Butantan inaugura usina de cogeração de energia e fortalece produção de vacinas no país

Estrutura movida a gás natural garante maior confiabilidade, reduz custos e amplia sustentabilidade no complexo fabril

O Instituto Butantan, referência mundial na produção de vacinas e soros, inaugurou na última quinta-feira (14) sua Usina de Geração e Cogeração de Energia, movida a gás natural. O projeto é um marco estratégico para a instituição, que além de fortalecer a confiabilidade de seu fornecimento elétrico, reduz custos operacionais e avança em eficiência energética.

Com capacidade instalada de 12 megawatts (MW), a usina é hoje uma das maiores do tipo no estado de São Paulo. Atualmente, a demanda contratada do Butantan é de 10,5 MW mensais, mas esse consumo deve crescer nos próximos anos com a expansão das fábricas de vacinas e soros. A nova estrutura foi projetada justamente para acompanhar esse crescimento e garantir a segurança da produção, considerada essencial para a saúde pública brasileira.

Segurança energética e expansão da produção

De acordo com Rafael Lubianca, diretor de Infraestrutura do Butantan, o projeto é decisivo para manter a confiabilidade do fornecimento de energia em um setor altamente sensível.

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“Este projeto vem para acompanhar o crescimento e as necessidades de utilidades que o Butantan tem para os próximos anos. Nos traz segurança energética, flexibilidade de manobra em situações de oscilação de energia, desligamentos e até mesmo de escassez”, afirmou.

O sistema, além de reduzir a dependência da rede elétrica, permite que parte da energia seja reaproveitada em processos internos, garantindo maior eficiência. A concessionária que abastece o instituto também será beneficiada, já que a diminuição da demanda do Butantan amplia a capacidade de fornecimento para a população.

Projeto de longo prazo

A ideia de construir a usina começou em 2015 e ganhou força em 2019, com estudos aprofundados. Depois de uma década de planejamento e execução, a instalação agora entra em operação plena.

Entusiasta desde a concepção, Eduardo Candido Alves, coordenador de Manutenção do Butantan, destaca o impacto econômico da iniciativa.
“Nós vamos reduzir nossa conta de energia elétrica de forma substancial, e o dinheiro investido aqui deve retornar em menos de cinco anos”, ressaltou.

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A operação conta com 17 profissionais especializados, divididos em quatro turnos. Parte da equipe permanece dentro da usina e outra se distribui por diferentes áreas do complexo, garantindo a supervisão integral do sistema elétrico.

“Somos operadores e fazemos a manutenção do sistema elétrico de todo o complexo. Cuidamos da entrada de 88.000 volts, depois rebaixamos para 13.200, até chegar na tomada do computador. Toda adaptação da rede foi feita pela nossa equipe. E não é pouca coisa, não”, acrescenta Eduardo.

Como funciona a usina

A estrutura é composta por seis geradores movidos a gás natural, que além de produzir energia elétrica, aproveitam subprodutos para aumentar a eficiência do sistema.

O processo funciona da seguinte forma: a fumaça liberada pelos geradores passa por tubulações com água desmineralizada, que aquece e se transforma em vapor. Esse vapor alimenta caldeiras elétricas já existentes no complexo. Após o uso, a fumaça segue para um catalisador, onde é tratada e liberada de forma inofensiva ao meio ambiente.

Outro ponto de destaque é o uso de chillers de absorção, sistemas de refrigeração que operam com base no calor. A água quente dos radiadores dos motores é direcionada a essas máquinas, onde entra em contato com brometo de lítio, provocando uma reação química que resfria a água até 6,5°C. Essa água gelada será utilizada no ar-condicionado das áreas administrativas.

No total, serão reaproveitadas 1.370 toneladas de água quente, reforçando o caráter sustentável do projeto.

Sustentabilidade e backup de emergência

Além da eficiência energética, a usina contribui para a sustentabilidade, uma vez que o uso do gás natural reduz emissões em comparação a fontes mais poluentes. O tratamento dos gases de exaustão também garante menor impacto ambiental.

Para situações emergenciais, o Butantan instalou ainda um gerador a diesel do tipo “black start”, semelhante ao utilizado em navios. Esse equipamento é acionado em casos de desligamento total ou parcial da rede, garantindo que a produção não seja interrompida.

Marco estratégico para a saúde pública

A inauguração da Usina de Cogeração de Energia representa não apenas um avanço tecnológico e de sustentabilidade, mas também uma garantia de segurança energética para o funcionamento ininterrupto do Instituto Butantan — responsável por parte significativa da produção nacional de vacinas.

Com o projeto, o instituto se posiciona de forma estratégica para atender à crescente demanda por imunizantes, mantendo sua operação estável, confiável e alinhada a práticas modernas de eficiência energética.

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