Shell projeta perfuração no sul da Bacia de Santos em até 24 meses e consolida liderança regional

Multinacional britânica utiliza janela operacional do projeto Gato do Mato para testar novas fronteiras exploratórias; portfólio da companhia no Brasil saltou de 15 para 50 blocos desde 2022.

A Shell Brasil traçou um cronograma claro para a sua próxima fronteira exploratória em águas ultraprofundas. O presidente da companhia no país, Cristiano Pinto da Costa, confirmou nesta terça-feira (3/03), em encontro com jornalistas no Rio de Janeiro, que a petroleira planeja perfurar um poço na porção sul da Bacia de Santos dentro de um horizonte de 12 a 24 meses. A movimentação ocorre após avanços significativos no processamento de dados sísmicos, que já apontam para cenários promissores na região.

O planejamento aproveita uma importante sinergia logística: a companhia já possui contrato de sonda para a campanha do projeto Gato do Mato. A estratégia consiste em otimizar o uso desse ativo para realizar a intervenção exploratória no Sul de Santos, reduzindo custos de mobilização e acelerando o time-to-market de possíveis descobertas.

Avanço técnico e liderança operacional

A decisão de perfurar no Sul de Santos não é isolada, mas parte de um reposicionamento da Shell como operadora de ativos estratégicos no Sudeste. A empresa tem investido pesadamente em inteligência geológica para identificar oportunidades fora do eixo convencional do Pré-Sal Central.

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Ao detalhar o amadurecimento das análises técnicas para a nova campanha, Cristiano Pinto da Costa destacou o otimismo com os dados obtidos até o momento, afirmando que os estudos estão avançados e a análise da sísmica está se mostrando promissora. Ele explicou que a Shell contratou uma sonda para fazer os poços do projeto de Gato do Mato e a companhia vê a oportunidade de usá-la, também, para perfurar no Sul de Santos.

A estratégia de expansão do portfólio

Desde que assumiu o comando da Shell Brasil em 2022, Pinto da Costa liderou uma transformação agressiva no portfólio exploratório da empresa. A companhia saltou de um patamar de aproximadamente 15 blocos para uma carteira que hoje supera 50 ativos. Esse crescimento reflete a visão de longo prazo da petroleira para o Brasil, considerado um dos pilares globais de geração de caixa e descarbonização, dada a baixa intensidade de carbono do barril brasileiro.

O executivo ressaltou que, mais do que ampliar participação no Brasil, nas Bacias do Sudeste, a Shell tomou a decisão de assumir a liderança em presença na porção sul da Bacia de Santos como empresa operadora. Ele lembrou que, desde que assumiu o cargo, em 2022, a companhia saiu de um patamar de 10 a 15 blocos exploratórios no país para mais de 50 blocos, respeitando essa estratégia nos últimos anos.

Bacia de Pelotas: O horizonte do fim da década

Se em Santos o ritmo é de aceleração, na Bacia de Pelotas, a nova fronteira da Margem Continental Sul, a Shell adota uma postura mais cautelosa e de longo prazo. Em parceria com a Petrobras (que detém a operação), a multinacional possui 29 blocos na região, mas a atividade física ainda depende de ciclos mais longos de licenciamento e processamento técnico.

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Pinto da Costa indicou que o tempo do projeto é mais demorado e o início das atividades deve ficar mais para o fim da década. O foco atual é o upgrade tecnológico da base de dados, migrando da sísmica 2D para levantamentos mais detalhados. Sobre o estágio atual, ele detalhou que a empresa tem a sísmica 2D e agora está estudando adquirir uma sísmica mais avançada, em 3D.

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