Em parceria com a Progress Rail, operadora ferroviária conclui testes operacionais com o modelo SD70J-BB; tecnologia é peça-chave para meta de redução de 15% nas emissões até 2035.
A descarbonização do transporte ferroviário de carga pesada no Brasil atingiu um marco tecnológico relevante. A MRS Logística, em colaboração com a Progress Rail, finalizou os testes operacionais com a SD70J-BB, considerada a maior locomotiva elétrica a baterias do mundo.
O projeto experimental, realizado na malha da MRS, confirmou que a tração 100% elétrica é tecnicamente viável para composições de carga, desde que integrada a ajustes finos no modelo operacional e na infraestrutura de suporte.
Um dos pontos mais sensíveis da demonstração foi a validação da capacidade de regeneração energética. Em trechos de descida, os motores de tração funcionam como geradores, convertendo a energia cinética em eletricidade para recarregar os bancos de baterias. Os dados coletados em campo mostraram que o desempenho real esteve alinhado às simulações computacionais prévias, reforçando a previsibilidade do mapeamento energético da malha.
Desempenho em Condições Reais de Carga
A locomotiva, projetada e construída no Brasil, passou por rigorosos testes de esforço de tração e operação em longas rampas antes de seguir para exportação rumo ao mercado australiano. A MRS utilizou diferentes composições de trens para avaliar como o sistema de baterias se comporta sob demanda máxima. Os resultados indicam que a tecnologia pode desempenhar um papel estratégico na substituição gradual do diesel, especialmente em trechos que favoreçam a recuperação de energia.
Ao analisar o impacto dos testes para a estratégia de longo prazo da companhia, o Consultor de Manutenção Ferroviária da MRS Logística, Luís Deltregia, destaca a importância da validação prática das premissas teóricas: “A realização dessa operação representa um avanço importante na nossa jornada de descarbonização. Além de apoiar o desenvolvimento de uma tecnologia inovadora, conseguimos validar, em condições reais de operação, premissas já estudadas pela companhia, como o mapeamento energético da nossa malha.”
Desafios de Infraestrutura e Viabilidade Econômica
Embora a performance técnica tenha sido aprovada, a implementação em larga escala de locomotivas a bateria impõe novos desafios ao setor elétrico e ferroviário. O estudo agora entra em uma fase de análise de viabilidade econômica e planejamento de infraestrutura, incluindo a definição de locais estratégicos para estações de recarga de alta potência e eventuais reforços na rede de distribuição que alimenta a malha.
A integração entre as equipes da MRS e da Progress Rail permitiu o ajuste de parâmetros técnicos em tempo real, gerando um banco de dados essencial para os próximos ciclos de investimento.
Luís Deltregia reforça que o conhecimento acumulado será o norteador das futuras decisões de ativos da operadora: “Os aprendizados obtidos neste projeto são fundamentais para orientar nossos próximos passos, tanto do ponto de vista técnico quanto econômico, na avaliação de soluções de menor emissão para o transporte ferroviário.”
Compromisso com a Eficiência Energética
A iniciativa está ancorada no compromisso público da MRS de reduzir em 15% a intensidade de suas emissões de gases de efeito estufa até 2035. Em um setor onde o combustível representa uma das maiores fatias do custo operacional, a eletrificação surge não apenas como uma meta ambiental (ESG), mas como uma busca por eficiência energética e redução da dependência de combustíveis fósseis.
A experiência com a SD70J-BB servirá de base para novas simulações de consumo e para o desenho de um modelo operacional que maximize o uso de fontes renováveis na matriz de transporte da companhia, consolidando o Brasil como um laboratório de ponta para tecnologias ferroviárias de baixo carbono.



