geração termelétrica e pelo segmento residencial, em um contexto de maior dinamismo econômico e evolução do mercado livre de gás natural no país.
Indústria impulsiona crescimento e ganha competitividade
O destaque do levantamento é o desempenho do segmento industrial, que registrou consumo de 29,903 milhões de m³/dia em 2025, crescimento de 5,3% frente ao ano anterior.
O diretor-executivo da Abegás, Marcelo Mendonça, aponta fatores estruturais para esse avanço: “Esta expansão na indústria é uma notícia que aponta uma recuperação, decorrente de uma maior atividade econômica, estimulada, também, pelo ganho de competitividade no preço da molécula como desdobramento dos movimentos de migração em direção ao mercado livre de gás”.
A migração para o mercado livre tem permitido às indústrias negociar diretamente condições comerciais, ampliando a eficiência energética e reduzindo custos operacionais, fator determinante para a reindustrialização.
Geração térmica e segurança do sistema elétrico
Outro vetor relevante foi o crescimento de 4,5% no consumo para geração elétrica, que alcançou 15,327 milhões de m³/dia. O aumento está diretamente associado ao maior despacho de usinas termelétricas, fundamentais para garantir a confiabilidade do sistema em períodos de maior demanda ou menor disponibilidade hídrica.
Nesse contexto, o gás natural segue desempenhando papel estratégico como fonte de flexibilidade na matriz elétrica brasileira, especialmente diante da expansão das fontes renováveis intermitentes, como eólica e solar.
Residencial avança com expansão da rede
O segmento residencial apresentou o maior crescimento proporcional, com alta de 8,8%, atingindo 1,585 milhão de m³/dia. O avanço reflete os investimentos das distribuidoras na ampliação da infraestrutura de gás canalizado e na expansão da base de clientes.
O número de consumidores conectados superou pela primeira vez a marca de 5 milhões, totalizando 5.022.394 unidades, com forte concentração na região Sudeste.
A malha de distribuição também avançou, alcançando cerca de 47 mil quilômetros de redes em 516 municípios, evidenciando o processo de interiorização do gás natural no país.
Queda no automotivo e cogeração sinaliza desafios
Apesar do crescimento geral, alguns segmentos apresentaram retração. O consumo de gás natural veicular (GNV) caiu 11,5%, enquanto a cogeração recuou 7,1%.
Os dados indicam desafios estruturais, como competitividade frente a outros combustíveis e necessidade de políticas públicas específicas para estimular determinados usos do gás.
Geopolítica reforça importância do gás nacional
A conjuntura internacional também influencia o setor. Ao analisar o cenário global, Marcelo Mendonça destaca o impacto de tensões geopolíticas sobre o mercado energético: “A guerra no Oriente Médio reforça o papel estratégico de o Brasil investir mais em sua indústria de gás natural, reduzindo a dependência do diesel e reforçando a segurança energética”.
Na mesma linha, o executivo aponta a necessidade de avanços estruturais na cadeia: “É preciso aumentar a oferta da produção nacional, promover a redução de custos e ganhos de competitividade em elos da cadeia como escoamento, processamento e transporte e estimular o crescimento da infraestrutura. Trata-se de um momento crucial para o Brasil, que precisa crescer e se reindustrializar com energia competitiva e confiável”.
Mercado livre acelera transformação do setor
O mercado livre de gás natural segue em expansão e já representa uma parcela significativa do consumo industrial. Em 2025, 160 clientes industriais migraram para esse ambiente, respondendo por 15,155 milhões de m³/dia.
Ao todo, o país encerrou o ano com 189 consumidores livres, somando demanda de 30,825 milhões de m³/dia, incluindo segmentos como geração elétrica, cogeração e matéria-prima.
Esse movimento sinaliza uma transformação estrutural no setor, com maior competição, diversificação de fornecedores e novos modelos de negócio.
Infraestrutura e regulação no centro da agenda
Para sustentar o crescimento do mercado, a expansão da infraestrutura e o aprimoramento regulatório são considerados fundamentais.
Ao abordar esses desafios, Marcelo Mendonça destaca o papel das distribuidoras e dos reguladores: “Nosso desafio é expandir a infraestrutura, interiorizar o gás natural e aprimorar o ambiente regulatório para que os investimentos e entregas de projetos sejam acelerados. E criar políticas públicas para incentivar o potencial de demanda das frotas pesadas movidas a gás”.
O executivo também ressalta os efeitos positivos da expansão da base de usuários: “A expansão das redes de distribuição e a agregação de usuários trazem uma dinâmica para os custos de expansão que se refletem em uma redução tarifária a longo prazo para todos os usuários, incluindo indústrias e o setor residencial. As agências reguladoras estaduais têm um papel importantíssimo para garantir segurança jurídica e estabilidade regulatória, abrindo condições para os investimentos, a ampliação da base de usuários e a interiorização da infraestrutura “.
Gás natural como vetor da transição energética
Em meio à transição energética, o gás natural consolida sua posição como combustível de transição, contribuindo para a redução de emissões e garantindo estabilidade ao sistema energético.
Com crescimento da demanda, avanço do mercado livre e expansão da infraestrutura, o setor se posiciona como um dos pilares para a competitividade industrial e a segurança energética do Brasil nos próximos anos.



