EDP antecipa em 42 meses obra de transmissão no Nordeste e reforça escoamento de energia ao SIN

Trecho do Lote 13 energizado entre Piauí e Maranhão amplia segurança elétrica, cria margem para novas usinas e antecipa receitas da concessão

A EDP concluiu, com 42 meses de antecedência em relação ao prazo regulatório, um dos principais empreendimentos de transmissão em implantação no Nordeste brasileiro. A linha de transmissão de 230 kV que conecta Ribeiro Gonçalves, no Piauí, ao município de Balsas, no Maranhão, foi energizada e integrada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) no último domingo (14), consolidando um avanço relevante para a infraestrutura elétrica regional.

O empreendimento faz parte do Lote 13, arrematado pela companhia no Leilão de Transmissão nº 01/2024 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). A antecipação expressiva reforça o papel da transmissão como elemento crítico para o escoamento da geração existente no Nordeste, especialmente de fontes renováveis, além de abrir espaço para a conexão de novos projetos e o atendimento ao crescimento da demanda local.

Infraestrutura estratégica para o Nordeste e para o SIN

O Lote 13 é composto por duas linhas de transmissão que somam 461 quilômetros de extensão. Além do trecho de 230 kV recém-concluído, com 95 quilômetros entre Ribeiro Gonçalves (PI) e Balsas (MA), o lote inclui uma linha de transmissão de 500 kV com 366 quilômetros, ligando Ribeiro Gonçalves (PI) a Colinas (TO). Juntas, as estruturas formam um corredor estratégico para o transporte de energia entre regiões com forte expansão da oferta e centros de carga em crescimento.

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Segundo estimativas da Aneel, o investimento total previsto para o Lote 13 é de R$ 981 milhões, com Receita Anual Permitida (RAP) em torno de R$ 102 milhões. A entrada antecipada em operação comercial permite não apenas acelerar o retorno financeiro do ativo, como também gerar benefícios sistêmicos ao SIN, ao reduzir gargalos e ampliar a confiabilidade do suprimento.

Antecipação de prazos como diferencial competitivo

A entrega com quase três anos e meio de antecedência se soma a um histórico recente da EDP no segmento de transmissão. A companhia já havia concluído o Lote 2, na Região Norte, com 40 meses de antecipação, consolidando um padrão de execução considerado acima da média do setor.

O diretor de Transmissão da EDP na América do Sul, Daniel Sarmento, destacou que a antecipação na entrega é resultado direto de um planejamento rigoroso e de uma execução consistente desde as fases iniciais da concessão. Ele afirmou que a conclusão do trecho reforça a capacidade da EDP em operar em prazos desafiadores

“Entregar esse trecho com 42 meses de antecedência reforça a capacidade da EDP de executar projetos de transmissão em prazos desafiadores – e dá continuidade ao nosso histórico recente, como a conclusão do Lote 2, na Região Norte, entregue com 40 meses de antecipação. No caso deste trecho do Lote 13, tivemos cerca de 18 meses entre a assinatura do contrato de concessão e a entrada em operação comercial, resultado de um planejamento rigoroso e uma execução consistente. Além de antecipar a RAP e criar valor para a EDP, esse empreendimento fortalece a infraestrutura na região, abre margem para novas conexões e contribui para a segurança do SIN”.

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A fala sintetiza o impacto duplo da antecipação: geração de valor econômico para a concessionária e fortalecimento estrutural do sistema elétrico.

Expansão da transmissão acompanha crescimento da geração renovável

A conclusão do trecho Piauí–Maranhão ocorre em um momento em que o Nordeste se consolida como principal polo de expansão da geração renovável no país, especialmente eólica e solar. A ampliação da capacidade de transmissão é vista como condição essencial para evitar restrições ao despacho, perdas econômicas e curtailment de usinas já instaladas.

Além de permitir maior escoamento da energia existente, o novo ativo cria margem técnica para a conexão de novos empreendimentos, contribuindo para a atração de investimentos, geração de empregos e desenvolvimento econômico regional.

Outros lotes em construção no eixo Nordeste–Centro-Oeste

Além do Lote 13, a EDP mantém outros dois empreendimentos relevantes em construção, também arrematados no Leilão 01/2024 da Aneel e com passagem pelo estado do Piauí. O Lote 2, localizado integralmente no estado, contempla duas linhas de transmissão e trechos de interligação que totalizam 537 quilômetros, além de uma subestação de 500 kV.

Já o Lote 7 atravessa os estados da Bahia, Piauí e Tocantins, com duas linhas que somam 390 quilômetros e uma subestação de 230/138 kV. Os projetos reforçam a estratégia da companhia de atuar em corredores estruturantes, conectando áreas de forte expansão da geração a regiões de maior consumo.

Transmissão como pilar estratégico da EDP no Brasil

Os investimentos em transmissão figuram entre as prioridades estratégicas da EDP no país, ao lado da geração renovável e da distribuição. Desde 2017, a companhia já investiu mais de R$ 7 bilhões em projetos e obras de transmissão em dez estados brasileiros, incluindo Goiás, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Maranhão, Espírito Santo, Acre, Rondônia e Piauí.

Atualmente, o portfólio da empresa conta com 1.485 quilômetros de linhas em operação. Em 2025, a EDP ampliou ainda mais sua presença no segmento ao arrematar o Lote 5 no Leilão de Transmissão nº 4/2025, com 285 quilômetros de linhas e uma subestação em Goiás, além do Lote A no leilão da CelgPar, composto por 152 quilômetros de linhas, também no estado.

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