Líderes do setor debatem na Latam Energy Week a necessidade de expandir fronteiras exploratórias sob baixa pegada de carbono para financiar a transição energética.
O Brasil reafirma sua posição como um dos players mais estratégicos do cenário global ao consolidar uma matriz energética diversificada e resiliente. Durante evento realizada no Rio de Janeiro, executivos e especialistas convergiram para um consenso: o país não deve renunciar a nenhuma fonte de energia, mas sim integrar o potencial do pré-sal e de novas fronteiras, como a Margem Equatorial, à sua liderança em renováveis para garantir segurança energética e competitividade internacional.
O debate reuniu representantes da Petrobras, da CNPC Brasil, da FGV Energia e da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá, que destacaram que a soberania brasileira depende de uma estratégia proativa de exploração para evitar a dependência de importações de hidrocarbonetos com maior intensidade de emissões.
Margem Equatorial: A nova fronteira e o espelhamento geológico
A necessidade de reposição de reservas diante da maturação de bacias consolidadas, como Campos e Santos, coloca a Margem Equatorial no centro da estratégia de exploração e produção (E&P). A região, composta por cinco bacias que se estendem do Amapá ao Rio Grande do Norte, é vista como o “novo pré-sal” devido ao seu imenso potencial de exploração.
Ao analisar o potencial da área sob uma perspectiva técnica, a diretora executiva de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, traçou um paralelo com o sucesso exploratório na costa oeste africana: “Em geologia, tudo é feito por analogia. O que encontramos lá do outro lado do Atlântico é o que esperamos encontrar aqui”, afirmou Sylvia, citando o exemplo de países vizinhos como Suriname e Guiana, onde “um país pequeno pode ultrapassar um milhão de barris por dia. Isso mostra o potencial da região.”
Sustentabilidade: Petróleo de baixa emissão como diferencial competitivo
Um dos pilares do debate foi o perfil ambiental da produção brasileira. Atualmente, o Brasil produz um dos barris com menor pegada de carbono do mundo, aproximadamente seis quilos de CO₂ por barril, índice significativamente inferior à média global.
Sylvia Anjos alertou que a interrupção da produção nacional forçaria o país a importar petróleo com maior carga poluidora, ressaltando a eficiência do modelo brasileiro: “Produzimos cerca de seis quilos de CO₂ por barril, muito abaixo da média mundial. Se o Brasil deixar de produzir, vai precisar importar petróleo com maior intensidade de emissões”, alertou.
A diretora reforçou ainda que “somos um país de baixa emissão e alto potencial energético”, lembrando que o setor de energia responde por uma parcela reduzida das emissões nacionais.
O Brasil como o “país de todas as energias”
A tese central defendida pelos especialistas é a coexistência. Diferente de mercados que buscam a substituição radical de fontes, o modelo brasileiro aposta na integração de ativos hídricos, eólicos, solares e nucleares com a indústria do petróleo.
Essa visão multifacetada é sustentada pela Petrobras como uma vantagem geográfica e tecnológica única: “O Brasil é o país de todas as energias. Temos potencial hídrico, eólico, dominamos o ciclo do urânio e temos petróleo com baixa emissão. Não podemos abrir mão de nenhuma dessas alternativas”, defendeu Sylvia Anjos.
Segurança regulatória e confiança do investidor estrangeiro
O ambiente de negócios brasileiro foi elogiado por parceiros internacionais. A parceria entre a Petrobras e a chinesa CNPC foi citada como exemplo de sucesso operacional e disciplina técnica.
Para o CEO da CNPC Brasil, Cao Minquan, a excelência técnica brasileira é um ativo que atrai capital estrangeiro em um momento de incertezas geopolíticas: “Trabalhar com a Petrobras é sinônimo de sucesso. Os projetos que desenvolvemos juntos mostram a capacidade do Brasil de operar grandes empreendimentos com eficiência”.
No âmbito estadual, o desafio é garantir que essa exploração ocorra sob rigorosos critérios de licenciamento e segurança jurídica. Wanderberg Pitaluga Filho, da Agência de Desenvolvimento Econômico do Amapá, ressaltou que o rigor técnico é o pilar para as operações na costa norte: “Produzir petróleo na costa do Amapá exige rigor absoluto. E é isso que está sendo feito, com critérios técnicos, transparência e diálogo com a sociedade”.
A exploração na Margem Equatorial está sendo planejada com protocolos que superam os padrões das bacias maduras. Segundo a Petrobras, a logística envolverá monitoramento contínuo e planos de resposta rápida, comparando a complexidade da operação a um cenário de alta prontidão: “Estamos falando de uma operação praticamente de guerra, no sentido de preparo e controle. Não existe improviso”, concluiu Sylvia Anjos.



