Com integração de Roraima ao SIN, fortalecimento da governança operativa e planejamento robusto para o futuro, Operador Nacional do Sistema Elétrico encerra 2025 com balanço positivo e foco em segurança, eficiência e transição energética.
O ano de 2025 marcou um período decisivo para o Sistema Interligado Nacional (SIN) e para a atuação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Em um contexto de transformação acelerada da matriz energética, crescimento da geração renovável e maior complexidade operacional, o ONS apresentou um balanço amplamente positivo de suas atividades, com avanços estruturantes que reforçam a segurança do suprimento, a confiabilidade da operação e a integração nacional do sistema elétrico.
Entre os marcos mais relevantes do período está a interligação definitiva de Roraima ao SIN, viabilizada pela energização do Linhão Manaus–Boa Vista. A obra encerra uma histórica dependência de geração isolada e térmica, integrando o último estado brasileiro ao sistema nacional e garantindo fornecimento de energia em padrão equivalente ao do restante do país. Com a interligação, milhares de consumidores passam a contar com maior estabilidade, redução de custos operacionais e menor impacto ambiental.
Segundo o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, a conexão de Roraima representa um avanço estrutural para o setor elétrico. “Esse foi um ano que trouxe avanços importantes para a segurança energética nacional. A interligação de Roraima ao SIN permitiu levar energia de forma mais segura, eficiente e sustentável a uma região que historicamente operava de forma isolada”, afirmou.
A integração também trouxe ganhos operacionais relevantes, como o maior controle dos fluxos de potência nas interligações Norte–Sudeste, reduzindo riscos operativos e aumentando a confiabilidade do sistema. Além disso, a substituição da geração térmica local contribui para a redução de emissões de gases de efeito estufa, alinhando o setor elétrico às metas ambientais do país.
Expansão da infraestrutura e ganhos sistêmicos
Atualmente, o ONS é responsável pela operação de aproximadamente 180 mil quilômetros de linhas de transmissão espalhadas por todo o território nacional, extensão suficiente para dar quatro voltas completas ao redor da Terra. A capacidade instalada do sistema alcança cerca de 250 gigawatts (GW), com projeção de atingir 300 GW até o final da década, refletindo o avanço acelerado das fontes renováveis, especialmente solar e eólica.
Pela primeira vez, o Operador também apresentou de forma estruturada os resultados do projeto Valor Agregado, iniciativa que mensura os benefícios econômicos gerados pela atuação do ONS. O levantamento apontou uma economia de R$ 12,6 bilhões para a sociedade brasileira em apenas um ano, resultado de decisões operativas mais eficientes, otimização do despacho e redução de custos sistêmicos.
“Em 2025, avançamos em projetos que reforçaram o compromisso do ONS com uma operação cada vez mais moderna e alinhada às transformações do setor elétrico. Estamos construindo, junto aos agentes, uma rede mais resiliente, capaz de acompanhar o crescimento da demanda sem abrir mão da segurança e da confiabilidade”, destacou Marcio Rea.
Reconhecimento institucional e protagonismo internacional
O fortalecimento institucional do Operador também se refletiu no cenário internacional. Em 2025, Marcio Rea foi escolhido para ocupar a vice-presidência do GO15, associação que reúne os maiores operadores de sistemas elétricos do mundo, assumindo a presidência do grupo em 2027. A entidade congrega operadores responsáveis por mais de 60% da demanda global de eletricidade e atua como fórum estratégico de troca de experiências e boas práticas.
“Temas como a descentralização da geração, o avanço da digitalização, o uso de inteligência artificial e o crescimento dos sistemas de armazenamento estão redefinindo a operação elétrica no mundo. A cooperação internacional é essencial para enfrentarmos esses desafios com eficiência”, destacou Rea.
O reconhecimento internacional reforça o papel do Brasil como referência em operação de sistemas elétricos complexos, especialmente em um contexto de elevada participação de fontes renováveis intermitentes.
Planejamento energético e desafios estruturais
O ONS também apresentou os resultados do Plano da Operação Energética (PEN 2025), que traça as diretrizes para o atendimento da demanda entre 2025 e 2029. De acordo com o estudo, a carga máxima do SIN deverá crescer, em média, 3,8% ao ano, saltando de 108 GW para 125 GW no período. A expansão será fortemente impulsionada pelas fontes solar fotovoltaica e pela micro e minigeração distribuída (MMGD), que juntas deverão representar cerca de um terço da capacidade instalada até 2029.
Entretanto, o estudo alerta para a necessidade de reforço da potência firme do sistema, sobretudo para atendimento da ponta noturna. Nesse contexto, o ONS recomendou a realização de leilões específicos para contratação de potência, garantindo o equilíbrio estrutural do sistema e a segurança do suprimento.
O Plano de Operação Elétrica de Médio Prazo (PAR/PEL 2025) complementa essa visão ao projetar investimentos da ordem de R$ 28,1 bilhões até 2030, dos quais R$ 22,7 bilhões destinados a novos empreendimentos. As ações incluem a ampliação da capacidade de intercâmbio entre regiões, com aumento de até 25% na transferência de energia do Norte e Nordeste para o Sudeste/Centro-Oeste, além do reforço da malha de transmissão.
Gestão de excedentes e resiliência operacional
Outro avanço relevante foi a implementação do Plano Emergencial de Gestão de Excedentes de Energia na Rede de Distribuição, aprovado pela Aneel. A iniciativa estabelece protocolos claros para situações em que há excesso de geração, especialmente em cenários de elevada produção renovável. As medidas buscam preservar a segurança do sistema, priorizando ajustes operacionais antes de qualquer necessidade de restrição de geração.
Com isso, o ONS reforça sua capacidade de lidar com os desafios impostos pela transição energética, marcada pelo crescimento acelerado da geração distribuída e pela maior variabilidade das fontes renováveis.
Ao consolidar avanços técnicos, regulatórios e institucionais, o balanço de 2025 evidencia um setor elétrico mais robusto, integrado e preparado para o futuro. A atuação do ONS reafirma seu papel estratégico na garantia da segurança energética do país, sustentando o desenvolvimento econômico e a transição para uma matriz cada vez mais limpa e resiliente.



