Revisão do PMO indica condições confortáveis para o Sistema Interligado Nacional; subsistema Norte lidera com estimativa de 99,9% de armazenamento, impulsionado por frentes frias anteriores.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) consolidou a primeira revisão do Programa Mensal de Operação (PMO) para o mês de junho de 2026, apontando para um cenário de estabilidade e segurança no suprimento energético do país. O relatório referente à semana operativa entre os dias 6 e 12 de junho indica que todos os subsistemas do Sistema Interligado Nacional (SIN) devem encerrar o mês com níveis de Energia Armazenada (EAR) acima da marca de 65%.
O desempenho mais expressivo está concentrado na região Norte, cuja estimativa indica que o subsistema pode atingir 99,9% de sua capacidade máxima de armazenamento ao final de junho. Nas demais regiões, as projeções também apontam patamares confortáveis de segurança hidroenergética: o Nordeste lidera na sequência com expectativa de 90,2%, seguido de perto pelo Sudeste/Centro-Oeste com 65,4% e pelo Sul com 65,1%.
Afluências e o Impacto das Condições Meteorológicas
Embora o volume estocado nos reservatórios permaneça elevado, o ONS adverte para a consolidação do período seco nas principais bacias do país. A previsão mensal para junho sinaliza a ocorrência de Energias Naturais Afluentes (ENA) abaixo da média histórica em todos os subsistemas. De acordo com os dados apresentados, o Sudeste/Centro-Oeste deve fechar o mês com 78% da Média de Longo Prazo (MLT), seguido pelo Sul, com 73% da MLT. Nas regiões Norte e Nordeste, as projeções para a ENA são de 62% e 60% da MLT, respectivamente.
Ao avaliar as condições de contorno que garantiram a sustentação dos níveis atuais de armazenamento diante da estiagem típica do período, o diretor-geral do ONS, Marcio Rea, destacou o papel dos fenômenos climáticos recentes: “As frentes-frias das últimas semanas foram favoráveis para a manutenção da Energia Armazenada para o mês de junho. O ONS continua acompanhando permanentemente esses indicadores e trabalha para otimizar o uso dos recursos energéticos, preservando a segurança do SIN e o atendimento à sociedade.”
Para a semana operativa de 6 a 12 de junho, modelos meteorológicos preveem que frentes frias e áreas de instabilidade tragam chuvas em torno da média apenas para a bacia do rio Madeira e para a área incremental da UHE Itaipu. Nas bacias dos rios Iguaçu, Uruguai e Jacuí, o volume deve ficar abaixo da média, prevalecendo a condição de estiagem nas demais calhas fluviais do SIN.
Comportamento da Demanda e Vetores de Carga
A projeção do ONS para o comportamento da carga em junho de 2026 indica uma expansão sutil de 0,9% para o SIN na comparação anual com junho de 2025, alcançando uma média de 77.774 MWmed. O crescimento, no entanto, apresenta assimetria regional acentuada, com forte tração nos subsistemas setentrionais.
A região Nordeste deve registrar a maior taxa de expansão, com alta de 5,2% (13.427 MWmed), acompanhada pelo Norte, que projeta avanço de 4,5% (8.448 MWmed). Em contrapartida, as regiões de maior peso econômico registrarão retrações marginais na demanda: o Sudeste/Centro-Oeste recuará 0,8% (42.346 MWmed) e o Sul apresentará uma queda de 0,2% (13.554 MWmed) frente ao verificado no mesmo período do ano anterior.
Pressão sobre o Custo Marginal de Operação
O balanço entre a desaceleração sazonal das afluências e o comportamento da carga provocou oscilações no Custo Marginal de Operação (CMO). Para a semana operativa em análise, os subsistemas Sudeste/Centro-Oeste, Sul e Nordeste operam de forma equalizada, com o CMO médio fixado em R$ 226,70/MWh.
| Subsistema | CMO Médio Semanal (R$/MWh) | Projeção de EAR – Final de Junho (%) | ENA Mensal Prevista (% da MLT) |
| Sudeste / Centro-Oeste | R$ 226,70 | 65,4% | 78% |
| Sul | R$ 226,70 | 65,1% | 73% |
| Nordeste | R$ 226,70 | 90,2% | 60% |
| Norte | R$ 289,25 | 99,9% | 62% |
O subsistema Norte, por sua vez, descolou-se dos demais e apresenta o maior custo marginal do SIN, precificado em R$ 289,25/MWh. Esse comportamento reflete restrições elétricas e as políticas locais de operação energética, que incluem o controle das defluências nas usinas do Rio Tocantins em virtude do início do período de praias na região e o dimensionamento rigoroso da UHE Balbina para preservar o armazenamento.



