Vibra avança em negociações para atrair sócio estratégico e desconsolidar a Comerc

Companhia avalia fusão de ativos com a EDF Renewables para reduzir participação societária e mitigar impactos da dívida e do curtailment no balanço consolidado.

A Vibra Energia entrou em uma fase decisiva para a reorganização societária da Comerc, seu braço de energia renovável. O plano atual da distribuidora consiste em atrair um sócio estratégico para uma fusão de ativos, em vez de uma alienação total, conforme informações antecipadas pelo Brazil Journal. A francesa EDF Renewables é apontada como a principal interessada no negócio, que visa a criação de uma plataforma conjunta de geração.

O desenho técnico da transação prevê que o novo parceiro contribua com ativos para a estrutura da Comerc, resultando na diluição da fatia da Vibra para 50% ou menos. Essa movimentação permitiria à Vibra deixar de consolidar a dívida da subsidiária em seu balanço, uma manobra contábil estratégica para reduzir os indicadores de alavancagem financeira do grupo.

Até o fechamento desta matéria, a Vibra, a Comerc e a EDF Renewables informaram que não irão comentar o assunto. O espaço permanece aberto para futuras manifestações das companhias.

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Cenário setorial e avaliação de ativos

A mudança de estratégia, de venda para parceria, reflete o momento de baixa nos múltiplos de avaliação de empresas de energia renovável no Brasil. A retração nos investimentos em geração centralizada foi intensificada pelo aumento do curtailment (cortes de geração por restrições técnicas na rede), o que reduziu a atratividade de uma saída total imediata sob a ótica de valuation.

Com um portfólio de aproximadamente 2 GW em eólica, solar e geração distribuída, a Comerc enfrenta uma revisão em suas projeções de rentabilidade. Em outubro de 2024, a Vibra ajustou o guidance de EBITDA da subsidiária para 2025, situando-o entre R$ 1,05 bilhão e R$ 1,15 bilhão, citando as limitações impostas pelas restrições de despacho do Operador Nacional do Sistema (ONS).

Sinergias operacionais com a EDF Renewables

A eventual união com a EDF Renewables criaria um gigante no Ambiente de Contratação Livre (ACL). A empresa francesa possui um porte similar ao da Comerc no mercado brasileiro, também com cerca de 2 GW em ativos eólicos, solares e hidrelétricos. A integração permitiria a diluição de custos fixos e maior escala operacional para enfrentar as volatilidades do setor de geração intermitente.

Atualmente, as companhias realizam auditorias e análises técnicas para definir o valor de troca e as sinergias potenciais da operação. O movimento é visto como uma forma de fortalecer o balanço sem abrir mão da relevância no mercado de transição energética.

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Impacto no mercado financeiro

O mercado tem reagido de forma favorável à possibilidade de um spin-off ou fusão. Analistas do setor observam que a retirada da dívida da Comerc do balanço consolidado da Vibra remove um dos principais pontos de atenção dos investidores desde a aquisição total do ativo, concluída em 2024.

As ações da Vibra (VBBR3) mantêm tendência de alta, operando em patamares recordes com valor de mercado próximo a R$ 38 bilhões. A companhia deve fornecer atualizações oficiais sobre o progresso das negociações no dia 11 de março, data da divulgação de seus resultados financeiros anuais.

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