Projetos estratégicos no Nordeste e Centro-Oeste reforçam a diversificação da matriz, ampliam a segurança energética e consolidam a expansão de fontes de baixo carbono no Brasil
A política de expansão da geração renovável no Brasil ganhou novo impulso em 2026 com a entrada em operação comercial de empreendimentos eólicos e solares vinculados ao Novo Programa de Aceleração do Crescimento. Os complexos Serra do Tigre, na divisa entre Rio Grande do Norte e Paraíba, e Barro Alto, em Goiás, adicionam mais de 1 GW de capacidade instalada ao Sistema Interligado Nacional (SIN), reforçando a estratégia de diversificação da matriz elétrica e redução de emissões.
Com investimentos que somam mais de R$ 4,4 milhões em ativos considerados prioritários, os projetos também desempenham papel relevante na expansão da infraestrutura energética e na geração de emprego e renda. Durante a fase de construção, foram mobilizados mais de 36 mil postos de trabalho diretos e indiretos, evidenciando o peso do setor elétrico como vetor de desenvolvimento econômico.
Serra do Tigre consolida protagonismo eólico no Nordeste
Localizado em uma das regiões de maior fator de capacidade eólica do país, o Complexo Serra do Tigre avança como um dos principais polos de geração renovável do Nordeste. O empreendimento já conta com 10 das 11 usinas previstas em operação, incluindo a recente entrada da unidade Ventos de São Rafael 10.
Com 152 aerogeradores em funcionamento, o complexo soma atualmente 684 MW de capacidade instalada, resultado de um investimento de R$ 2,8 milhões. A robustez do projeto também se reflete na sua infraestrutura de escoamento, que assegura eficiência operacional e integração ao sistema.
A conexão ao SIN ocorre por meio da Subestação Santa Luzia II, utilizando um sistema de interesse restrito compartilhado, o que otimiza custos e amplia a confiabilidade da entrega de energia.
O cronograma do empreendimento segue em ritmo consistente e projeta a conclusão total do complexo nos próximos anos: “A expectativa é que até dezembro de 2027 a usina Ventos de São Rafael 11 entre em operação comercial, completando assim o ciclo de operação do Complexo Eólico Serra do Tigre.”
Quando finalizado, o ativo terá capacidade para suprir o consumo de mais de 1 milhão de residências, fortalecendo a segurança energética do subsistema Nordeste, região historicamente estratégica para a expansão da fonte eólica no Brasil.
Barro Alto impulsiona geração solar no Centro-Oeste
Em paralelo ao avanço da energia dos ventos, a fonte solar fotovoltaica segue ampliando sua participação na matriz elétrica brasileira. A entrada em operação das usinas UFV Barro Alto I e VI marca um novo ciclo de consolidação da geração solar no interior de Goiás.
Instalado no município de Vila Propício, o Complexo Solar Barro Alto alcança 350 MW de capacidade instalada, com investimento de R$ 1,6 milhão. O projeto é composto por sete usinas e conta com infraestrutura dedicada para garantir a estabilidade e confiabilidade do fornecimento.
A arquitetura elétrica inclui uma subestação coletora própria e uma linha de transmissão de 230 kV, com 13 quilômetros de extensão, conectando o complexo diretamente ao barramento da Subestação Barro Alto, elemento essencial para assegurar o escoamento da energia gerada.
O processo de implantação seguiu rigorosos critérios ambientais e regulatórios, reforçando a aderência do empreendimento às diretrizes de sustentabilidade: “O licenciamento ambiental do projeto foi conduzido pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Goiás (SEMAD), responsável por avaliar a conformidade ambiental do empreendimento.”
Integração ao SIN e fortalecimento da rede básica
A entrada em operação desses ativos ocorre em um momento de crescente demanda por energia elétrica e de necessidade de maior resiliência do sistema. A integração eficiente ao SIN e o reforço da rede básica são fatores determinantes para garantir a confiabilidade do suprimento, especialmente diante da variabilidade das fontes renováveis.
Nesse contexto, projetos estruturados com soluções robustas de conexão, como sistemas de transmissão dedicados e subestações modernas, tornam-se essenciais para evitar gargalos e assegurar o pleno aproveitamento da energia gerada.
Além disso, a complementaridade entre as fontes eólica e solar contribui para suavizar a intermitência e melhorar o perfil de geração ao longo do dia, favorecendo a operação sistêmica.
Novo PAC reforça transição energética e desenvolvimento regional
A inclusão desses empreendimentos na carteira prioritária do Novo PAC evidencia o papel estratégico do programa na condução da transição energética brasileira. Ao priorizar projetos de baixa emissão de carbono, o país avança na construção de uma matriz elétrica mais limpa, diversificada e competitiva.
Ao mesmo tempo, os impactos vão além do setor energético. A geração de empregos, o dinamismo econômico regional e a ampliação da infraestrutura consolidam o setor elétrico como um dos principais motores de desenvolvimento sustentável no Brasil.
A expansão coordenada de fontes renováveis, aliada a investimentos em transmissão e integração sistêmica, posiciona o país de forma privilegiada no cenário global da transição energética.



