Brasil ultrapassa 60 GW de energia solar e consolida segunda posição na matriz elétrica nacional

Com 42,05 GW de geração distribuída e 17,95 GW de grandes usinas, a fonte solar já responde por mais de 23% da capacidade instalada do país, mas enfrenta desafios regulatórios e de conexão que podem frear seu crescimento.

O Brasil atingiu um novo patamar na transição energética: a capacidade instalada de energia solar chegou a 60 GW em operação, segundo dados divulgados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) nesta quarta-feira (13). O volume engloba 42,05 GW de geração distribuída (GD) – formada por pequenos e médios sistemas de geração própria – e 17,95 GW de geração centralizada (GC), provenientes de grandes usinas solares.

O avanço é expressivo. Apenas em 2025, o país adicionou mais de 7 GW de potência solar. No fim de janeiro, a marca registrada era de 53 GW, o que demonstra a velocidade da expansão do setor. Hoje, a energia solar já ocupa 23% da matriz elétrica brasileira, sendo a segunda maior fonte do país, atrás apenas das hidrelétricas (43,3%).

Desafios para manter o ritmo de crescimento

Apesar dos números positivos, o setor enfrenta barreiras que podem comprometer seu ritmo de expansão. Entre os gargalos mais citados por especialistas estão a ausência de ressarcimento aos empreendedores pelos cortes de geração renovável e as dificuldades de conexão de pequenos sistemas de geração própria, justificadas pelas distribuidoras com a alegação de inversão de fluxo de potência.

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A resolução desses entraves é considerada fundamental para garantir que o Brasil siga aumentando a participação das renováveis e, em especial, da fonte solar, que tem sido protagonista na descentralização da produção de energia.

Geração distribuída: presença em quase todo o território nacional

A energia solar domina amplamente o segmento de geração distribuída, representando 99,9% das conexões do país. Dos 5.570 municípios brasileiros, apenas 11 ainda não possuem sistemas instalados.

Ao todo, já são 3,76 milhões de sistemas fotovoltaicos em operação, beneficiando 6,61 milhões de unidades consumidoras. A potência instalada na GD é liderada pelo uso residencial (20,84 GW), seguido por instalações comerciais (11,95 GW), rurais (5,64 GW) e industriais (3,05 GW).

Em termos de estados, São Paulo lidera com 5,91 GW, seguido por Minas Gerais (5,31 GW) e Paraná (3,78 GW).

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Geração centralizada: crescimento exponencial em menos de uma década

A geração centralizada solar no Brasil soma 17,95 GW. Até 2017, essa modalidade sequer fazia parte da matriz elétrica nacional. Desde então, o crescimento tem sido acelerado.

Os estados com maior potência instalada em GC são Minas Gerais (7,41 GW), Bahia (2,40 GW) e Piauí (2,09 GW). Além dos projetos já em operação, há 29,3 GW em fase de construção ou em vias de serem iniciados, segundo a ANEEL.

Perspectivas para os próximos anos

O setor fotovoltaico brasileiro vive um momento estratégico. De um lado, há recordes de potência instalada e um papel crescente na matriz elétrica. De outro, persistem desafios regulatórios e técnicos que exigem solução rápida para garantir que o país continue aproveitando o potencial solar abundante em seu território.

Se os entraves forem superados, especialistas preveem que a energia solar poderá assumir a liderança da matriz elétrica já na próxima década, impulsionando ainda mais a geração limpa, a segurança energética e a redução de emissões.

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