Projeto de PD&I visa mapear vulnerabilidades, propor soluções técnicas e aprimorar regras regulatórias para preparar a infraestrutura elétrica frente ao avanço dos eventos climáticos extremos
Durante a COP30, em Belém (PA), a ISA ENERGIA BRASIL assinou uma parceria inédita com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e a Fundação Getulio Vargas (FGV) para desenvolver o projeto de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) “Resiliência Climática para Ativos de Transmissão de Energia Elétrica”. A iniciativa, anunciada em 14 de novembro de 2025, reforça a crescente preocupação do setor elétrico com os impactos dos eventos climáticos extremos e com a necessidade urgente de adaptação da infraestrutura crítica do país.
O acordo reúne três instituições com forte atuação em planejamento, pesquisa aplicada e inovação regulatória, estabelecendo uma base técnica e institucional robusta para enfrentar desafios que ameaçam diretamente a segurança do suprimento elétrico, como tempestades severas, ondas de calor, queimadas, alagamentos e vendavais, eventos que têm ocorrido com maior frequência e intensidade nos últimos anos.
Evento de assinatura durante a COP30 reforça centralidade da agenda climática
A formalização da parceria ocorreu no Pavilhão ICC – Zona Azul, espaço dedicado ao debate técnico sobre resiliência climática e transição energética dentro da COP30. Representaram as três instituições Rui Chammas, diretor-presidente da ISA ENERGIA BRASIL; Joisa Dutra, diretora do Centro de Regulação e Infraestrutura (CERI/FGV) e membro do Fórum Econômico Mundial; e Thiago Prado, presidente da EPE.
A presença dos líderes das três entidades simboliza o peso estratégico do projeto para o setor elétrico brasileiro, especialmente em um momento em que o país se prepara para enfrentar novos patamares de risco climático.
Projeto foca em mapeamento de vulnerabilidades e soluções eficientes
O objetivo central do projeto é avaliar de forma aprofundada as vulnerabilidades da infraestrutura de transmissão frente a eventos climáticos extremos. O estudo irá:
- Identificar trechos de linhas e equipamentos mais expostos a riscos;
- Mapear padrões históricos e projeções climáticas;
- Desenvolver instrumentos técnicos e regulatórios para fortalecer a resiliência;
- Propor soluções de adaptação com melhor relação custo-benefício;
- Apoiar a modernização regulatória para incentivar investimentos eficientes.
A iniciativa também mira a criação de diretrizes que auxiliem futuros processos licitatórios, definam padrões mínimos de resiliência e incentivem a integração de ferramentas tecnológicas e modelos preditivos nos ativos já instalados.
Compromisso de longo prazo com inovação e gestão climática
Ao contextualizar a assinatura do acordo, Rui Chammas, diretor-presidente da ISA ENERGIA BRASIL, ressaltou que a iniciativa está integrada ao plano estratégico de longo prazo da companhia, a Estratégia 2040 – Energia que Dá Vida à Transição.
Chammas reforçou que o momento exige preparação técnica e coordenação institucional. “Firmar esta parceria com a EPE e a FGV é um passo estratégico rumo à resiliência climática do setor elétrico nacional. Estamos unindo ciência, planejamento, regulação e inovação para proteger os ativos de transmissão frente aos eventos extremos. Essa iniciativa reforça nosso compromisso com uma transição energética segura, justa e sustentável, e demonstra mais uma vez o DNA inovador e pioneiro da ISA ENERGIA BRASIL, que há décadas antecipa tendências e propõe soluções estruturantes para o setor elétrico”.
A fala destaca a convergência entre adaptação climática e segurança energética, um tema que tem ganhado importância crescente em agendas multilaterais e nacionais, e que se torna ainda mais relevante diante da necessidade de ampliar o sistema para integrar fontes renováveis variáveis, como solar e eólica.
Aprimoramento regulatório como pilar da resiliência
O projeto também pretende apoiar o aprimoramento das regras regulatórias relacionadas à resiliência e adaptação climática da transmissão, aspecto considerado fundamental para reduzir custos futuros, evitar interrupções prolongadas e aumentar a confiabilidade do sistema.
Com maior previsibilidade regulatória e com incentivos alinhados ao risco climático, espera-se que novas técnicas, materiais e tecnologias, como sensores inteligentes, reforço estrutural de torres, modelagem preditiva e sistemas avançados de monitoramento, possam ser incorporadas de maneira mais eficiente aos empreendimentos de transmissão.
A participação da FGV, por meio do CERI, amplia o potencial de impacto regulatório, enquanto a EPE aportará expertise em modelagem energética, avaliação de riscos e planejamento de longo prazo.
Relevância estratégica para o setor elétrico brasileiro
A parceria estabelece um marco importante na modernização da infraestrutura de transmissão e fortalece a capacidade do Brasil de mitigar riscos, reduzir custos operacionais e aprimorar a confiabilidade em um cenário de mudanças climáticas aceleradas.
Com o crescimento das energias renováveis e a digitalização dos sistemas elétricos, a resiliência das redes de transmissão se torna componente central da segurança energética, da operação do SIN e da integração de projetos em expansão.
O projeto deverá gerar insumos técnicos e estratégicos para todo o setor, incluindo formuladores de políticas públicas, reguladores, transmissoras, investidores e centros de pesquisa.



