Portal de Minerais Críticos registra avanço da prospecção entre 2021 e 2025, enquanto a lavra ativa permanece concentrada em Goiás e o país importa óxidos processados e ímãs para a transição energética
O expressivo avanço da pesquisa mineral por terras raras no Brasil ainda não se desdobrou na criação de uma cadeia industrial nacional capaz de atender à demanda da transição energética por componentes de maior valor agregado. Entre 2021 e 2025, as Autorizações de Pesquisa para esses elementos cresceram 485,4%, mas a produção nacional alcançou apenas 326 toneladas de concentrado de óxidos em 2025, segundo dados do Portal de Minerais Críticos e Estratégicos.
O descompasso fica evidente na balança comercial. No ano passado, o país exportou US$ 14,9 milhões em concentrado bruto de terras raras, enquanto importou US$ 30,6 milhões em óxidos isolados e ímãs permanentes, insumos essenciais para a fabricação de geradores eólicos, motores elétricos e inversores.
Concentração em Goiás e etapas de licenciamento
O Brasil contabiliza quatro áreas com lavra ativa de terras raras, todas situadas no estado de Goiás. A concentração geográfica evidencia a distância entre o potencial geológico e a operação comercial, dependente de investimentos intensivos, licenciamento ambiental e rotas metalúrgicas complexas de separação de elementos.
O levantamento mapeia um pipeline de projetos em diferentes fases: são 78 áreas com relatório final de pesquisa aprovado, 3.067 áreas ativas em fase de pesquisa mineral e 75 blocos de alto potencial mapeados pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM).
As etapas técnicas explicam a defasagem entre o requerimento e a lavra efetiva: “A resposta passa pelas diferentes etapas da atividade mineral e licenciamento ambiental. Entre a identificação de um potencial mineral e o início da produção podem ser exigidos investimentos elevados e tempo para outras ações serem concluídas.”
O volume de autorizações sinaliza o apetite do mercado pela prospecção, mas não garante, por si só, reservas economicamente viáveis ou capacidade instalada de beneficiamento.
Desafio do refino e diretrizes do MME
Elementos essenciais para a montagem de ímãs de alta eficiência, as terras raras demandam etapas avançadas de separação química e refino industrial. A ampliação da extração mineral sem o desenvolvimento da cadeia de transformação intermediária perpetua a dependência externa por tecnologias críticas para a descarbonização.
A coordenação dos projetos alinha-se às diretrizes da Resolução nº 2/2021 do Ministério de Minas e Energia (MME), que definiu a lista de minerais críticos do país, incluindo também lítio, níquel, cobre, grafita, silício, urânio, vanádio e nióbio. Para o setor elétrico e industrial, o indicador central de maturidade dessa cadeia será a capacidade do país em converter licenças de pesquisa em operações integradas de processamento e agregação de valor local.



