Qualidade do fornecimento melhora no Brasil, mas compensações ainda superam R$ 1 bilhão, aponta ANEEL

Indicadores DEC e FEC recuam em 2025, refletindo avanço na continuidade do serviço, enquanto ranking expõe assimetrias entre distribuidoras e pressões por eficiência no setor elétrico

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) divulgou os resultados consolidados do desempenho das distribuidoras de energia elétrica em 2025, evidenciando uma melhora relevante nos indicadores de continuidade do fornecimento no Brasil. Apesar da evolução, o volume de compensações financeiras pagas aos consumidores ainda ultrapassou a marca de R$ 1 bilhão, sinalizando que os desafios estruturais do segmento de distribuição permanecem no radar regulatório.

Os dados mostram que o tempo médio em que o consumidor ficou sem energia, medido pelo DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora), caiu para 9,30 horas em 2025, uma redução de 9,2% frente às 10,24 horas registradas em 2024. Já a frequência das interrupções (FEC) também manteve trajetória de queda, passando de 4,89 para 4,66 interrupções por consumidor, recuo de 4,7%.

A leitura técnica desses indicadores reforça uma tendência de melhoria contínua na qualidade do serviço, impulsionada por mecanismos regulatórios mais rigorosos e incentivos econômicos alinhados à performance das concessionárias.

- Advertisement -

Regulação mais rigorosa impulsiona ganhos de qualidade

O avanço observado nos indicadores de continuidade está diretamente associado ao aprimoramento do arcabouço regulatório conduzido pela ANEEL nos últimos anos.

Entre as medidas adotadas, destacam-se a revisão das cláusulas de qualidade nos contratos de concessão, a implementação de compensações automáticas aos consumidores, a introdução do Componente de Qualidade nas tarifas e a intensificação das ações de fiscalização.

Além disso, a Agência tem adotado planos de resultados específicos para distribuidoras com desempenho insatisfatório, ao mesmo tempo em que estabelece limites progressivamente mais restritivos para os indicadores DEC e FEC. Esse conjunto de instrumentos tem elevado o nível de exigência operacional e incentivado investimentos em modernização das redes.

Compensações ainda elevadas refletem heterogeneidade do setor

Mesmo com a melhora nos indicadores, o montante de compensações pagas aos consumidores segue expressivo. Em 2025, as distribuidoras desembolsaram R$ 1,002 bilhão, redução em relação aos R$ 1,122 bilhão registrados em 2024.

- Advertisement -

A quantidade de compensações também caiu, passando de 27,3 milhões para 21,6 milhões no período. Ainda assim, o volume evidencia que uma parcela relevante dos consumidores continua sendo impactada por níveis de interrupção acima dos limites regulatórios.

O modelo atual prevê que essas compensações sejam creditadas automaticamente nas faturas de energia, sem necessidade de solicitação por parte do consumidor, mecanismo que reforça a proteção do usuário, mas também pressiona o caixa das concessionárias.

Ranking expõe líderes e fragilidades entre distribuidoras

O ranking de continuidade divulgado pela ANEEL, baseado no indicador de Desempenho Global de Continuidade (DGC), evidencia diferenças significativas de performance entre as distribuidoras.

Entre as concessionárias de grande porte, o destaque ficou com a CPFL Santa Cruz, seguida pela Neoenergia Cosern e pela Equatorial Pará. Um dado inédito em 2025 foi o fato de todas as distribuidoras desse grupo apresentarem DGC abaixo de 1,00, indicando aderência aos limites regulatórios.

No campo da evolução, a CPFL Piratininga registrou o maior avanço no ranking, com ganho de sete posições, seguida por Neoenergia Coelba e Equatorial Piauí. Por outro lado, a Enel São Paulo apresentou a maior queda, recuando nove posições, evidenciando desafios operacionais relevantes em sua área de concessão.

Distribuidoras menores ganham espaço e ampliam competitividade

No grupo de distribuidoras com até 400 mil unidades consumidoras, o ranking trouxe como líderes a Muxenergia e a Roraima Energia, empatadas na primeira colocação, seguidas pela Energisa Acre.

O desempenho desse grupo reforça a capacidade de distribuidoras menores em alcançar níveis elevados de qualidade, muitas vezes com maior proximidade operacional e foco regional.

Outro ponto relevante foi o retorno de empresas como Amazonas Energia, Equatorial CEA, Equatorial Alagoas e Roraima Energia ao ranking, após períodos de exclusão devido a regimes especiais de operação. A reintegração ocorre já sob regras mais rígidas, alinhadas à metodologia padrão da ANEEL.

Continuidade do serviço segue como eixo central do setor elétrico

A evolução dos indicadores de qualidade em 2025 reforça o papel central da regulação na indução de eficiência no segmento de distribuição. Ao mesmo tempo, o volume ainda elevado de compensações evidencia que a melhoria da continuidade do fornecimento permanece como um desafio estrutural.

Em um cenário de crescente eletrificação da economia e maior dependência da energia elétrica, a confiabilidade do sistema de distribuição se torna ainda mais crítica, tanto para consumidores quanto para o desenvolvimento econômico.

A tendência é que o setor continue avançando em digitalização, automação de redes e gestão de ativos, buscando reduzir interrupções e elevar o padrão de qualidade do serviço em todo o país.

Destaques da Semana

Bancada do PT quer nova estatal para atuar no mercado de GLP e logística

Projeto liderado por Pedro Uczai autoriza criação de novas...

São Paulo mira economia de R$ 830 milhões com migração em massa para o Mercado Livre

Plano prevê levar 1,2 mil prédios públicos ao ACL...

MME avança na expansão da transmissão e reforça confiabilidade do SIN com nova edição do POTEE 2025

Plano detalha investimentos em linhas, subestações e modernização de...

Artigos

Últimas Notícias