Especialistas destacam a importância da colaboração regional para avanços tecnológicos e sustentabilidade no setor energético.
O futuro da transição energética na América do Sul depende diretamente da integração entre os países da região. Essa foi a principal mensagem debatida durante a conferência “Integração regional como catalisador para a transição energética”, organizada pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) e pelo Institute of the Americas (IoA). O evento, realizado no Hotel Fairmont, no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira (11), reuniu especialistas, líderes empresariais e representantes de governos para discutir como a cooperação pode impulsionar a sustentabilidade e a modernização energética no continente.
O encontro contou com o apoio de grandes players do setor, como Siemens Energy, Integra Capital, Origem e Environmental Resources Management (ERM). Entre os temas debatidos, destacaram-se a diversificação de mercados energéticos, modernização de infraestruturas e o papel de fontes como o gás natural e o hidrogênio na descarbonização.
Colaboração como Ferramenta de Desenvolvimento Sustentável
A integração energética vai muito além de uma troca de serviços entre países vizinhos. Segundo Rafaela Guedes, senior fellow do Cebri, essa colaboração deve ser encarada como um instrumento estratégico “Integrar diferentes regiões traz ganhos significativos que os países não conseguem alcançar isoladamente. A energia deve ser tratada como uma moeda de troca regional, capaz de impulsionar o desenvolvimento econômico e sustentável.”
Esse ponto foi reforçado por André Clark, CEO da Siemens Energy Brasil. Ele exemplificou como a conexão elétrica entre Brasil e Uruguai foi crucial para mitigar impactos econômicos durante uma crise energética no Rio Grande do Sul, destacando que “a eletricidade pode se tornar a moeda da América Latina”.
Desafios e Oportunidades para a Integração Regional
Embora a integração energética seja uma meta estratégica, ainda há muitos desafios a serem superados. Para Ana Zettel, assessora da Presidência do BNDES, as diferenças políticas e tributárias entre os países dificultam a criação de um ambiente colaborativo “Quanto mais tempo passa, mais caro se torna para fazermos as adaptações necessárias. A palavra é cooperação: é mais barato colaborar.”
Além disso, o alto custo de financiamento para projetos de infraestrutura foi apontado como um entrave pelo especialista em Energia do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Jesus Alberto Tejeda Ricardez. Segundo ele, o BID destina US$ 5 milhões anuais para reduzir o déficit de infraestrutura até 2030, mas há necessidade de maior envolvimento do setor privado.
Apesar das dificuldades, Alexandre Siciliano, diretor de Transição Energética do Departamento de Clima do BNDES, destacou que o banco está alinhado para oferecer soluções de financiamento robustas. Com um portfólio de mais de US$ 36 bilhões, o BNDES tem atuado em áreas como energia eólica, solar, hidrogênio de baixo carbono e expansão de sistemas elétricos nacionais.
Tecnologias Inovadoras para Sustentar a Transição Energética
Entre os caminhos apontados para a integração energética estão o investimento em novas tecnologias e a modernização das infraestruturas existentes. O gás natural e o hidrogênio verde foram destacados como elementos-chave na transição para uma matriz energética mais limpa e eficiente.
Segundo Décio Oddone, CEO da Brava Energia e coordenador do Programa de Energia do Cebri, a colaboração regional pode acelerar o desenvolvimento de fontes renováveis e tecnologias de descarbonização, tornando a América do Sul uma referência mundial em energia sustentável.
Um Futuro Promissor para a América do Sul
O evento também promoveu discussões sobre o papel estratégico das linhas de transmissão e a criação de mercados energéticos diversificados. Empresas e instituições presentes reforçaram a importância de integrar esforços para superar os desafios da transição energética e garantir segurança no fornecimento de energia para todos os países da região.
Entre os participantes estavam representantes de organizações como Petrobras, Edenor, Elecnor e Âmbar Energia, além de bancos de desenvolvimento e empresas privadas, todos com um objetivo em comum: impulsionar a América do Sul rumo a um futuro sustentável e integrado.
Ao final, a mensagem foi clara: a integração energética não é apenas desejável, mas essencial para que a região possa atingir seus objetivos de sustentabilidade e crescimento econômico.



