Braskem elimina uso de gás natural em unidade de PVC e avança na descarbonização com biomassa em Alagoas

Parceria com a Veolia viabiliza operação com 100% de vapor renovável, reduz emissões em até 150 mil toneladas de CO₂e por ano e fortalece cadeia energética local

A substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis na indústria brasileira deu um passo relevante com a nova etapa da parceria entre a Braskem e a Veolia. A unidade de PVC da petroquímica em Alagoas passou a operar com 100% do vapor utilizado em seus processos proveniente de biomassa de eucalipto, eliminando integralmente o uso de gás natural.

O movimento posiciona o projeto como um dos casos mais relevantes de transição energética térmica no setor industrial brasileiro, com impactos diretos sobre emissões, competitividade e desenvolvimento regional.

Substituição estrutural de combustível e ganho ambiental

A mudança representa uma transformação estrutural na matriz energética da unidade. O vapor, insumo essencial para processos industriais de produção de PVC, passa a ser gerado exclusivamente a partir de biomassa, uma fonte renovável e de menor intensidade de carbono.

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Com capacidade para gerar cerca de 900 mil toneladas de vapor por ano, a planta operada pela Veolia tem potencial para reduzir aproximadamente 150 mil toneladas anuais de CO₂ equivalente (CO₂e) nas operações da Braskem.

Esse volume de redução corresponde a cerca de 30% das emissões da companhia no estado, tomando como base os níveis de 2020, e reforça o papel da biomassa como solução viável para descarbonização de processos térmicos intensivos.

Projeto de longo prazo e integração industrial

O projeto é resultado de um ciclo de desenvolvimento iniciado em 2018, com estudos de viabilidade e modelagem da solução energética. A formalização do contrato ocorreu no fim de 2021, seguida pelo início das obras e do plantio de aproximadamente 5,5 mil hectares de eucalipto em 2022.

A operação parcial teve início em 2023, com fornecimento gradual de vapor renovável. A conclusão da eletrificação do compressor de refrigeração da planta de MVC, equipamento crítico na operação, permitiu eliminar completamente a geração de vapor a partir de gás natural.

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A partir desse marco, todo o suprimento de vapor passou a ser fornecido pela Veolia, responsável por uma cadeia integrada que inclui cultivo, processamento e queima da biomassa.

Cadeia de biomassa e economia circular

A operação envolve o consumo anual de cerca de 240 mil toneladas de biomassa, provenientes majoritariamente de plantações de eucalipto. O modelo também incorpora fontes alternativas e circulares, como o reaproveitamento de resíduos e materiais, incluindo pallets.

A Veolia atua de forma integrada em toda a cadeia, desde o plantio até a operação das caldeiras, incluindo logística, processamento e estocagem. Essa abordagem garante segurança de suprimento e estabilidade operacional, fatores críticos para a indústria química.

Descarbonização com competitividade industrial

O diretor de Energia e Descarbonização da Braskem, Gustavo Checcucci, destaca o caráter estratégico do projeto ao afirmar que: “Estamos substituindo combustíveis fósseis por fontes renováveis em uma escala significativa, o que mostra que é possível combinar competitividade industrial com responsabilidade socioambiental. E, ao mesmo tempo em que reduzimos nossas emissões, contribuímos para o fortalecimento da cadeia de biomassa em Alagoas, de modo a promover seu desenvolvimento como uma alternativa energética competitiva no estado”.

A declaração reforça a viabilidade econômica da transição energética no setor industrial, especialmente quando associada a cadeias locais de suprimento.

Energia renovável como vetor de transformação industrial

A iniciativa também evidencia o papel de empresas especializadas na viabilização de soluções energéticas sustentáveis para a indústria. O diretor executivo de desenvolvimento de negócios da Veolia no Brasil e na América Latina, José Renato Bruzadin, afirma que: “Nosso objetivo é apoiar empresas na transição para modelos de produção mais sustentáveis e de longo prazo, reduzindo emissões de carbono, otimizando o uso de recursos e promovendo a economia circular. Dessa forma, a Veolia contribui para a competitividade dos clientes, para a preservação ambiental e para o desenvolvimento de comunidades, alinhando desempenho econômico com impacto positivo sustentável”.

Ao comentar o projeto em Alagoas, o executivo acrescenta: “A parceria com a Braskem em Alagoas é um exemplo concreto de como a união de expertise operacional e inovação em energia renovável pode gerar valor ambiental e social. Estamos orgulhosos de contribuir para a descarbonização de uma das maiores indústrias químicas da América Latina, reafirmando nosso papel como parceiro estratégico na transição para um futuro mais sustentável”.

Impactos socioeconômicos e desenvolvimento regional

Além dos ganhos ambientais, o projeto também apresenta impactos relevantes no desenvolvimento local. Durante a fase de construção, foram gerados cerca de 400 empregos diretos, enquanto a operação mantém aproximadamente 100 postos permanentes.

O cultivo de biomassa ocupa uma área equivalente a mais de 7 mil campos de futebol, impulsionando a cadeia produtiva regional e consolidando o eucalipto como alternativa energética competitiva em Alagoas.

Biomassa ganha espaço na transição energética

A iniciativa reforça o papel da biomassa como vetor estratégico na transição energética brasileira, especialmente para setores industriais que demandam energia térmica em larga escala.

Ao substituir o gás natural por uma fonte renovável, o projeto demonstra que a descarbonização industrial pode ser alcançada com soluções tecnicamente viáveis, economicamente competitivas e com forte impacto local.

Em um cenário de crescente pressão por redução de emissões e eficiência energética, modelos como o adotado pela Braskem e Veolia tendem a ganhar escala e protagonismo na agenda energética nacional.

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