Compra de 50% de Tartaruga Verde e Espadarte (Módulo III) por US$ 450 milhões marca primeira grande decisão após troca no comando e reforça foco em ativos maduros, produtivos e geradores de caixa
A Brava Energia deu um passo relevante em sua estratégia de gestão ativa de portfólio ao anunciar a aquisição de 50% de participação nos campos de Tartaruga Verde e no Módulo III do campo de Espadarte, ambos localizados na porção sul da Bacia de Campos, no litoral do Rio de Janeiro. A participação adquirida pertencia à Petronas, e a operação está avaliada em US$ 450 milhões.
O movimento é o primeiro de grande porte anunciado pela companhia após a recente mudança em sua liderança executiva e sinaliza, ao mercado, a disposição da Brava em reforçar sua presença em ativos consolidados, de elevada produtividade e com potencial de geração de caixa no curto e médio prazos. Em um contexto de disciplina de capital mais rigorosa no setor de óleo e gás, a transação também reflete uma estratégia de redução de riscos operacionais e maximização de retornos aos acionistas.
Estrutura financeira e cronograma da transação
De acordo com os termos divulgados, o pagamento será realizado de forma escalonada. Um montante inicial de US$ 50 milhões será desembolsado na assinatura do contrato, seguido de US$ 350 milhões no fechamento da transação (closing), previsto para ocorrer após o cumprimento das condições precedentes e sujeito a ajustes com base na data efetiva da operação, fixada em 1º de julho de 2025. Além disso, duas parcelas adicionais de US$ 25 milhões cada serão pagas em 12 e 24 meses após o fechamento.
A Brava projeta que a conclusão da operação ocorra ao longo de 2026, condicionada à obtenção das aprovações regulatórias usuais, incluindo o aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Nova liderança e sinalização estratégica ao mercado
O anúncio ocorre poucos dias após a companhia formalizar uma mudança relevante em sua governança. Na última segunda-feira (12), Richard Kovacs, então presidente do conselho de administração, foi nomeado CEO da Brava, substituindo Décio Oddone, que deixa a empresa no dia 31 de janeiro.
A transação é o primeiro grande movimento sob a nova liderança e sinaliza o rigor métrico que deve balizar as próximas decisões da companhia. Ao detalhar o racional estratégico por trás do movimento, Richard Kovacs, CEO da Brava, enfatizou o foco da gestão na otimização de ativos e na rentabilidade do acionista.
“A transação marca o início da nossa estratégia de longo prazo e está alinhada ao plano de revisão contínuo do portfólio da Brava e ao compromisso em buscar retorno ajustado a riscos e eficiência na alocação de capital. A Companhia continuará avaliando oportunidades de revisão de portfólio, mantendo o compromisso de gerar valor aos acionistas”, ressalta.
Ativos maduros, alta produtividade e previsibilidade operacional
Os campos de Tartaruga Verde e Espadarte (Módulo III) são considerados ativos maduros e bem conhecidos do mercado, com operação consolidada e histórico consistente de produção. Em 2025, os dois campos registraram uma produção média combinada de aproximadamente 55,6 mil barris de óleo equivalente por dia, considerando 100% dos ativos, com predominância de óleo no mix.
A produção é realizada por meio do FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes, unidade flutuante que conta com 14 poços produtores, sendo 11 em Tartaruga Verde e três em Espadarte. A infraestrutura existente reduz a necessidade de investimentos adicionais relevantes no curto prazo, fator que contribui para a atratividade econômica da aquisição.
Outro ponto relevante é a vigência das concessões, garantida até 2039, o que assegura horizonte de longo prazo para a exploração e produção dos campos, além de previsibilidade regulatória e operacional.
Reposicionamento em um setor em transformação
Embora a Brava atue no segmento de óleo e gás, o movimento ocorre em um contexto mais amplo de transformação do setor energético, no qual empresas buscam equilíbrio entre geração de caixa, disciplina financeira e adaptação às novas exigências de sustentabilidade e transição energética. Ativos maduros, com infraestrutura instalada e baixo risco geológico, tendem a ganhar espaço nas estratégias corporativas, especialmente em cenários de maior volatilidade de preços e custos de capital mais elevados.
Com a aquisição, a Brava reforça sua exposição à Bacia de Campos, uma das regiões mais tradicionais da produção offshore brasileira, e sinaliza ao mercado que sua nova fase será marcada por decisões pragmáticas, foco em eficiência e retorno ajustado ao risco.



