Metodologia inédita no setor elétrico brasileiro integra IA, drones e imagens de satélite para reduzir riscos de desligamentos e aumentar a confiabilidade de 37% do SIN.
A gestão da vegetação próxima às linhas de transmissão voltou ao centro do debate técnico no setor elétrico brasileiro. Responsável por uma parcela significativa das interrupções no fornecimento de energia, a interferência de árvores e áreas verdes nos corredores de transmissão tem levado concessionárias a buscar soluções cada vez mais sofisticadas.
Nesse contexto, a AXIA Energia, maior empresa 100% renovável do Hemisfério Sul, anunciou a adoção de uma metodologia inovadora para monitorar a vegetação ao longo de seus 74,7 mil quilômetros de linhas de transmissão, extensão que corresponde a cerca de 37% do Sistema Interligado Nacional (SIN).
A iniciativa representa um avanço relevante na forma como ativos de transmissão são geridos no país, combinando tecnologias de ponta para reduzir custos operacionais, mitigar riscos de desligamentos e reforçar a segurança do sistema elétrico. Em um cenário de maior exigência regulatória, eventos climáticos extremos e pressão por eficiência, o uso intensivo de dados e automação ganha protagonismo na estratégia das transmissoras.
Tecnologia aplicada à prevenção de falhas na transmissão
O Sistema de Gestão de Vegetação (SGV) da AXIA Energia começou a ser desenvolvido como projeto piloto em 2024 e teve sua implementação concluída em dezembro deste ano. O diferencial do modelo está na integração de múltiplas tecnologias, Inteligência Artificial, sensores LiDAR (Light Detection and Ranging), drones e imagens de satélite, para a geração das chamadas “nuvens de pontos em 3D”.
Essas nuvens permitem medir com alto grau de precisão a distância entre a vegetação e os cabos energizados nas torres de transmissão. A partir dessa leitura tridimensional do ambiente, a empresa consegue identificar pontos críticos de aproximação da vegetação, antecipando situações de risco que poderiam evoluir para desligamentos não programados.
Na prática, o sistema possibilita uma atuação mais cirúrgica e preventiva, substituindo modelos tradicionais baseados em inspeções periódicas e ações corretivas muitas vezes tardias. Segundo a companhia, trata-se de uma solução sem paralelo no setor elétrico brasileiro em termos de escala e integração tecnológica.
Ganhos operacionais e impacto econômico mensurável
Os primeiros resultados do SGV já indicam impactos concretos na eficiência operacional da transmissora. Ao avaliar os benefícios observados na fase inicial do projeto, o vice-presidente de Operações e Segurança da AXIA Energia, Antônio Varejão, destacou os efeitos diretos na redução de custos e na confiabilidade do sistema.
“Os resultados da primeira fase do Sistema de Gestão de Vegetação mostram ganhos concretos em eficiência operacional e prevenção de desligamentos. Em 2025, o monitoramento de 1.000 quilômetros de linhas evitou custos estimados em cerca de R$ 5 milhões”, afirma.
A declaração evidencia como a digitalização da gestão de ativos pode gerar valor econômico relevante, especialmente em um segmento intensivo em capital como o de transmissão de energia elétrica. Além da economia direta, a prevenção de desligamentos reduz impactos sistêmicos, como penalidades regulatórias, riscos à segurança e efeitos sobre consumidores e agentes do mercado.
Inteligência Artificial como eixo da manutenção preventiva
Um dos pilares do SGV é o uso de Inteligência Artificial no processamento e na análise dos dados coletados em campo. A IA é responsável por identificar padrões de risco, classificar áreas críticas e gerar informações acionáveis para as equipes responsáveis pela poda ou remoção da vegetação.
Com isso, a AXIA Energia migra para um modelo de manutenção essencialmente preventiva, reduzindo a dependência de intervenções emergenciais. Esse tipo de abordagem é cada vez mais valorizado no setor elétrico, sobretudo diante da maior variabilidade climática e do aumento da complexidade operacional das redes.
Ao antecipar problemas potenciais, a companhia consegue planejar melhor suas intervenções, otimizar o uso de recursos e aumentar a disponibilidade das linhas de transmissão, um fator-chave para a segurança energética do país.
Integração com monitoramento climático e queimadas
A estratégia da AXIA Energia não se limita ao controle da vegetação. O Sistema de Gestão de Vegetação seguirá em evolução ao longo de 2026, com a perspectiva de integração ao Sistema de Monitoramento de Queimadas, que faz parte do centro de monitoramento climático da empresa, o ATMOS.
Embora desenvolvidos de forma independente, a atuação conjunta desses sistemas deve ampliar significativamente a capacidade de gestão de ativos e de riscos. A correlação entre dados de vegetação, clima e focos de incêndio tende a oferecer uma visão mais abrangente das ameaças à infraestrutura de transmissão, permitindo respostas mais rápidas e eficazes.
A previsão da companhia é que, já no próximo ano, mais de 5.000 quilômetros de linhas de transmissão passem a ser monitorados por meio do SGV com geração de nuvens de pontos 3D, ampliando a escala e o impacto da iniciativa.
Digitalização como vetor estratégico no setor elétrico
A adoção dessa metodologia pela AXIA Energia sinaliza uma tendência mais ampla no setor elétrico brasileiro: o uso intensivo de tecnologias digitais para aumentar a resiliência do sistema. Em um ambiente de transição energética, com maior participação de fontes renováveis e exigências crescentes de confiabilidade, soluções baseadas em dados, IA e sensoriamento remoto tendem a se tornar padrão.
Ao unificar inovação tecnológica, eficiência operacional e gestão de riscos, o projeto da AXIA reforça o papel da transmissão como elo estratégico da cadeia elétrica e mostra como a digitalização pode contribuir para a segurança do SIN e para a redução estrutural de custos no longo prazo.



