Enel prorroga Chamada Pública de Eficiência Energética de R$ 96 milhões e inclui BESS

Novo prazo estende inscrições até 15 de junho; distribuidora foca em São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará, abrindo espaço inédito para sistemas de armazenamento em baterias.

A Enel Brasil postergou o encerramento do prazo para a submissão de propostas na sua Chamada Pública de Projetos (CPP) de Eficiência Energética 2026. Os agentes interessados ganharam um fôlego adicional e agora têm até as 17h do dia 15 de junho para registrar suas iniciativas, que concorrem a um montante global de até R$ 96 milhões. O aporte financeiro abrange projetos focados na otimização do consumo e modernização tecnológica de ativos nas áreas de concessão do grupo nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Ceará.

O mecanismo operacional integra o Programa de Eficiência Energética (PEE), instrumento setorial regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O objetivo da chamada pública é selecionar propostas que comprovem viabilidade técnica e econômica na redução do desperdício de eletricidade, substituição de maquinários obsoletos e transição para matrizes de menor impacto ambiental. Podem concorrer consumidores adimplentes conectados em diferentes níveis de tensão, incluindo os segmentos de Poder Público, Serviço Público, Iluminação Pública, Comércio e Serviços, Industrial, Rural e Residencial.

Inclusão de baterias (BESS) sinaliza modernização do PEE

O grande diferencial do certame deste ano é o alinhamento com as tendências globais de descentralização e gestão ativa de redes de distribuição. Além das tradicionais frentes de eficientização, como a remodelação de sistemas de iluminação e climatização por opções de alto rendimento e a instalação de microgeração solar fotovoltaica, a Enel abriu espaço, pela primeira vez na história de suas chamadas, para o financiamento de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS).

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A inclusão do armazenamento em baterias no escopo do programa representa um marco metodológico para o mercado de recursos distribuídos. Essa abertura permite que consumidores corporativos, industriais e de infraestrutura pública desenhem projetos que combinem a eficientização clássica com ferramentas avançadas de gerenciamento de demanda e modulação de pico, elevando a resiliência e a previsibilidade operacional dos ativos conectados.

Distribuição regional prioriza mercado paulista

A governança do PEE estruturou a partilha de recursos com base nas necessidades demográficas, de infraestrutura e de mercado das três distribuidoras do grupo. O maior volume de capital foi direcionado para a operação de São Paulo, que absorverá R$ 80 milhões do orçamento total, o maior aporte histórico já registrado pelo programa no território paulista. A destinação dos fundos foi dividida da seguinte forma:

  • São Paulo (Total: R$ 80 milhões)
    • Demais Tipologias (Poder público, serviço público, rural, comércio/serviços e indústria): R$ 60 milhões
    • Iluminação Pública: R$ 14 milhões
    • Residencial: R$ 6 milhões
  • Rio de Janeiro (Total: R$ 8 milhões)
    • Cesta Única Multissetorial (Poder público, serviços, iluminação, comércio, rural, indústria e residencial): R$ 8 milhões
  • Ceará (Total: R$ 8 milhões)
    • Demais Tipologias (Poder público, serviço público, rural e industrial): R$ 3 milhões
    • Comércio e Serviços: R$ 2 milhões
    • Residencial: R$ 2 milhões
    • Iluminação Pública: R$ 1 milhão

Métricas de sustentabilidade e impacto na rede

Para além do alívio direto nas contas de luz das instituições contempladas, o PEE atua como um mecanismo de mitigação de emissões e otimização do despacho elétrico. A triagem dos projetos seguirá critérios rígidos estabelecidos pelos procedimentos regulatórios da Aneel, levando em conta indicadores como a relação custo-benefício (RCB) do investimento e o volume de contrapartida financeira proposto pelo cliente.

O balanço operacional do ciclo de 2025 dimensiona o impacto sistêmico do programa. As ações implementadas no ano anterior evitaram o lançamento de 254 toneladas de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera e proporcionaram uma economia de energia de 25,3 mil MWh. Do ponto de vista de equivalência de consumo na distribuição, essa economia seria suficiente para suprir a demanda energética de aproximadamente 8,4 mil unidades familiares pelo período de um ano, gerando externalidades positivas em termos de conforto térmico, segurança de instalações e modernização urbana em prol de quase 190 mil pessoas.

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