Consumo de energia no Brasil recua 1,1% em fevereiro e interrompe sequência de alta

Demanda nacional somou 47.343 GWh no mês, impactada por retração nas classes residencial e industrial; mercado livre já responde por 44,3% da carga total.

O mercado brasileiro de energia elétrica registrou uma inflexão em fevereiro de 2026. Após três meses consecutivos de expansão, o consumo nacional apresentou uma queda de 1,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 47.343 GWh.

Os dados, consolidados na mais recente edição da Resenha Mensal do Mercado de Energia Elétrica, revelam um cenário de retração disseminada entre as principais classes de consumo, com exceção do segmento comercial.

A performance de fevereiro arrefeceu o crescimento acumulado nos últimos 12 meses, que agora sustenta uma alta marginal de 0,1%, com um montante total de 564.222 GWh consumidos no país.

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Residências e indústrias puxam queda na demanda

O desempenho negativo foi liderado pelas classes residencial e industrial, que registraram quedas de 1,2% e 1,1%, respectivamente. O segmento classificado como “outros” apresentou o recuo mais acentuado do mês, com retração de 2,6%. Em contrapartida, a classe comercial foi a única a manter a trajetória de crescimento, ainda que de forma tímida, com uma variação positiva de 0,3%.

Regionalmente, o Brasil exibiu um comportamento heterogêneo. Enquanto as regiões Norte (+4,7%) e Nordeste (+0,3%) conseguiram expandir o consumo, os principais centros de carga do país enfrentaram contração. O Sudeste liderou as perdas com queda de 2,4%, seguido pelo Sul (-1,3%) e Centro-Oeste (-0,5%).

Avanço do Mercado Livre e a migração do Grupo A

Apesar do recuo na carga total, o Ambiente de Contratação Livre (ACL) continua a ganhar terreno sobre o mercado regulado. Em fevereiro, o consumo no mercado livre atingiu 20.952 GWh, representando 44,3% da demanda nacional. O segmento registrou um avanço de 2,9% no consumo e um salto expressivo de 28,3% no número de consumidores na comparação anual.

Esse crescimento é reflexo direto da abertura do mercado para todos os consumidores do Grupo A (alta tensão), iniciada em janeiro de 2024. O processo de migração segue robusto: após a entrada de 26 mil novos agentes em 2024, outros 19 mil migraram para o ACL ao longo de 2025. No recorte regional do mercado livre, o Norte liderou a expansão do consumo (+9,0%), enquanto o Centro-Oeste registrou o maior incremento orgânico de novos consumidores livres (+39,7%).

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Desempenho do Mercado Regulado (ACR)

No Ambiente de Contratação Regulada (ACR), gerido pelas distribuidoras, a tendência foi oposta. O consumo de 26.391 GWh (55,7% do total nacional) representou uma queda de 4,0% em relação a fevereiro de 2025.

Embora o número de consumidores cativos tenha crescido 1,3% no período, impulsionado principalmente pelo Centro-Oeste (+2,5%), a redução no volume consumido reflete tanto a eficiência energética quanto a migração de cargas de maior porte para o mercado livre. No mercado regulado, apenas a região Norte registrou expansão de consumo, com alta de 1,1%.

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