Cemig reduz indicadores de interrupção mesmo sob estresse climático extremo em Minas Gerais

Com investimento recorde de R$ 4,7 bilhões, companhia melhora DEC e FEC em ciclo marcado por alta de 56% na incidência de descargas atmosféricas

O sistema elétrico mineiro enfrentou, no último período chuvoso, um dos seus maiores testes de estresse das últimas décadas. Dados consolidados pela Cemig revelam que, apesar da severidade dos eventos climáticos, exemplificados por volumes históricos de precipitação na Zona da Mata, os indicadores de qualidade do fornecimento apresentaram melhora em relação ao ciclo anterior. O avanço reflete a estratégia de automação e o robusto plano de investimentos em infraestrutura de rede da concessionária.

A resiliência da rede foi desafiada por um salto estatístico significativo: o estado registrou mais de 2,47 milhões de descargas atmosféricas no período 2025/2026, contra 1,58 milhão no ciclo passado. Mesmo com esse cenário adverso, os indicadores de continuidade superaram o desempenho anterior. O DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Consumidor) percebido caiu de 10,65 para 9,04 horas, enquanto o FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Consumidor) reduziu de 4,85 para 4,33 interrupções.

Resiliência operacional diante de chuvas históricas

O caso de Juiz de Fora tornou-se o benchmark de resiliência para a companhia neste ano. Em fevereiro de 2026, a cidade registrou o maior volume de chuva desde o início da série histórica em 1961, com 750 milímetros. O impacto, que provocou graves danos à infraestrutura urbana, não se traduziu em blecautes prolongados. A Cemig reportou que as ocorrências pontuais foram sanadas em até 24 horas, sem o registro de grandes blocos de carga desatendidos por longos períodos.

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Ao analisar a adaptação da infraestrutura aos novos padrões meteorológicos, o gerente do Centro de Operações da companhia, Felipe Ildefonso, destaca: “Estamos lidando com eventos climáticos cada vez mais extremos, mas a Cemig vem se preparando para esse novo cenário. A melhora dos indicadores, mesmo com chuvas mais severas, mostra que o sistema está ainda mais resiliente, automatizado e com maior capacidade de resposta.”

Aporte bilionário e modernização do sistema

Os ganhos nos indicadores de qualidade são sustentados por um plano de investimentos que atingiu R$ 4,7 bilhões no último ano, abrangendo 774 municípios. Para 2026, o orçamento será ampliado para R$ 4,9 bilhões, focando em manutenção preventiva e digitalização da rede.

O cronograma operacional para o próximo ciclo inclui a poda de 900 mil árvores e a limpeza de 50 mil quilômetros de faixas de servidão, além da modernização de ativos como postes, isoladores e para-raios. A companhia tem utilizado tecnologias de termovisão e drones para inspeções preventivas, mitigando falhas antes que o estresse climático ocorra.

O impacto direto desses investimentos na robustez da distribuição é detalhado pelo gerente do Centro de Operações, Felipe Ildenfonso, ao afirmar: “A redução do DEC e do FEC em um cenário de maior estresse climático evidencia a evolução da rede de distribuição. Isso é resultado direto de investimentos em automação, reforço estrutural e manutenção preventiva, que aumentam a resiliência do sistema.”

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Mobilização de campo e infraestrutura móvel

A capacidade de resposta rápida é outro pilar da estratégia. Em situações de contingência extrema, a Cemig possui protocolos para elevar seu efetivo de campo em até 290%, mobilizando mais de 8.500 técnicos. O suporte logístico conta com 30 subestações móveis e uma frota de aeronaves composta por dois helicópteros e 99 drones, essenciais para o restabelecimento em áreas de difícil acesso.

Essa estrutura garante que o Centro de Operação da Distribuição (COD) mantenha o controle da rede mesmo quando o volume de chamados de emergência atinge picos sazonais, consolidando a transição para uma operação de alta performance voltada ao gerenciamento de crises climáticas.

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