Solfácil lança linha de crédito dedicada a projetos de baterias (BESS) para comércio, indústria e agro

De olho em um mercado projetado em R$ 23 bilhões até 2030, ecossistema solar abre financiamento com aprovação ágil para destravar gargalo de capital no segmento C&I

O mercado de armazenamento de energia em baterias (BESS, na sigla em inglês) no Brasil acaba de ganhar um forte catalisador financeiro. A Solfácil anunciou o lançamento de uma linha de financiamento estruturada exclusivamente para viabilizar sistemas de armazenamento voltados aos segmentos comercial, industrial e ao agronegócio (C&I). A iniciativa privada surge para preencher uma lacuna histórica de linhas de crédito ágeis e desburocratizadas no país, fator apontado por desenvolvedores como o principal obstáculo para a conversão de propostas comerciais em contratos efetivos.

A nova modalidade de crédito foi desenhada para atender a todo o ecossistema de geração distribuída e infraestrutura energética. O produto financeiro está disponível para integradores e empresas de engenharia, compras e construção (EPCistas) que necessitam de alavancagem para fechar negócios, bem como para distribuidores de equipamentos que buscam embarcar soluções de financiamento diretamente em seus portfólios, elevando a competitividade na venda de balcão.

A decisão estratégica da companhia acompanha um momento de forte aceleração na demanda por flexibilidade operativa na ponta do consumo. Dados consolidados pela consultoria Greener apontam que a procura por componentes voltados a sistemas BESS registrou uma expansão expressiva de 89% no mercado brasileiro. O avanço técnico e a redução global do custo das células de lítio sustentam as projeções de que o armazenamento de energia atrás do medidor (behind-the-meter) deve movimentar mais de R$ 23 bilhões em investimentos consolidados até o fim desta década.

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Redução de pico e deslocamento de carga impulsionam demanda industrial

Os projetos elegíveis à nova linha de crédito cobrem as principais aplicações voltadas à gestão energética de média e alta tensão. Entre os vetores de atratividade econômica para a indústria e o agro, destacam-se o deslocamento de consumo, que permite carregar as baterias nos horários de tarifa de energia barata ou via excedente solar para descarregá-las no horário de pico, e o suporte para a redução de picos de demanda, evitando multas por ultrapassagem do montante contratado junto às distribuidoras. Adicionalmente, as baterias passam a atuar como sistemas de backup operacional (nobreak de grande porte), blindando linhas de produção e processos agrícolas sensíveis contra interrupções e oscilações na rede de distribuição.

O tempo de resposta na análise de crédito e o suporte de engenharia foram apontados pela liderança da empresa como os principais diferenciais competitivos para mitigar a assimetria técnica do mercado. Ao detalhar as premissas operacionais da nova carteira, o CEO da Solfácil, Fabio Carrara, enfatizou a agilidade na esteira de concessão e o papel de mentoria da companhia junto à rede de parceiros: “Essa é uma linha para quem está negociando um projeto BESS com um cliente em potencial, mas precisa de uma solução de financiamento para fechar. Temos capacidade de aprovar esses projetos em até um dia e um time dedicado que pode apoiar os integradores, não só na questão financeira, mas também nos aspectos técnicos e comerciais”

Evolução para o modelo ‘As a Service’ e independência energética

A estratégia de expansão do grupo prevê que o financiamento tradicional seja a porta de entrada para modelos de negócios mais sofisticados. Em paralelo à estruturação do crédito, a Solfácil formata as diretrizes para a estreia de sua modalidade de Energy as a Service (EaaS). Essa evolução regulatória e contratual permitirá que integradores e EPCistas operem sob o modelo de locação de ativos, gerando receita recorrente para suas próprias bases e reduzindo o dispêndio de capital (Capex) do cliente final a zero.

A consolidação de ferramentas de financiamento robustas e de novas opções de contratação deve acelerar a maturidade das empresas que atuam na ponta do mercado de instalação. O amadurecimento do segmento é visto como uma fronteira de diferenciação comercial obrigatória para as empresas do setor.

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O CEO da companhia destacou o caráter estratégico e a urgência de capacitação das redes de engenharia diante da transição energética nos consumidores corporativos: “Tornar-se independente energeticamente deixa de ser um luxo e vira necessidade. E esse ainda é um segmento pouco explorado, inclusive pelos integradores. Nosso objetivo é ser a ponte que o mercado precisa para chegar até esses clientes”

Com a abertura do canal de captação por meio de sua plataforma digital, a empresa projeta capturar uma fatia expressiva do pipeline de projetos C&I represados por restrição de crédito no país, criando um novo patamar de liquidez para o mercado de armazenamento de energia.

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