Brasil acelera agenda global de eólica offshore e busca protagonismo com missão internacional em Portugal

Coalizão Eólica Marinha articula governos, empresas e academia, firma acordos com estados estratégicos e reforça pressão por marco regulatório competitivo

A Coalizão Eólica Marinha (CEM) deu um passo relevante para consolidar o Brasil como um dos principais polos emergentes de energia eólica offshore ao realizar uma missão internacional em Portugal, com visitas técnicas e articulações institucionais voltadas à aceleração do setor no país.

A iniciativa marca o lançamento internacional da coalizão e ocorre em um momento decisivo para o desenvolvimento da geração em alto-mar no Brasil, onde o avanço regulatório ainda é considerado o principal gargalo para destravar investimentos bilionários.

A agenda incluiu visita ao parque WindFloat Atlantic, referência mundial em tecnologia de eólica offshore flutuante, além da participação no WindEurope 2026, um dos principais fóruns globais do setor.

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Aprendizado internacional e pressão por regulação no Brasil

A missão reuniu representantes do governo federal, estados, universidades e empresas da cadeia produtiva, com foco em absorver experiências de mercados maduros e acelerar a estruturação do ambiente regulatório brasileiro.

A presidente da Coalizão Eólica Marinha, Roberta Cox, destacou o caráter estratégico da iniciativa ao posicionar o Brasil no debate global da transição energética: “Esta missão simboliza um movimento coordenado do Brasil para se posicionar de forma competitiva no mercado de eólicas offshore. Estamos reunindo governo, academia e setor privado para aprender com mercados já consolidados, acelerar a regulamentação e criar as condições necessárias para destravar investimentos no país. O Brasil tem potencial para liderar esse setor globalmente, e a Coalizão nasce justamente com esse propósito”.

O movimento ocorre em paralelo à crescente demanda por fontes renováveis mais estáveis, capazes de complementar a expansão de solar e eólica onshore no Sistema Interligado Nacional (SIN).

Potencial de 1.200 GW e papel estratégico na matriz elétrica

Com potencial estimado em cerca de 1.200 GW ao longo da costa brasileira, a eólica offshore desponta como uma das principais apostas para diversificação da matriz energética, aumento da segurança energética e atração de capital estrangeiro.

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A característica de maior previsibilidade dos ventos em alto-mar, aliada à escala dos projetos, posiciona essa fonte como vetor relevante para reduzir a volatilidade do sistema elétrico, especialmente diante da crescente intermitência das renováveis variáveis.

Roberta Cox reforçou o papel estrutural da tecnologia no futuro energético do país: “Há um vasto potencial de geração ao longo da costa brasileira. A energia eólica offshore é considerada uma das principais apostas para diversificação da matriz energética, atração de investimentos e geração de empregos qualificados. A missão internacional da CEM reforça o compromisso do Brasil em avançar com celeridade na regulamentação e na criação de um ambiente seguro para novos projetos”.

Acordos com estados ampliam articulação federativa

Um dos marcos da missão foi a assinatura de Termos de Adesão com os governos do Rio Grande do Norte e do Rio Grande do Sul, que passam a integrar a coalizão como Membros Observadores Institucionais. Os estados se juntam ao Rio de Janeiro, já participante da iniciativa.

A adesão amplia a articulação entre entes subnacionais e o setor privado, criando uma base institucional para o desenvolvimento coordenado de projetos offshore.

A secretária do Meio Ambiente e Infraestrutura do Rio Grande do Sul, Marjorie Kauffmann, destacou o impacto estratégico da participação estadual: “A participação na coalizão amplia a inserção do RS em fóruns internacionais de alto nível e fortalece o debate global sobre a transição energética justa, sustentável e inovadora. O Rio Grande do Sul tem um grande potencial para a ampliação do uso da energia eólica onshore e offshore, e essa missão vem a posicionar o Estado como um local estratégico para investimentos em energias renováveis”.

Cadeia produtiva, inovação e competição global

Além da agenda institucional, a missão busca estruturar uma cadeia produtiva nacional capaz de sustentar o crescimento da indústria no longo prazo. O desenvolvimento da eólica offshore exige investimentos intensivos em infraestrutura portuária, logística, fabricação de componentes e capacitação de mão de obra especializada.

A atuação da Coalizão Eólica Marinha se concentra justamente em conectar esses diferentes elos, governo, indústria e academia, para criar um ambiente competitivo frente a mercados já consolidados na Europa e na Ásia.

Janela de oportunidade e desafios regulatórios

Apesar do forte interesse de investidores internacionais, o avanço da eólica offshore no Brasil ainda depende da definição de regras claras para cessão de áreas marítimas, licenciamento ambiental e modelos de contratação de energia.

A missão internacional reforça a pressão por celeridade nesses processos, em um momento em que o país disputa capital global com outras regiões que já oferecem maior previsibilidade regulatória.

No contexto da transição energética, a consolidação da eólica offshore pode representar um salto estrutural para o Brasil, não apenas como gerador de energia limpa, mas como protagonista em uma nova indústria global de alto valor agregado.

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