Coalizão do Setor Elétrico propõe plano para manter 90% de renováveis e ampliar liderança climática do Brasil

Documento entregue ao presidente da COP30 mostra como o país pode transformar sua matriz limpa em vantagem competitiva global e reduzir até 176 milhões de toneladas de CO₂ em emissões

O setor elétrico brasileiro deu mais um passo para consolidar o país como protagonista na agenda climática internacional. Nesta quinta-feira (9/10), a Coalizão do Setor Elétrico apresentou ao embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, um documento que traz contribuições concretas para o fortalecimento da matriz elétrica renovável e a descarbonização da economia.

O material, elaborado sob a liderança do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), com curadoria técnica da PSR Soluções e Consultoria em Energia, mostra que uma expansão eficiente e diversificada do setor elétrico pode manter 90% de renovabilidade na matriz brasileira e contribuir com a redução de até 176 milhões de toneladas de CO₂ em emissões globais, o equivalente ao que o país emite nos setores industrial e de transporte, que juntos respondem por cerca de 18% das emissões líquidas nacionais.

Coalizão reúne mais de 70 entidades em torno de uma agenda comum

A Coalizão foi construída com o apoio de seis associações representativas do setor elétrico, ABRADEE, ABRATE, ABEEólica, ABRACE, ABIAPE e ABRAGE, e contou com a participação ativa de mais de 70 entidades empresariais. A iniciativa foi organizada em quatro eixos temáticos: Geração, Transmissão, Distribuição e Consumo, com o objetivo de definir ambições e alavancas prioritárias para uma transição energética justa e sustentável.

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Para Marina Grossi, presidente do CEBDS, o documento reforça o potencial do Brasil de unir desenvolvimento econômico e responsabilidade ambiental. “O Brasil tem condições únicas de liderar a transição energética global e atrair investimentos em soluções de baixo carbono. Este documento mostra que é possível avançar de forma concreta, assegurando benefícios econômicos, sociais e ambientais ao mesmo tempo”.

De vantagem comparativa a vantagem competitiva

O relatório enfatiza que a matriz elétrica brasileira, uma das mais limpas do mundo, é o ponto de partida para uma nova vantagem competitiva nacional, baseada em produtos e serviços de baixo carbono.

Segundo Luiz Barroso, CEO da PSR, o Brasil pode transformar sua vocação em liderança concreta. “O Brasil pode transformar sua vantagem comparativa, baseada em uma matriz elétrica limpa, em uma verdadeira vantagem competitiva. O trabalho técnico mostrou que, com planejamento, regulação adequada e inovação, o setor elétrico pode ser o motor da descarbonização da economia brasileira e global”.

A análise técnica reforça que a eletrificação da indústria e do transporte, aliada a políticas públicas e marcos regulatórios modernos, pode gerar um bônus verde ao país, tornando seus produtos mais competitivos em um mundo que caminha rapidamente para metas de carbono zero.

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Sinergia e consenso como motores da transição energética

A proposta da Coalizão é fruto de amplo diálogo setorial, com fóruns que reuniram agentes da cadeia elétrica e especialistas em sustentabilidade. O objetivo foi construir convergência e consenso em torno de um projeto nacional de transição energética.

De acordo com Marcos Madureira, presidente da ABRADEE e líder da Coalizão, a união do setor é um passo decisivo. “A Coalizão reúne um conjunto plural de vozes do setor elétrico em torno de uma visão comum. Essa convergência é essencial para garantir uma matriz mais renovável, competitiva e confiável, com uma tarifa mais justa e benefícios reais para os brasileiros”.

Ambições e recomendações estratégicas

O documento apresentado define três ambições centrais:

  1. Assegurar a renovabilidade, competitividade e confiabilidade da matriz elétrica brasileira;
  2. Reduzir desigualdades, promover crescimento econômico e impulsionar o consumo de bens e serviços de baixo carbono;
  3. Posicionar o Brasil como hub global de produtos e serviços sustentáveis, contribuindo de forma decisiva para a solução da crise climática.

Entre as recomendações práticas, a Coalizão propõe interromper subsídios ineficientes, aprimorar o planejamento de infraestrutura, fortalecer a regulação e a inovação tecnológica e impulsionar políticas públicas que ampliem a eletrificação e a descarbonização.

Essas medidas, segundo o documento, são essenciais para consolidar o país como referência internacional em energia limpa, aproveitando sua matriz exemplar e sua capacidade de atrair investimentos sustentáveis.

Sinergia e potencial do setor elétrico na redução de emissões nacionais e globais

Rumo à COP30: o Brasil como vitrine de soluções sustentáveis

A entrega das propostas ao presidente da COP30 ocorre em um momento estratégico, com o Brasil se preparando para sediar o evento em Belém (PA), em novembro. A presença do setor elétrico com um documento robusto e articulado reforça a posição do país como protagonista da transição energética global.

Mais do que uma agenda ambiental, a Coalizão defende uma visão integrada de desenvolvimento sustentável, em que energia limpa, competitividade industrial e inclusão social caminham juntas.

Com essa contribuição, o Brasil busca não apenas cumprir suas metas climáticas, mas também inspirar o mundo com um modelo de prosperidade verde, baseado em planejamento, inovação e cooperação entre os setores público e privado.

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