CBF firma parceria com CAIXA e IVBH para zerar emissões da Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026

Por meio do programa PoA CAIXA, créditos de carbono gerados em aterro tecnológico fluminense vão neutralizar a pegada ecológica da delegação no mundial da FIFA; iniciativa replica modelo de sustentabilidade adotado na COP 30

A busca pelo hexacampeonato mundial da Seleção Brasileira de Futebol na Copa do Mundo da FIFA de 2026 ganhou uma dimensão estratégica voltada à sustentabilidade corporativa e ao mercado de ativos ambientais. Em uma iniciativa inédita para o esporte de alto rendimento, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) formalizou a estratégia “Seleção Carbono Neutra“, desenhada com o objetivo de mitigar e compensar integralmente o balanço de emissões de gases de efeito estufa (GEE) gerados por toda a delegação masculina durante o torneio.

Para viabilizar a compensação das emissões residuais, que englobam desde o transporte aéreo intercontinental e doméstico dos atletas até a infraestrutura logística e de hospedagem, o Instituto Climático von Bohlen Halbach (IVBH), parceiro exclusivo da CBF na agenda climática, estruturou uma operação de aquisição de créditos de carbono de alta integridade junto à CAIXA.

Com uma carteira de atuação que ultrapassa os 15 anos no mercado de balanço de carbono, o banco público atua como provedor dos ativos por meio de seu Programa de Atividades (PoA, na sigla em inglês), uma plataforma estruturada para o financiamento, comercialização e fomento de projetos de finanças sustentáveis no país.

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Alinhamento estratégico e governança climática corporativa

A inserção do futebol na agenda de descarbonização reflete uma tendência global de convergência entre o entretenimento de massa, o patrocínio esportivo e as métricas ESG (ambientais, sociais e de governança). Ao atrelar a marca da seleção nacional a um mecanismo de compensação auditado, as entidades envolvidas buscam consolidar a imagem do Brasil como liderança em ativos ambientais.

No anúncio oficial da cooperação técnica, o presidente da CAIXA, Carlos Vieira, sublinhou a relevância institucional de posicionar o banco em projetos que unam o apelo popular a metas ambientais mensuráveis: “Ao participar de uma ação que associa a paixão nacional pelo futebol à agenda climática, a CAIXA reforça seu compromisso com um desenvolvimento mais sustentável. Essa iniciativa demonstra que é possível gerar impacto positivo para a sociedade e para o meio ambiente, dentro e fora dos campos.”

O modelo operacional adotado para a Copa de 2026 replica a experiência acumulada pela instituição financeira na governança climática de eventos de grande porte. No ano anterior, a CAIXA liderou o fornecimento de ativos para a neutralização completa da COP 30, realizada em Belém (PA), operação que envolveu a mitigação de mais de 130 numerações de equivalente de dióxido de carbono (CO2e).

O vice-presidente de Sustentabilidade e Cidadania da CAIXA, Paulo Seabra, detalha a importância de transformar metas de sustentabilidade em contratos de execução de ativos: “Apoiar o IVBH na compensação das emissões da Seleção Brasileira é transformar conscientização em ação concreta. A CAIXA tem orgulho de participar de um legado ambiental positivo deste Mundial com o fornecimento dos créditos.”

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Mecanismo de compensação: Do lixo da Baixada ao mercado global

Os créditos de carbono transacionados na operação têm lastro em um projeto fluminense de tratamento de resíduos sólidos urbanos. Os ativos são originados na Central de Tratamento de Resíduos (CTR) Rio, localizada no município de Seropédica (RJ), cuja planta de bioenergia e captação de biogás é gerida pela Regenera Rio e integra o escopo do PoA CAIXA.

A CTR Rio é peça central do primeiro programa de resíduos sólidos em larga escala registrado por uma instituição financeira junto à Organização das Nações Unidas (ONU), cuja homologação ocorreu em 2012 com uma diretriz operacional desenhada para um ciclo de 28 anos. O projeto baseia-se na destruição térmica e no aproveitamento energético do metano (CH4), gás com potencial de aquecimento global dezenas de vezes superior ao do CO2, gerado pela decomposição do lixo orgânico.

Historicamente, a modelagem de engenharia e o arranjo financeiro estruturados pela CAIXA e seus parceiros na Baixada Fluminense permitiram o encerramento definitivo de passivos ambientais críticos no estado, como o lixão de Gramacho, em Duque de Caxias, que figurava como o maior depósito de resíduos a céu aberto da América Latina. A conversão desses antigos focos de poluição em centrais tecnológicas de captação de metano é o que garante, hoje, o lastro técnico para os créditos que compensarão a jornada da Seleção Brasileira em busca da sexta estrela.

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