Aportes realizados entre 2023 e 2026 visam garantir modicidade para consumidores do Sul, Sudeste e Centro-Oeste; após fim da dívida de construção, tarifa da binacional registra queda de 36,6%.
A Itaipu Binacional consolidou um ciclo de alívio financeiro para o setor elétrico brasileiro ao destinar, entre 2023 e 2026, o montante de R$ 5,7 bilhões para a conta de comercialização de energia administrada pela ENBPar. O movimento, focado na modicidade tarifária, atua como um colchão amortecedor contra a volatilidade de custos das distribuidoras, garantindo que a energia da usina permaneça como uma das âncoras de competitividade do Ambiente de Contratação Regulada (ACR).
Somente no exercício de 2026, os aportes já alcançam R$ 1,556 bilhão. Esse fluxo de recursos é reflexo direto da nova realidade financeira da usina, que em fevereiro de 2023 quitou as últimas parcelas da dívida contraída para sua construção. Desde então, a binacional redirecionou parte expressiva de seu orçamento para beneficiar o consumidor final, com repasses contínuos que somaram R$ 1,694 bilhão em 2025 e R$ 1,659 bilhão em 2024.
A eficiência do custo pós-dívida
O fim da dívida permitiu uma reestruturação profunda no Custo Unitário do Serviço de Eletricidade (CUSE). O valor médio, que orbitava os US$ 27,86/kW.mês até 2022, recuou para US$ 20,23/kW.mês no ano seguinte. Atualmente, para o triênio 2024-2026, a tarifa fixada em US$ 17,66/kW.mês representa uma redução estrutural de 36,6%.
Ao projetar os impactos dessa previsibilidade para o sistema, o diretor-geral brasileiro de Itaipu, Enio Verri, enfatizou a convergência entre a operação da usina e as diretrizes de acessibilidade energética: “Alinhada às políticas do governo federal, a Itaipu tem garantido energia mais acessível e previsível, com benefícios diretos para o consumidor brasileiro.”
Itaipu abaixo do preço médio do mercado regulado
A competitividade da binacional torna-se ainda mais evidente quando comparada ao Custo Médio de Aquisição de Energia (CMAE) das distribuidoras. Enquanto a projeção da Aneel para o preço médio no ACR em 2026 é de R$ 342,71/MWh, a energia de Itaipu no reajuste de concessionárias como a Enel RJ, por exemplo, ficou em R$ 217,00/MWh.
Esse patamar coloca a usina em uma posição de vantagem inclusive frente às usinas cotistas da Lei 12.783/2013, cujo custo médio é de R$ 236,73/MWh. Sobre a destinação desses superávits operacionais, o diretor financeiro executivo da binacional, André Pepitone, detalhou o alcance social da estratégia:n“A redução da tarifa e os aportes para a modicidade se convertem em alívio real na conta de luz, beneficiando diretamente o consumidor residencial das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.”
Equilíbrio do setor e proteção ao consumidor
Em 2025, aproximadamente 45% do orçamento da Itaipu (US$ 306,5 milhões) foi carimbado especificamente para ações de modicidade. Para os agentes do setor elétrico, o papel da usina transcende a geração de energia firme; ela atua como um instrumento de política econômica, protegendo o poder de compra da população nas regiões onde a cota de Itaipu possui maior peso regulatório.
A manutenção desses aportes até 2026 sinaliza um compromisso com a estabilidade do setor em um momento de transição da matriz brasileira, reafirmando Itaipu como pilar de segurança energética e justiça tarifária.



