State Grid investe R$ 2,4 milhões em tecnologia para evitar colisões de tratores com torres de transmissão no Centro-Oeste

Projeto AgriSafeNet combina software, hardware embarcado e aplicativo móvel para reduzir riscos operacionais e preservar a integridade de linhas estratégicas do sistema elétrico

A State Grid do Brasil Holdings (SGBH) concluiu, no fim de 2025, os testes de um projeto tecnológico voltado à prevenção de acidentes envolvendo tratores do agronegócio e torres de transmissão de energia no Centro-Oeste brasileiro. Batizada de AgriSafeNet, a iniciativa recebeu investimento de R$ 2,4 milhões e foi desenvolvida no âmbito do Programa de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

A solução foi testada nos municípios de Rondonópolis (MT) e Luzimangues (TO) e tem como objetivo central preservar vidas humanas, reduzir riscos à operação agrícola e evitar danos à infraestrutura de transmissão de uma das regiões mais estratégicas para o Sistema Interligado Nacional (SIN). Na prática, a ferramenta alerta os operadores quando se aproximam de uma torre e, em caso de persistência da aproximação, é capaz de desligar automaticamente o equipamento.

Tecnologia integrada para prevenção de acidentes

O AgriSafeNet foi desenvolvido como uma plataforma composta por três camadas tecnológicas. A primeira é um software central, que opera na sede da State Grid no Rio de Janeiro e permite o monitoramento em tempo real das máquinas em campo. A segunda é um hardware embarcado, instalado nos tratores, responsável por executar comandos automáticos, como a interrupção do funcionamento do veículo. A terceira é um aplicativo móvel, instalado nos celulares dos operadores, que emite alertas sonoros e visuais quando há aproximação das torres.

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O sistema cria, para cada torre monitorada, zonas de risco classificadas em três níveis: verde, amarela e vermelha. A zona verde indica operação segura, sem risco de colisão. Ao entrar na zona amarela, considerada de risco moderado, o operador e o centro de controle da SGBH recebem alertas automáticos. Caso o trator avance até a zona vermelha, de alto risco, o sistema desliga o equipamento de forma automática.

Impacto para o agronegócio e para o sistema elétrico

A iniciativa foi desenhada especialmente para áreas rurais de grande mecanização, onde linhas de transmissão convivem com operações intensivas do agronegócio. Nessas regiões, colisões com torres representam não apenas risco à vida dos condutores, mas também uma ameaça à continuidade do fornecimento de energia.

Ao mitigar esse tipo de ocorrência, o projeto contribui para a redução de desligamentos forçados, falhas operativas e custos associados a reparos emergenciais, além de fortalecer a confiabilidade de corredores de transmissão considerados críticos para o escoamento de energia no Centro-Oeste.

Gamificação como estímulo ao uso

Para incentivar a adesão dos operadores ao sistema, o AgriSafeNet incorpora um mecanismo de gamificação, que atribui pontuações aos condutores com base no comportamento operacional. Aqueles que mantêm o trator dentro da zona verde preservam seus pontos. A entrada na zona amarela gera perda parcial, enquanto o acesso à zona vermelha implica perda maior de pontuação.

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O modelo permite, futuramente, a criação de rankings regionais e programas de premiação, como forma de estimular práticas seguras e disseminar a cultura de prevenção de acidentes no campo.

Próximos passos e potencial de expansão

Com a fase de testes concluída em dezembro, a State Grid agora avalia a viabilidade de escalar o projeto para outras áreas de concessão e até mesmo disponibilizá-lo para outras transmissoras do setor elétrico. A empresa também estuda modelos de comercialização e parcerias, considerando o potencial da tecnologia como ferramenta estruturante para a gestão de riscos operacionais em ambientes rurais.

O projeto se insere em uma agenda mais ampla de digitalização da infraestrutura de transmissão e de uso de soluções inteligentes para aumentar a segurança, a confiabilidade e a resiliência do sistema elétrico brasileiro, especialmente em regiões de alta interação entre energia e agronegócio.

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