Sistema SkyRail com trens a bateria conecta Aeroporto de Congonhas à malha metroferroviária e reforça integração entre inovação tecnológica e transição energética no transporte urbano
A inauguração da Linha 17-Ouro do Metrô de São Paulo, realizada nesta terça-feira (31), representa mais do que a entrega de um novo eixo de mobilidade urbana na capital paulista. O projeto consolida a entrada da BYD no setor ferroviário brasileiro e inaugura, no país, uma nova fronteira tecnológica baseada em eletrificação, automação e armazenamento de energia.
Com 6,7 quilômetros de extensão e oito estações previstas, a linha conecta diretamente o Aeroporto de Congonhas à rede metroferroviária, integrando-se à Linha 5-Lilás, na estação Campo Belo, e à Linha 9-Esmeralda, na estação Morumbi. A operação inicial será assistida, com funcionamento das 10h às 15h, e expectativa de atingir até 100 mil passageiros por dia em plena capacidade, um volume relevante para uma das regiões com maior demanda por mobilidade na capital.
SkyRail: eletrificação sem terceiro trilho e avanço em armazenamento de energia
O grande diferencial da Linha 17-Ouro está na tecnologia embarcada. O sistema utiliza o SkyRail, solução proprietária da BYD baseada em monotrilho automatizado com tração elétrica por baterias — eliminando a necessidade de terceiro trilho ou catenária.
Cada uma das 14 composições previstas conta com cinco vagões contínuos, capacidade para 616 passageiros e operação totalmente automatizada (UTO), com controle por tecnologia CBTC. A utilização da bateria Blade, já aplicada em veículos elétricos da companhia, permite autonomia de até 8 km sem alimentação externa, garantindo maior resiliência operacional e continuidade do serviço em eventuais falhas de rede.
Além da eficiência energética, o modelo reduz ruídos urbanos e amplia a flexibilidade de implantação em áreas densamente ocupadas, características que ganham relevância em centros urbanos como São Paulo.
Engenharia adaptativa e execução de alta complexidade
A implementação da linha também exigiu soluções de engenharia específicas, especialmente pela necessidade de adaptação às estruturas previamente existentes. O CEO Tyler Li destacou o caráter desafiador do projeto e o papel da inovação na sua viabilização.
“Assumimos o projeto oficialmente em 2020 e, desde então, transformamos um desafio antigo em uma solução tecnológica e eficiente. Neste caso, o trem precisou se adaptar à viga existente, um exemplo do nosso compromisso com a inovação e engenharia de ponta”, afirma. “Cada composição entregue reforça qualidade, conforto e eficiência. Temos orgulho de contribuir para a inauguração desta linha, que representa um marco histórico para a mobilidade urbana da maior metrópole da América Latina. Este é o primeiro projeto da BYD no setor ferroviário fora da China e parabenizamos o governo estadual pelo avanço oferecido aos passageiros”, destaca.
Eletromobilidade como política pública
A entrega da Linha 17-Ouro também reforça o posicionamento do Governo do Estado de São Paulo na agenda de descarbonização e modernização do transporte público. O governador Tarcísio de Freitas ressaltou o papel estratégico da tecnologia na viabilização do projeto.
“Era necessário encontrar uma empresa capaz de desenvolver essa solução, e foi nesse momento que buscamos a BYD. Fica aqui meu reconhecimento e agradecimento pelo esforço feito, com trens que trazem tecnologia extremamente moderna em comunicação, sinalização, conforto e segurança, tornando possível entregar aquilo que muitos não acreditavam que aconteceria”, ressaltou.
A iniciativa posiciona São Paulo como um dos principais laboratórios de eletromobilidade urbana na América Latina, ao incorporar soluções que combinam eficiência energética, digitalização e redução de emissões.
Integração e transformação da mobilidade urbana
Do ponto de vista operacional, a nova linha amplia a capilaridade da rede e fortalece o papel do Metrô de São Paulo como vetor de transformação urbana. Na presidência da companhia, Júlio Castiglioni enfatizou a vocação histórica do sistema em viabilizar projetos de alto impacto social.
“Não é a primeira vez que realizamos o que, para muitos, parece impossível. O Metrô é disruptivo, trouxemos mais capilaridade para a rede e estamos mudando a vida das pessoas. Estamos exercendo, de fato, a vocação do Metrô de São Paulo de transformar a mobilidade e levar mais qualidade de vida para quem depende de um transporte público de qualidade”, afirmou.
A conexão direta com o Aeroporto de Congonhas é um dos principais ativos estratégicos do projeto, ao reduzir tempos de deslocamento e integrar modais em uma região crítica para a mobilidade da cidade.
Plataforma tecnológica e expansão da BYD no Brasil
A entrada no segmento ferroviário amplia o posicionamento da BYD como provedora integrada de soluções para a transição energética. A companhia já atua no país com veículos elétricos leves, ônibus e sistemas de geração e armazenamento de energia. Na vice-presidência sênior da operação brasileira, Alexandre Baldy reforça o caráter sistêmico da solução entregue.
“Entregamos à Linha 17-Ouro uma solução completa, que reúne tecnologia, eficiência operacional e uma nova experiência de mobilidade para São Paulo. Cada composição reforça a confiabilidade do sistema, amplia a eficiência da operação e contribui para a modernização do transporte sobre trilhos na cidade. A Linha 17-Ouro traduz a combinação entre a operação eficiente do Metrô e a inovação tecnológica da BYD, mostrando que a nossa tecnologia já está presente em diferentes modais e agora também sobre trilhos. É a demonstração concreta de que a mobilidade urbana pode ser moderna, sustentável e de alta qualidade”, avaliou.
Transição energética e novos modelos de mobilidade
A Linha 17-Ouro surge em um contexto de transformação estrutural do setor de transportes, impulsionado pela eletrificação, digitalização e integração com sistemas energéticos mais inteligentes.
Ao incorporar baterias, automação e gestão avançada de energia, o projeto aponta para um modelo em que mobilidade e setor elétrico convergem de forma cada vez mais intensa, abrindo espaço para novos arranjos de infraestrutura, serviços e financiamento.
Para o mercado, o empreendimento funciona como vitrine tecnológica e sinaliza oportunidades em segmentos como armazenamento (BESS), smart grids e mobilidade elétrica, consolidando o Brasil como um polo relevante na agenda de transição energética.



