Parceria com Axia Energia e Porto Piauí aposta em restauração ecológica para garantir segurança hídrica, sustentabilidade da geração hidrelétrica e desenvolvimento regional
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu mais um passo na integração entre sustentabilidade ambiental e segurança energética ao lançar um edital de R$ 78 milhões voltado à revitalização da Bacia do Rio Parnaíba. A iniciativa, realizada em parceria com a Axia Energia e a Porto Piauí, integra o programa Floresta Viva e mira a restauração ecológica em áreas estratégicas para o equilíbrio hidrológico no Nordeste.
Com foco em 23 municípios piauienses localizados na área de influência da Usina Hidrelétrica Boa Esperança, o projeto reforça o papel das políticas ambientais como vetor estruturante para a sustentabilidade da geração hidrelétrica, ainda responsável por parcela relevante da matriz elétrica brasileira.
A iniciativa também se conecta diretamente às diretrizes do Novo PAC, ampliando a atuação do Estado na recuperação de ativos ambientais críticos para o funcionamento do sistema elétrico.
Matchfunding amplia escala e atratividade dos projetos
O edital adota o modelo de matchfunding, no qual recursos aportados por parceiros são complementados por contrapartidas equivalentes do BNDES. A operação é gerida pelo Fundo Brasileiro para a Biodiversidade, entidade com experiência consolidada na estruturação de projetos ambientais de larga escala.
A expectativa é selecionar até 30 projetos de restauração ecológica, com foco na recomposição de matas ciliares e recuperação de áreas degradadas, elementos essenciais para a estabilidade dos regimes hídricos.
A origem dos recursos está, em grande parte, vinculada às obrigações estabelecidas pela Lei nº 14.182/2021, que direciona investimentos para revitalização de bacias hidrográficas como contrapartida ao processo de capitalização da Eletrobras.
Segurança hídrica como ativo do setor elétrico
A degradação ambiental na Bacia do Rio Parnaíba tem impactos diretos sobre o setor elétrico, especialmente na regulação dos reservatórios e na qualidade da água. A perda de cobertura vegetal acelera processos erosivos, reduz a capacidade de infiltração e compromete o ciclo hidrológico.
Nesse contexto, a restauração de matas ciliares deixa de ser apenas uma agenda ambiental e passa a ser tratada como uma estratégia de mitigação de risco operacional para usinas hidrelétricas.
Ao destacar a dimensão da iniciativa, a diretora do BNDES, Maria Fernanda Coelho, enfatizou o potencial de impacto socioeconômico do edital: “Esse é o maior edital do Floresta Viva já lançado. O valor de R$ 78 milhões nós poderemos ter até 30 projetos e mais de 2,3 mil empregos diretos que vão ser fomentados por meio dessa iniciativa, com geração de renda a partir do reflorestamento com mata nativa. O Rio Parnaíba compõe toda a história do estado do Piauí, o que só reforça a importância desse projeto.”
Restauração ambiental impulsiona desenvolvimento regional
Além dos benefícios ambientais, o edital também busca estruturar uma cadeia produtiva ligada à restauração ecológica, com estímulo à criação de viveiros de mudas nativas e capacitação de mão de obra local.
O governador do Piauí, Rafael Fonteles, destacou a relevância do projeto como ponto de partida para uma estratégia mais ampla de desenvolvimento sustentável: “Dentro do projeto de revitalização do Rio Parnaíba, o principal elemento natural que identifica nosso estado, vamos começar pela parte ambiental com o reflorestamento sobretudo das margens do Rio Parnaíba e seu afluentes. Conseguimos em torno de R$ 78 milhões junto ao Comitê de revitalização do rio São Francisco e Parnaíba […] e o BNDES com mais R$ 78 milhões, dentro do programa Floresta Viva, que é o maior programa de reflorestamento do Brasil, um marco importante para o Piauí e o Brasil.”
A visão de impacto transversal também foi reforçada pelo ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes: “Não tenho dúvida do impacto que esse programa terá com cada recurso aplicado na revitalização do Parnaíba e no final desses investimentos, com o BNDES junto, a gente verá a transformação com ampliação da diversidade de oportunidades que vai da agricultura ao turismo, passando pela indústria e toda a economia mais diversa que o Piauí tem.”
ESG e mitigação de riscos operacionais
Para a Axia Energia, a participação no projeto está diretamente associada à mitigação de riscos ligados ao ciclo hidrológico e ao cumprimento de compromissos socioambientais assumidos no processo de capitalização.
O diretor de Relações Institucionais da companhia, Bruno Eustáquio Carvalho, destacou o papel estratégico da iniciativa: “Com iniciativas como essa, a AXIA Energia contribui para a recomposição de áreas sensíveis com impacto direto na qualidade da água, na regulação do ciclo hidrológico e na sustentabilidade das atividades econômicas locais, em consonância com os compromissos estabelecidos no contexto da capitalização da companhia.”
Encerrando a apresentação do edital, o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, posicionou a restauração ecológica como eixo estratégico de política pública: “A reconstrução das florestas é uma agenda estratégica para o BNDES, não só pela recuperação ambiental necessária, mas também pela importância econômica de projetos de revitalização ecológica e hídrica no país. Com o Floresta Viva, avançamos na integração entre preservação ambiental, desenvolvimento sustentável e melhoria da qualidade de vida das comunidades locais, gerando renda com sustentabilidade ambiental, como é a orientação do governo do presidente Lula”.
Novo paradigma: água, energia e clima integrados
A iniciativa reforça uma mudança estrutural na forma como o setor elétrico brasileiro enxerga seus ativos: a segurança hídrica passa a ser tratada como elemento central da confiabilidade do sistema.
Projetos de restauração ecológica, historicamente associados à agenda ambiental, ganham protagonismo como instrumentos de gestão de risco e eficiência operacional. Para investidores e agentes do setor, o movimento sinaliza uma crescente integração entre políticas públicas, financiamento climático e estratégia energética.



