Integrado ao programa IntegraTietê, plano plurianual abrange 24 quilômetros de margens, foca em infraestrutura de uso público e conecta ativos da geradora ao monitoramento do programa Muralha Paulista
A Empresa Metropolitana de Águas e Energia (EMAE) iniciou uma nova vertente de valorização e governança para os ativos imobiliários e hídricos sob sua gestão na Região Metropolitana de São Paulo. Em parceria com o Governo do Estado, a companhia oficializou um investimento de R$ 24 milhões direcionado à revitalização, requalificação infraestrutural e recuperação ambiental de 24 quilômetros de extensão das margens do Rio Pinheiros. O anúncio foi realizado no contexto das agendas estratégicas ligadas ao Dia Mundial do Meio Ambiente.
O projeto de engenharia urbana e paisagística será executado em regime faseado, visando mitigar impactos no fluxo diário de usuários que utilizam o corredor multimodal da região. A primeira etapa das intervenções físicas está programada para iniciar em junho, com um cronograma de execução estimado em 150 dias. Já a segunda fase está projetada para o período de entressafra de chuvas, concentrando-se entre novembro de 2026 e março de 2027. O escopo das obras abrange a modernização de sistemas de iluminação, repavimentação de pistas, sinalização técnica, além de projetos de silvicultura com o plantio de espécies nativas da Mata Atlântica.
O aporte financeiro conecta-se de forma direta às metas de saneamento e macrodrenagem do Poder Executivo paulista. Ao detalhar a sinergia entre as frentes de engenharia civil e os novos recursos de sensoriamento tecnológico para o monitoramento de bacias hidrográficas, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo, Natália Resende, pontuou as diretrizes do programa macro do estado: “Estamos avançando de forma consistente no programa e agregando mais medidas, com o uso de novas tecnologias e inteligência de dados. Estamos iniciando o monitoramento por satélite do Tietê e afluentes e de oito praias do interior, o uso de ondas ultrassônicas para o combate à proliferação de algas em Sabino, a ampliação em 20% da coleta de lixo flutuante e todo esse amplo pacote de melhorias ambientais e infraestruturais nas margens do Pinheiros, que vai criar as condições para que a população volte a ter uma relação positiva com o rio.”
Conexão logística e a Permissão de Uso do Parque Linear
A estruturação do projeto consolida a posição da EMAE na administração de faixas de servidão e terrenos marginais adjacentes aos seus canais e estruturas hidráulicas. Recentemente, a empresa de economia mista sagrou-se vencedora da sessão pública voltada à Permissão de Uso Qualificado do Parque Linear Bruno Covas – Novo Rio Pinheiros.
A concessionária aguarda a homologação final do Termo de Permissão de Uso para assumir formalmente a operação comercial e de manutenção da área de preservação. Sob a ótica do planejamento corporativo de longo prazo, o investimento reitera o compromisso da geradora em harmonizar seus ativos operacionais com as demandas de descarbonização e convivência urbana.
O diretor-presidente da EMAE, Rafael Strauch, ressaltou as metas de responsabilidade social e governança (ESG) associadas à revitalização do ativo hídrico: “O Rio Pinheiros ajudou a moldar a história de São Paulo. Agora, queremos que ele volte a ocupar um lugar de destaque na vida da cidade. Este investimento representa o início de uma transformação de longo prazo, que busca tornar suas margens mais seguras, acessíveis e acolhedoras para a população. Estamos criando as condições para que esse espaço seja cada vez mais utilizado por quem caminha, pedala, pratica esportes, convive e busca contato com a natureza, in meio à maior metrópole do país.”
A governança do projeto adota um modelo de cooperação público-privada. A liderança da EMAE estabeleceu canais de interlocução técnica com a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e com a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) para desenhar uma modelagem de operação integrada.
Na visão de Rafael Strauch, a reinserção do ecossistema fluvial no cotidiano habitacional mitiga passivos urbanísticos históricos: “As grandes cidades não viram as costas para seus rios; elas os incorporam à vida urbana. O Rio Pinheiros tem potencial para ser cada vez mais um espaço de encontro, convivência, esporte e contato com a natureza. Estamos construindo uma visão de longo prazo para que suas margens sejam percebidas não apenas como um corredor da cidade, mas como um lugar onde as pessoas queiram estar. Esse é o legado que buscamos deixar para São Paulo.”
Engenharia de segurança e integração ao programa Muralha Paulista
O plano de investimentos contempla uma interface tecnológica voltada à segurança patrimonial e dos frequentadores dos ativos da Semil e da EMAE. O Parque Bruno Covas operará como projeto-piloto para a integração dos parques estaduais urbanos ao ecossistema do programa Muralha Paulista. O perímetro receberá a instalação de 22 câmeras analíticas de alta resolução, distribuídas em 19 vetores estratégicos mapeados por auditorias técnicas de segurança.
A ativação do parque tecnológico ocorrerá no prazo regulamentar de até 60 dias após a assinatura dos contratos executivos. Os dispositivos contarão com algoritmos de monitoramento móvel e análise preditiva de imagens em tempo real. O arranjo permitirá o compartilhamento direto de banco de dados e alertas de inteligência com as forças policiais do estado.
Essa modernização representa uma mudança de patamar na proteção física de infraestruturas críticas e áreas de lazer adjacentes aos canais de adução elétrica. O subsecretário de Meio Ambiente da Semil, Jonatas Trindade, validou os ganhos operacionais trazidos pelo cruzamento de dados de vigilância territorial: “A integração dos parques urbanos ao Programa Muralha Paulista representa um avanço importante na gestão dessas áreas. Estamos incorporando tecnologia e inteligência para ampliar a segurança dos visitantes, fortalecer a proteção do patrimônio ambiental e tornar a atuação das equipes cada vez mais eficiente.”



