ANEEL homologa reajustes para seis distribuidoras; CPFL Paulista e Energisa MS têm maiores altas

Agência aprova novos índices para concessionárias em cinco estados; aplicação de diferimento tarifário via PRORET foi decisiva para conter impactos imediatos nas classes de baixa tensão.

A diretoria colegiada da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou, em reunião realizada nesta quarta-feira (22), os Reajustes Tarifários Anuais de 2026 para importantes players do segmento de distribuição: Neoenergia Cosern, Neoenergia Coelba, CPFL Paulista, Energisa Sergipe, Energisa Mato Grosso e Energisa Mato Grosso do Sul. Juntas, as concessionárias atendem mais de 11,5 milhões de unidades consumidoras em todo o país.

Os índices revelam um cenário de pressão ascendente, especialmente para os consumidores de alta tensão, que enfrentam reajustes de dois dígitos em quase todas as áreas de concessão mencionadas. A CPFL Paulista registrou o maior efeito médio geral (12,13%), seguida de perto pela Energisa MS (12,11%).

Diferimento tarifário: o freio regulatório do PRORET

Um ponto comum em todas as deliberações desta quarta-feira foi a aplicação do diferimento tarifário, conforme estabelecido nos Procedimentos de Regulação Tarifária (PRORET). O mecanismo funciona como uma “amortização” regulatória, permitindo que a Agência postergue para ciclos futuros o reconhecimento de custos já apurados.

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Sem essa intervenção, os índices que chegam à fatura do consumidor residencial (B1) seriam significativamente superiores. Na Energisa MS, por exemplo, o índice residencial foi fixado em 11,75%, enquanto na Neoenergia Cosern o impacto foi mais brando, situando-se em 3,52%.

Custos de infraestrutura e pressão nos encargos

A composição dos índices de 2026 reflete, primordialmente, a variação nos custos de Parcela A — aqueles que fogem ao controle direto da distribuidora. O reajuste em questão foi impactado, especialmente, pelos custos com pagamento de encargos setoriais, transporte e aquisição de energia.

Em Sergipe e na Bahia, estados atendidos pela Energisa Sergipe e Neoenergia Coelba, respectivamente, a Agência destacou que a pressão sobre a tarifa média derivou do transporte da energia e dos encargos incidentes sobre a operação sistêmica. No caso da Coelba, o efeito médio para o consumidor cativo foi de 5,85%, enquanto em Sergipe o índice atingiu 6,86%.

Panorama dos novos índices por concessionária

DistribuidoraConsumidor Residencial (B1)Efeito Médio Alta TensãoEfeito Médio Geral
CPFL Paulista9,15%18,75%12,13%
Energisa MS11,75%12,93%12,11%
Energisa Sergipe5,00%12,36%6,86%
Energisa MT5,12%10,42%6,86%
Neoenergia Coelba3,93%10,21%5,85%
Neoenergia Cosern3,52%10,90%5,40%

Impacto na Alta Tensão e classes produtivas

O segmento de Alta Tensão (Classes A1 a A4), que engloba indústrias e grandes centros comerciais, absorveu os maiores repasses. A CPFL Paulista lidera este ranking com uma alta de 18,75%. Esse movimento é acompanhado de perto por Energisa MS e Sergipe, ambas com índices superiores a 12%.

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Para a baixa tensão, a média aprovada engloba desde o residencial (B1) até a iluminação pública (B4) e as subclasses rurais (B2). Nestas classes, os índices permaneceram mais estáveis graças à gestão dos componentes financeiros e saldos acumulados de processos tarifários anteriores.

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