Iniciativa focada no campo de Mero, na Bacia de Santos, integra universidades e inteligência artificial para reduzir incertezas, elevar fator de recuperação e otimizar gestão de reservatórios
A Petrobras anunciou investimento superior a R$ 150 milhões no projeto Libra Rocks, iniciativa voltada ao desenvolvimento de tecnologias inovadoras para caracterização geológica do Pré-Sal. O programa será aplicado prioritariamente no campo de Mero, localizado na Bacia de Santos, atualmente o terceiro maior campo produtor da companhia.
O projeto é conduzido pelo Consórcio de Libra e estabelece parceria estratégica com a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS). Os recursos são oriundos da cláusula de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) regulada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Redução de incertezas e aumento do fator de recuperação
O foco central do Libra Rocks é aprofundar o conhecimento sobre as rochas carbonáticas do reservatório de Mero, reduzindo incertezas geológicas e aprimorando o gerenciamento de reservatórios.
“O Libra Rocks tem potencial para reduzir incertezas na curva de produção, aumentar a eficiência no gerenciamento de reservatórios, otimizar a locação de novos poços e aprimorar o conhecimento sobre o timing de entrada do CO₂ e carga de óleo no reservatório”, avalia o Gerente Executivo de Libra, Bruno Moczydlower.
Com duração prevista de quatro anos, o projeto busca transformar a abordagem científica aplicada à exploração e produção (E&P), integrando geociências, modelagem computacional e inteligência artificial.
Os conhecimentos adquiridos poderão ser aplicados diretamente na área de negócios, com potencial para elevar o fator de recuperação e otimizar decisões de perfuração e desenvolvimento.
Inteligência artificial e “Rocha Digital”
Entre as inovações do Libra Rocks está o uso de inteligência artificial para desenvolver algoritmos capazes de automatizar o processamento de dados geológicos. A aplicação permitirá a construção de modelos conceituais detalhados das rochas carbonáticas da área de Libra, além da utilização de métodos alternativos de análise, ampliando a precisão na caracterização de reservatórios.
Outro destaque tecnológico é o conceito de “Rocha Digital”, que utiliza imagens de altíssima resolução para criar réplicas tridimensionais de amostras rochosas. A tecnologia amplia significativamente a capacidade de caracterização da porosidade, da distribuição de poros e da permeabilidade, variáveis críticas para estimativa de produtividade e comportamento dinâmico do reservatório.
O emprego de equipamentos de alta precisão e métodos modernos também deve permitir análises mais robustas sobre a evolução geológica associada à abertura do Atlântico Sul, evento decorrente da separação entre América do Sul e África.
Desafios técnicos do campo de Mero
O reservatório de Mero está entre os mais estudados do Brasil devido ao seu elevado potencial produtivo e aos desafios tecnológicos associados. Localizado entre 5.000 e 6.000 metros abaixo do nível do mar, em lâminas d’água que variam de 1.800 a 2.000 metros, o campo apresenta condições singulares, como alta salinidade e elevado teor de CO₂.
Formado majoritariamente por rochas carbonáticas datadas entre 125 e 113 milhões de anos, o reservatório combina alta porosidade e boa permeabilidade, características que favorecem o armazenamento e o fluxo de petróleo, mas exigem modelagem sofisticada para maximização do fator de recuperação.
O aprofundamento dos estudos geológicos no campo de Mero também pode gerar conhecimento aplicável a outras áreas do Pré-Sal nas bacias de Santos e Campos, ampliando o impacto estratégico do projeto.
Formação de capital humano e fortalecimento do parque tecnológico
O Libra Rocks envolverá mais de 150 pesquisadores das universidades parceiras e prevê a concessão de mais de 90 bolsas de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado. O investimento contempla aquisição de equipamentos de ponta e fortalecimento do parque tecnológico nacional.
Além do avanço científico, o programa reforça a formação de recursos humanos altamente especializados em geociências e inteligência artificial aplicada ao setor de óleo e gás, ampliando a capacidade brasileira em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Governança do campo unitizado
As operações do campo unitizado de Mero são conduzidas por consórcio liderado pela Petrobras, em parceria com a Shell Brasil, TotalEnergies, CNPC e CNOOC, com a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) atuando como gestora do contrato e representante da União na área não contratada.
Com o Libra Rocks, a Petrobras reforça sua estratégia de liderança tecnológica no Pré-Sal, apostando na integração entre ciência, engenharia e inteligência artificial para ampliar eficiência operacional, reduzir riscos geológicos e maximizar a recuperação de petróleo em um dos ativos mais relevantes do offshore brasileiro.



