Niterói investe em parque solar com foco em sustentabilidade, segurança climática e inclusão social

Projeto Encosta Verde prevê geração de 150 mil kWh, recuperação ambiental, prevenção de desastres e contratação de mão de obra local no berço histórico da cidade

A cidade de Niterói dá um passo decisivo rumo à transição energética e à resiliência climática com o início da implantação do Parque Solar do Morro do Boa Vista, no bairro de São Lourenço, Zona Norte da cidade. O projeto, batizado de Encosta Verde, contempla 450 painéis solares, com 2.700 módulos fotovoltaicos distribuídos em uma área de encosta, além de captação de água da chuva, ações de reflorestamento e estratégias de prevenção a queimadas e deslizamentos.

Com investimento de R$ 7,7 milhões, a iniciativa é conduzida pela Empresa de Infraestrutura e Obras de Niterói (ION) e está prevista para ser concluída no segundo semestre de 2025. A energia gerada — estimada em 150 mil kWh por ano — será destinada ao abastecimento de equipamentos públicos, promovendo redução dos custos com eletricidade e contribuição direta à matriz energética limpa do município.

Um marco para a sustentabilidade urbana

“O projeto Encosta Verde é um marco na nossa jornada por uma cidade sustentável e resiliente. A instalação dos painéis solares no berço histórico de Niterói reflete nossa aposta em soluções integradas e inovadoras. Além de ampliar nossa matriz energética renovável, estamos gerando empregos, promovendo segurança ambiental e valorizando o território”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves.

- Advertisement -

Niterói já possui um histórico de ações em prol da sustentabilidade, com destaque para o uso de veículos elétricos na frota pública, ampliação da infraestrutura cicloviária e programas de mobilidade ativa como o uso de bicicletas compartilhadas. O Encosta Verde reforça esse compromisso e posiciona a cidade como referência na integração entre energia, meio ambiente e inclusão social.

Energia limpa e gestão hídrica: um modelo de multifuncionalidade

Mais do que um projeto de energia renovável, o Encosta Verde propõe uma solução multifuncional para áreas de risco ambiental. Um dos destaques é o sistema de captação de água da chuva, que atenderá à limpeza dos painéis solares — garantindo eficiência operacional — e fornecerá suporte ao Corpo de Bombeiros no combate a incêndios florestais, comuns na região.

“Estamos diante de uma política pública inovadora, que concilia sustentabilidade, segurança climática e desenvolvimento urbano. O reflorestamento das encostas e a criação de infraestrutura de apoio à prevenção de desastres fortalecem a resiliência do território, especialmente diante das mudanças climáticas”, destacou a vice-prefeita Isabel Swan, que também ocupa a Secretaria de Clima, Resiliência e Defesa Civil de Niterói.

Impacto social e valorização comunitária

A proposta também se diferencia pelo enraizamento social. Aproximadamente 20% da força de trabalho da obra é composta por moradores da comunidade local, promovendo geração de renda, qualificação e senso de pertencimento. A iniciativa foi recebida com entusiasmo pela população.

- Advertisement -

“Nós estamos entusiasmados e acreditamos que o projeto vai trazer diversas melhorias para a comunidade. É gratificante ver o Morro do Boa Vista sendo reconhecido como referência em sustentabilidade e inovação”, declarou Victor Barcellos, presidente da Associação de Moradores.

Reconhecimento e replicabilidade

O projeto Encosta Verde é fruto de um planejamento iniciado anos atrás e já coleciona reconhecimento. Em 2018, venceu o Prêmio Lidera Rio, na categoria Sustentabilidade e Resiliência, superando 28 iniciativas de oito municípios fluminenses.

A proposta de transformar uma área de encosta — historicamente marcada por vulnerabilidades sociais e ambientais — em um polo de energia limpa e resiliência urbana foi considerada exemplar por especialistas e gestores públicos.

Caminho para cidades mais verdes e resilientes

Com o avanço do Encosta Verde, Niterói se posiciona na vanguarda das políticas públicas voltadas à transição energética justa. A iniciativa alia metas de descarbonização, adaptação climática, geração de emprego e valorização de comunidades vulneráveis, funcionando como um modelo para outras cidades brasileiras.

Em um contexto de emergência climática global, projetos como esse demonstram que desenvolvimento urbano e preservação ambiental podem caminhar juntos, especialmente quando apoiados por inovação tecnológica, planejamento urbano e participação social.

Destaques da Semana

MME veta IPCA e fixa preços por até dois anos nos leilões de energia existente de 2026

Portaria nº 135 baliza os leilões A-1, A-2 e...

Climatempo alerta: Combinação de El Niño e queimadas eleva risco de desligamentos no SIN

NOAA aponta probabilidade superior a 80% para a instalação...

CMSE decide custo de operação do SIN e associações pressionam por mudança em parâmetros

Em manifesto conjunto, comercializadores, geradores renováveis e grandes consumidores...

CADE defende cautela em restrições à verticalização e influencia debate sobre Open Energy na ANEEL

Órgão antitruste valida monitoramento da concorrência por área de...

Contenção Fiscal: Governo Bloqueia Orçamento de Ministérios e Agências de Infraestrutura

Decreto nº 12.990 oficializa contingenciamento de R$ 8,3 bilhões...

Artigos

Últimas Notícias