EUA impõem tarifa de 15% sobre polissilício chinês para proteger setores solar e de chips

Medida baseada na Seção 232 fija preços mínimos para conter hegemonia de Pequim e resguardar cadeias de inteligência artificial e transição energética

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (6) uma nova medida para fortalecer sua cadeia industrial estratégica ao impor uma tarifa de 15% e estabelecer preços mínimos para produtos derivados de polissilício importados da China. A decisão, assinada pelo presidente Donald Trump, amplia a ofensiva comercial de Washington contra o domínio chinês em insumos considerados essenciais para a fabricação de painéis solares, semicondutores e infraestrutura voltada à inteligência artificial.

A iniciativa foi adotada com base na Seção 232 da Lei de Expansão Comercial de 1962, instrumento que permite ao governo norte-americano restringir importações quando consideradas uma ameaça à segurança nacional. Na avaliação da Casa Branca, a elevada dependência da produção chinesa compromete a resiliência das cadeias de suprimentos ligadas à transição energética, à indústria de chips e à computação avançada.

Medida busca ampliar produção doméstica de polissilício

O polissilício é a principal matéria-prima utilizada na fabricação de wafers de silício, células fotovoltaicas e semicondutores. Atualmente, a China domina praticamente toda a cadeia global desse insumo, desde a produção do material até a fabricação de módulos solares, cenário que tem sido alvo de sucessivas ações comerciais por parte dos Estados Unidos.

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Ao chancelar o novo plano de ação, a Casa Branca posicionou a medida como um pilar central para a política industrial do país. Na avaliação da presidência, a estratégia visa garantir a viabilidade comercial da produção interna de polissilício e seus derivados, insumo considerado essencial tanto para a competitividade econômica quanto para os requisitos de segurança nacional dos Estados Unidos.

Além da tarifa de importação, a criação de um preço mínimo pretende reduzir a pressão competitiva exercida por produtos chineses de menor custo, considerados pelo governo norte-americano resultado de políticas industriais fortemente subsidiadas.

Guerra comercial amplia disputa pela cadeia solar

A decisão representa mais um capítulo da disputa entre Washington e Pequim pela liderança das cadeias globais de tecnologia e energia limpa.

Há anos, fabricantes norte-americanos acusam empresas chinesas de praticarem dumping e utilizarem subsídios estatais para ampliar sua participação internacional. Também são recorrentes as alegações de triangulação comercial por meio de países do Sudeste Asiático para contornar tarifas já existentes.

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No mercado norte-americano, a produção de polissilício permanece concentrada em apenas duas unidades industriais: a Hemlock Semiconductor, localizada em Michigan e controlada por uma joint venture entre Corning e Shin-Etsu Handotai, e a planta da Wacker Chemie, no estado do Tennessee.

Indústria vê oportunidade para novos investimentos

A reação da indústria foi positiva, especialmente entre os fabricantes locais de polissilício.

Diante do novo cenário, a avaliação do mercado é que o ambiente regulatório deve destravar aportes na infraestrutura industrial norte-americana. Representantes da Corning apontam que as novas diretrizes criam estímulos diretos para o investimento contínuo no aumento da capacidade produtiva local, reforçando a competitividade do país no longo prazo.

Embora a Wacker Chemie ainda mensure os impactos operacionais da nova política tarifária sobre sua logística e rede de fornecedores, a companhia reforçou o peso estratégico do polissilício para a soberania industrial dos Estados Unidos. Em comunicado, a empresa reconheceu a atuação do governo norte-americano na pauta e alertou para as implicações diretas da medida na resiliência da cadeia de semicondutores, no avanço da computação de alta performance e nas diretrizes de defesa e segurança nacional.

Energia solar e semicondutores compartilham a mesma cadeia produtiva

Embora os semicondutores estejam no centro da estratégia tecnológica dos Estados Unidos, a indústria fotovoltaica continua sendo a principal consumidora mundial de polissilício.

Dados da Semiconductor Industry Association indicam que o segmento de chips responde por apenas 2,4% da demanda global pelo insumo, enquanto a fabricação de células solares absorve praticamente todo o restante da produção.

Essa relação faz com que a expansão da indústria de semicondutores dependa, em grande medida, da escala proporcionada pelo mercado fotovoltaico. A produção de polissilício de grau eletrônico exige grandes volumes para manter competitividade econômica, tornando a cadeia solar um elemento fundamental para sustentar o abastecimento destinado à microeletrônica.

Impactos podem alcançar mercado global de energia

A nova política comercial tende a produzir efeitos que vão além da indústria norte-americana. Especialistas do setor avaliam que a combinação entre tarifa de importação e preços mínimos poderá alterar fluxos internacionais de comércio, incentivar novos investimentos industriais nos Estados Unidos e pressionar fabricantes chineses a redirecionar parte de sua produção para outros mercados.

Ao mesmo tempo, a medida reforça a estratégia norte-americana de reduzir vulnerabilidades em cadeias consideradas críticas para a expansão da inteligência artificial, dos data centers e da transição energética, setores cuja demanda por semicondutores e equipamentos elétricos deverá continuar crescendo ao longo da próxima década.

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