Em reunião do CMSE no Operador Nacional do Sistema Elétrico, ministro Alexandre Silveira destaca coordenação institucional e monitoramento contínuo como pilares da segurança energética
O Brasil entra no segundo trimestre de 2026 com um cenário considerado robusto para o abastecimento de energia elétrica. A avaliação foi consolidada durante a 317ª reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), realizada na sede do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), no Rio de Janeiro, sob liderança do ministro Alexandre Silveira.
O encontro reforçou o papel central da governança institucional no setor elétrico brasileiro, especialmente diante de um contexto que exige decisões rápidas, coordenação técnica e previsibilidade regulatória. A articulação entre governo, operadores, agências reguladoras e agentes de mercado tem sido determinante para assegurar o equilíbrio entre oferta e demanda, com foco em modicidade tarifária e confiabilidade operativa.
Durante a reunião, o ministro enfatizou o valor dessa integração: “O trabalho coordenado entre governo, órgãos técnicos e setor produtivo tem assegurado energia ao país com responsabilidade, previsibilidade e o menor impacto possível para a população. Seguiremos monitorando continuamente o sistema e fortalecendo essa integração que sustenta a confiabilidade do nosso setor elétrico e garante que o Brasil continue avançando com segurança, eficiência e foco no interesse da sociedade”.
Reservatórios em alta consolidam cenário de segurança energética
Um dos principais indicadores da melhora estrutural do sistema é o nível de armazenamento dos reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN), que atingiu aproximadamente 70% no fim de março. O resultado reflete a recuperação observada ao longo dos últimos meses, impulsionada por condições hidrológicas mais favoráveis.
A atuação da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), combinada com a passagem de frentes frias pelo Sudeste, contribuiu para volumes expressivos de precipitação nas bacias dos rios Tietê, São Francisco e Madeira, regiões estratégicas para a geração hidrelétrica.
Mesmo com a previsão de manutenção de um cenário relativamente positivo até maio, com exceção do subsistema Sul, o monitoramento permanece contínuo, sobretudo diante das incertezas climáticas no médio prazo e da variabilidade típica do regime hidrológico brasileiro.
Estratégia operativa combina hidrelétricas, térmicas e intercâmbio
Apesar do quadro favorável, o planejamento energético segue baseado na diversificação de fontes. O CMSE manteve a estratégia de despacho termelétrico complementar, especialmente em momentos de maior demanda ou em cenários climáticos adversos.
Ao longo de março, foram acionados despachos térmicos por garantia energética, totalizando 53 MW médios no subsistema Sul e 64 MW médios no Sudeste/Centro-Oeste. A operação incluiu ainda a ampliação do intercâmbio de energia e a importação sem substituição, somando 89 MW médios durante sete dias.
A gestão integrada também considera o uso estratégico de ativos relevantes, como as hidrelétricas do rio São Francisco e o reservatório da usina de Itaipu, elementos fundamentais para a estabilidade do sistema.
Agenda estratégica e expansão reforçam resiliência do setor
O cenário positivo também está ancorado em medidas estruturais, como a Agenda Estratégica Eletroenergética 2026, aprovada em fevereiro. O documento organiza ações preventivas e coordenadas entre diferentes instituições, com foco na garantia do suprimento ao longo do ano.
No campo da expansão, o sistema registrou, apenas em março, a entrada de 1.140 MW de capacidade instalada de geração centralizada, além de avanços relevantes em transmissão, com 374 km de novas linhas e 1.491 MVA em capacidade de transformação.
Projetos solares de grande porte em estados como Goiás, Ceará, Bahia e Pernambuco lideraram a expansão, reforçando o crescimento das fontes renováveis na matriz elétrica brasileira.
Monitoramento do combustível térmico ganha atenção diante de cenário externo
Outro ponto de atenção abordado na reunião foi o risco associado ao cenário geopolítico internacional. Diante dos potenciais impactos do conflito no Oriente Médio sobre a cadeia global de combustíveis, o CMSE recomendou que a Agência Nacional de Energia Elétrica e a Agência Nacional do Petróleo intensifiquem o acompanhamento da disponibilidade de insumos para usinas termelétricas.
A medida reflete a preocupação com a segurança do abastecimento em um ambiente global volátil, onde eventuais restrições logísticas ou de oferta podem impactar diretamente a operação do sistema elétrico.
Papel das instituições é central para segurança energética
A solidez institucional do setor elétrico brasileiro foi novamente destacada como elemento-chave para enfrentar desafios estruturais e conjunturais. A atuação coordenada entre órgãos reguladores, operadores e formuladores de políticas públicas segue sendo determinante para garantir previsibilidade e estabilidade.
O ministro reforçou essa visão ao destacar a importância das instituições: “A segurança energética do Brasil exige instituições fortes, atuantes e plenamente comprometidas com suas responsabilidades. As agências reguladoras foram concebidas com papel central na garantia do suprimento e na implementação de políticas públicas estratégicas, e por isso sua presença ativa e integrada nas instâncias de decisão é indispensável”.
Perspectivas indicam continuidade do cenário favorável, com cautela
As projeções para abril indicam Energia Natural Afluente (ENA) variando entre 68% e 79% da Média de Longo Termo (MLT) no SIN, com níveis de armazenamento podendo alcançar até 70%. Ainda assim, o histórico recente, incluindo um possível cenário inferior entre os menores já registrados, reforça a necessidade de vigilância permanente.
O CMSE seguirá monitorando continuamente as condições de suprimento e adotando medidas operativas e regulatórias para assegurar o atendimento ao mercado, mantendo o equilíbrio entre segurança energética, eficiência operacional e custos ao consumidor.



