Maringá Ferro-Liga investe R$ 100 milhões em PCHs para consolidar autossuficiência energética

Aquisição de ativos da Statkraft no Espírito Santo adiciona 31,2 MW de potência ao portfólio do grupo; estratégia visa garantir previsibilidade de custos e lastro renovável para unidade industrial em São Paulo.

O Grupo Maringá oficializou um movimento robusto em sua estratégia de verticalização energética. A Maringá Ferro-Liga, braço siderúrgico do grupo, investiu mais de R$ 100 milhões na aquisição de duas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) localizadas no Espírito Santo. Os ativos, negociados junto à multinacional norueguesa Statkraft, são peças-chave para a sustentabilidade operacional da unidade industrial da companhia em Itapeva (SP).

A transação envolve as usinas Fruteiras, situada em Cachoeiro de Itapemirim, e Rio Bonito, em Santa Maria de Jetibá. Juntos, os empreendimentos somam 31,2 megawatts (MW) de potência instalada, com uma garantia física de 14,9 MW médios. Sob a ótica regulatória, a energia gerada servirá como lastro para o consumo da planta paulista, reforçando o modelo de autogeração que vem ganhando tração entre os grandes consumidores industriais brasileiros.

Competitividade e Gestão de Risco no Mercado Livre

Em um setor onde a energia elétrica representa um dos principais componentes do custo de transformação, a posse de ativos de geração própria funciona como uma proteção natural contra as oscilações de preço no Mercado Livre de Energia (ACL). Embora a companhia já atenda 100% de sua demanda por fontes renováveis, a migração da compra de terceiros para a gestão de ativos próprios amplia a margem de manobra financeira.

- Advertisement -

Ao detalhar as motivações por trás do aporte milionário, o Gerente de Energia da Maringá Ferro-Liga, Rogério Trizzotti, destaca a busca por estabilidade nas planilhas de custo: “Esse movimento reforça nossa busca por competitividade e previsibilidade de custos, ao mesmo tempo em que aprofunda o compromisso com energia limpa e sustentável na nossa produção.”

Descarbonização e Eficiência Industrial

Além do ganho econômico, a iniciativa possui um forte viés de descarbonização (Scope 2). Ao controlar a origem da energia, a Maringá Ferro-Liga consolida sua posição no ranking de empresas com menor pegada de carbono no setor de ferroligas. A redução da dependência de energia adquirida no mercado não apenas mitiga riscos de suprimento, mas também contribui diretamente para a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE) associadas ao processo industrial.

A estratégia de expansão em geração renovável coloca a companhia em uma posição privilegiada diante das exigências crescentes de critérios ESG (Environmental, Social and Governance) por parte de investidores e clientes globais.

Cronograma e Integração Operacional

A transação, formalizada em julho de 2025, entra agora em sua fase final de transição técnica. A previsão é que a gestão plena das usinas Fruteiras e Rio Bonito seja assumida pela Maringá Ferro-Liga ao longo de 2026. Com isso, o grupo passará a gerir diretamente o despacho dessas unidades, integrando-as ao seu ecossistema de suprimento e reforçando a política de autonomia energética que define o novo ciclo de crescimento da companhia.

Destaques da Semana

ANEEL propõe endurecer regras da geração distribuída e abrir caminho para corte remoto de MMGD

Consulta pública amplia poder das distribuidoras, prevê auditorias obrigatórias...

Enel SP: Indenização por caducidade pode chegar a R$ 15 bilhões e ANEEL estuda licitação

Agência Nacional de Energia Elétrica projeta impacto bilionário com...

Artigos

Últimas Notícias